terça-feira, 31 de outubro de 2017

Amores líquidos - sobre (não) se envolver e criar laços



 
Recentemente li algo no Facebook sobre amores líquidos e como boa curiosa que sou, resolvi ler umas matérias a respeito, antes de ler o livro de Zygmund Bauman, que pelo que entendi, é o  mais conhecido aqui no Brasil (Amor Líquido - Sobre A Fragilidade Dos Laços Humanos ).
Confesso que fiquei extremamente preocupada com a forma como temos nos tratado por causa da rapidez das tecnologias e a efemeridade do valor das coisas.
Sim, temos nos tratado como coisas.
As redes sociais e os aplicativos de namoro são uma grande vitrine para essa época de total fluidez em que vivemos. 
Creio que meu desapontamento, de um modo geral é pela minha moral, minha autopreservação, porque não acho interessante descartar as pessoas, como descartamos algo que não nos é mais útil.




Muitas pessoas se frustram pois se dedicam, são honestas, carinhosas, e, sem mais nem menos, a outra parte some de sua vida, ou vem com a velha história "você é especial e merece alguém à sua altura", mas não dão oportunidade e nem tem paciência para conhecer.


A internet  facilitou bastante a vida daqueles que não gostam de sair e/ou se esqueceram de como é se relacionar pessoalmente, ou que ainda tem grande dificuldade em dar sequência e sair das redes sociais e sites de relacionamento.
As opções são inúmeras, por isso, as pessoas querem trocar de par toda hora, mudar o investimento.
Essa pessoa não me satisfaz, ou mora longe, ou tem filhos... são inúmeras as desculpas para tratar o outro como "um pedaço de carne," ou uma distração se não tiver nada melhor pra fazer.

Quando não somos correspondidos no imediatismo dos dias atuais, logo desistimos do que não nos atende e buscamos uma outra coisa, ou uma outra pessoa que nos dê o que acreditamos necessitar. Nosso amor-próprio atrelado ao amor do outro por nós, uma vez que associamos nossa felicidade na relação a sermos amados por alguém além de nós mesmos.
Quem nunca?

Infelizmente, por mais que tenhamos autoestima, sempre precisamos de alguém que nos corresponda, e, se não somos correspondidos, porque a maioria das pessoas não quer se entregar e se envolver, dada essa facilidade virtual, uma espécie de lei da oferta e da procura do amor, esses amores líquidos se tornarão mais e mais comuns, e mais e mais pessoas, como eu, ou como você, se sentirão sozinhas e desanimadas dos relacionamentos superficiais.




 

Este texto é da era pré-pandemia, repostado em 11/08/2021

sábado, 13 de maio de 2017

Não há glamour em ser mãe

Esta semana fiz uma enquete no meu Facebook para as mamães conhecidas perguntando o que elas faziam para tirar um tempinho para si.
As respostas foram muito parecidas. 



As mães que não vivem com os pais de seus filhos disseram que tiram seu dia de folga quando estes os pegam pra passar o fim de semana.

As que tem filhos pequenos, de até três anos, perguntaram: "O que é dia de folga?"

Outras disseram que acordam antes do filho para tirar um tempo e fazer suas coisas, como uma leitura, um cuidado para si mesmas, enfim, as necessidades básicas, que nós mulheres, antes de sermos mães, sempre tivemos.

E uma grande parte, como eu, tem o privilégio da ajuda dos avós.

Eu sempre quis ter filhos, mesmo se não me casasse, os filhos sempre estiveram nos meus planos. Algumas mulheres planejavam casamento e eu, uma produção independente, desde a adolescência.

Hoje, venho aqui "desglamourizar" a maternidade com propriedade. 

Desde a barriga já começa o sofrimento: "Será que meu filho vai nascer?" Se nascer "Será que meu bebê  vai ser saudável?" 
"Será que vai ter algum problema genético, ou uma síndrome qualquer, ou, ou, ou...?" "Será que vou sobreviver ao parto?" "Vai ser normal ou cesariana?"

É muita pressão a cabeça de quem se descobre grávida.

Outro ponto importante é acabar com aquela felicidade das mãe de capa de revista com filho recém nascido.

Primeiro: como dá pra ser bonita, sem olheira, ter pele corada, sendo mãe de uma criança com menos de dois anos, se você não for rica?
Porque sim, só as mulheres ricas, cheias de funcionários para ajudá-las têm vida após a maternidade.

Conheço mães que não dormem desde que o filho nasceu, isso há quase dois anos. E não pensem que na gravidez elas dormiram. Nos últimos dois meses pelo menos, fica impossível arrumar uma posição confortável para ter uma boa noite de sono acompanhada do seu lindo barrigão.

Dia desses, vi uma declaração da Taís Araújo na TV contando que o marido Lázaro Ramos se tranca no banheiro por mais de hora, fingindo estar fazendo um número 2, para ter uma folga da rotina doméstica.

Vou lhes confessar: Já fiz isso várias vezes. E quando saí do banheiro cheia de culpa, depois de várias vezes ser chamada "Mamãe, onde você está?" "Mamãe, o que você está fazendo?" e me deparar com um deles ou até os dois do lado de fora me esperando.

Sim, culpa. Mãe é sinônimo de culpa.

Nunca estamos satisfeitas com como estamos nos saindo. Se algo acontece de errado ela, a culpa, está lá de braços cruzados nos encarando. 

Apontando o dedo na nossa cara e fazendo nos sentir umas incompetentes, anormais, ou uma infinidade de outras palavras que se igualam à frustração.
A mãe nunca chorou escondida se sentindo a pior do mundo que atire a primeira pedra.




Hoje, eu jamais aconselharia alguém a ser mãe. Mas se alguém ousar se aventurar por este caminho, digo logo para que tenha dois filhos. Porque é muito amor para um filho só suportar (e muita chatice, egoísmo, falatório também).

Porque ser mãe é isso. É ter que dizer não, com o coração despedaçado, sabendo que está ensinando que a vida é difícil. 

Ser mãe é passar a noite acordada na doença do filho e esquecer tudo de ruim quando ele fica bem. Não importa a idade.

Ser mãe é querer se colocar no lugar dele diante de todas as adversidades, só para que sua cria não sinta dor, e, se isso acontecer, sofre junto. E se a dor for causada por alguém, quer descontar e fazer a pessoa sofrer igual ou pior.

Com tudo isso que eu disse, mesmo com toda essa loucura, nenhuma mulher jamais se arrependeu. Pelo contrário.

Com marido, sem marido, com babá, sem babá, com dinheiro, sem dinheiro, mãe que é mãe nunca se arrepende.

E você que leu e ainda não é, só vai entender na prática, porque ser mãe é um verbo cheio de braços.


P.S.: 
1- Até hoje eu tomo banho com a porta destrancada. Minha filha mais velha vai fazer 16 anos e meu filho mais novo 9. Vai que eles precisam de mim, né?

2- Muitos pais sofrem tudo isso que eu falei, cuidam igual mãe, mas o post  é sobre nós. 



Editado em julho de 2021.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Namore com alguém que...

Não raro, me deparo com algumas fotos no Facebook ou Instagram que têm na legenda uma frase iniciada com o título deste post.

Há tempos venho querendo escrever algo. Mas hoje, especialmente, senti vontade de escrever sobre a frase em questão.

Me chamou atenção uma foto do Ryan Reinolds e sua esposa Blake Lively, então  comecei a pensar em como poderia completar tal frase. 

Fiz um top 10 de como caracterizar uma pessoa "namorável", porém não nos esqueçamos que também devemos ser "essa pessoa".

Vamos lá:

1- Namore com alguém que te veja. 

Sim! Namore com alguém que não simplesmente te olhe, mas que te enxergue. Alguém que você se veja no fundo dos seus olhos, que perceba as qualidades maravilhosas que você tem, que faça questão  de demonstrar isso: "Eu vejo você".

Ser invisível é doloroso.



2- Namore com alguém que te acompanhe.


Alguém que vá aos lugares com você e se sinta feliz com isso, que se preocupe com o que você quer fazer, com o seu lazer, que não vá somente pela obrigação de cumprir um papel, que faça questão da sua companhia. 
Se não for assim, melhor nem ir. Não vai ser legal.

3- Namore com alguém que te faça rir. 

Dispensa qualquer comentário. O riso é o melhor da vida. Riam muito, das coisas mais bobas, das piadas mais velhas e tolas. Só riam.
Algumas pessoas só nos arrancam lágrimas, infelizmente.
 
4- Namore com alguém que te aceite. 

Alguém que aceite quem você é, com seus defeitos, que não zombe se você é menos inteligente, alguém que não queira que você seja uma cópia dele ou dela. 
Alguém que te deixe livre para ser o que você quiser.

5- Namore com alguém que goste de conversar. 

Isso, para uma relação, é fundamental. Alguém que converse com você sobre todos os assuntos, jardinagem, economia, culinária, política, futebol, etc.
Com o passar do tempo, nenhuma relação é só física.
E se você não gostar de conversar com essa pessoa, vai gostar de quê?



6- Namore com alguém que não pule do barco na primeira tempestade. 

Há pessoas que simplesmente abandonam a relação "por não saber lidar" com as nossas fragilidades e nos dão as costas, às vezes, quando mais precisamos de um apoio.

7- Namore com alguém que segure na sua mão quando você sentir medo e diga "Vai ficar tudo bem", mesmo sem saber. 

Na maioria das vezes a gente não sabe mesmo, mas só de sentir o conforto, o carinho de alguém, ou simplesmente saber que ele/ela está ali, já traz um alívio muito grande. 

8- Namore com alguém que trate bem toda e qualquer pessoa, ou bicho, ou planta. 

Também dispensa quaisquer comentários. Mas, se trata mal qualquer ser vivo, por que não vai maltratar você? 
Uma dica: observe como a pessoa trata o garçon, o porteiro, uma criança pequena, um cãozinho... Isso diz muito sobre ela. 


9- Namore com alguém que saiba aproveitar os momentos.

Qualquer momento quando bem vivido vale a pena, desde uma simples hora de almoço, até uma viagem dos sonhos, tem gente que consegue estragar. 
Acredite.

10- Namore com alguém que te faça bem. 

Se não faz bem, não vale a pena. Se não vale a pena, pule fora. Se você não consegue sair desse relacionamento, busque ajuda. O importante é  não gastar sua vida numa relação ruim.

Lembretes finais:

Todo relacionamento no início é lindo. 
As pessoas quando querem conquistar algo são bastante perseverantes e até fofas.
Quando iniciamos uma relação nem sempre é fácil perceber onde estamos entrando, porque muita gente finge. 

Porém, vale lembrar que ninguém sustenta uma mentira pra sempre.
Basta olharmos com a devida atenção. 
Nenhuma máscara é colada com supercola. 
Mais cedo ou mais tarde ela cai.


Enfim, namore com alguém, ou não namore ninguém. 
Só NUNCA, em hipótese nenhuma, se esqueça de que o seu primeiro e maior amor deve ser SEMPRE você mesmo (a).




sexta-feira, 3 de junho de 2011

Vestido de noiva

Desde muito cedo tinha um fascínio por noivas.
Me lembro que todos os meus desenhos tinha uma noivinha com o tronco quadrado, um vestido de mangas bufantes e um véu na cabeça cheio de flores.
Cresci imaginando como seria meu vestido de noiva. Até hoje não sei como vai ser.
Porque paro nas vitrines das lojas e fico em dúvida sobre qual é o mais lindo. 
Esta semana, por exemplo, queria um de renda, ou de babados, ou todo amarrotado...
Se eu tiver que escolher mesmo, estarei perdida.
Mas acredito que ainda vou ter um, nem que eu faça um book fotográfico de noiva solo. Afinal, a palavra solo anda em alta nesses tempos.

Enquanto tenho uma amiga que já se casou três vezes e fez três álbuns, boa parte delas ainda não fez nenhum.

(Janaína, sou fã, três álbuns de noiva)

Algumas dizem que não consideram primordial. Eu também não, mas gostaria. Um dia.

 
Retomando meu fascínio por vestidos de noiva, penso em várias maneiras que o meu seria se eu me casasse. Eis aqui alguns que selecionei, quando fiz este post em junho de 2011.

Romântico:




Decotado:


E os Modernos:


Opções não nos faltam, não é mesmo, meninas?

E você que me lê, qual o vestido dos seus sonhos?

No filme Vestida para casar (Twenty-seven dresses) a personagem de Katherine Heigl pergunta ao colunista de casamentos, interpretado por James Marsden, qual o momento preferido dele em um casamento.
Ele responde que é o momento em que todos os olhares estão voltados para a noiva, mas que ele olha para o noivo e percebe a felicidade e o desejo dele, enquanto ela caminha até o altar, que aliás, é o momento preferido da personagem Jane também.
Aposto que essa cena passou pela sua cabeça, não é mesmo?
Eu, particularmente, nunca tinha prestado atenção a isso até ver esse filme de 2008.
Se você também não, ainda está em tempo. Observe o brilho no olhar do homem que espera pela amada no altar e se inspire.
Quem sabe aquela vontade de casar não surge ou aumenta ainda mais?

Republicação em: 22/07/2021


P.S.: Esse texto é de 2011 e  fiz em homenagem à minha amiga Janaína Teixeira, uma pessoa que amava se vestir de noiva e,  cá entre nós, ficava divina. Jana nos deixou em Junho de 2020. Resolvi republicar esse texto como uma homenagem póstuma e para que sirva de inspiração para mais pessoas. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ele era o menino mais lindo da escola...

James Dean

Ele era o menino mais lindo da escola quando eu estava na sexta série. Vou chamá-lo pelo codinome: "Aranha". 

Era nosso "crush", termo mais atual enquanto edito esse texto. Quando escrevi, não existia um termo que definisse bem, mas era isso; meu crush e de muitas colegas de escola. 

Me lembro que a primeira vez em que conversamos, foi em 1991, final do primeiro bimestre e, o dia em que perdi minha primeira média na vida: em Matemática. Depois dessa foram várias. Porém, a primeira vez é um tiro. 

Aquele número de caneta vermelha doía na  minha alma e eu chorava de soluçar.

Foi quando notei que ele se sentou no banco na frente do meu, no ônibus escolar,  e perguntou o que tinha acontecido, só consegui mostrar o boletim, sem dizer palavra.

Ele deu uma risada gostosa e disse: "Não fica assim, sempre tem uma primeira vez. Se você visse o meu, ia ver o que é perder média. Acho que não tem nota azul."

Sequei os olhos e ri um pouquinho.

O Aranha tinha aquele ar de bad boy que a gente gostava, do rock e do cinema, e sempre usava uma jaqueta jeans surrada, e calças rasgadas, que era a moda da década de 90. Tinha cabelos pretos revoltos, pele clara, algumas poucas espinhas e bastante barba, sempre feita. 

Creio que era repetente, pois já tinha quase uns 18 anos e ainda estava na sétima série (atualmente, 8o ano).

Depois do episódio da nota vermelha, eu saí dessa escola por um ano, por outras questões, e quando eu voltei, o menino mais lindo da escola, devia ter mudado de lá, ou passado para o turno da noite. porque até então, nunca mais soube dele.

Nunca mais vi o 'James Dean' da Sandoval.

Nunca mais, até antes de ontem.

Estava eu no centro de BH, plena Avenida Paraná, no meu corre diário, quando vi uma figura familiar no meio de tanta gente. Muita gente. Vocês não tem noção de como era a Paraná antes da reforma. 
 
Aquele mesmo rosto, mais amadurecido, é verdade. O corpo que era magro, escondido sob a jaqueta, é que não era o mesmo. Ele havia ganhado alguns quilos naqueles quase vinte anos.

Parei perplexa na calçada: "Meu Deus, o Aranha..." Não pela forma física dele, mas pela emoção de revê-lo. Hesitei por um momento em chamá-lo. Não chamei.

Ele certamente não se lembraria de mim. E eu sempre fui tímida, essa é a verdade.

E eu particularmente odeio quando alguém me encontra e pergunta: "Oi, lembra de mim?"

É claro que não! (mas não digo, para não parecer grosseira) 

Seria tão melhor se ao invés de perguntar as pessoas chegassem, pedissem licença e dissessem: " Oi, meu nome é ... nos conhecemos em tal lugar" aí, talvez, a gente se  lembrasse, né? Por que dificultar tanto as coisas?

Ainda bem que existe o Orkut. Ajuda a reencontrarmos pessoas do passado e  sem pagarmos o mico de ter que fazer ou sofrer a pergunta " oi, lembra de mim?" ali cara a cara.

Para concluir essa história,  num passado bem distante, 30 anos pra ser exata, ele era o garoto mais lindo da escola.

Hoje, para as garotas de 13, como eu naquela época, ele pertence à classe dos tiozões com barriga de chopp. 
E para as mulheres de minha idade, ele é mais um coroa charmoso, como muitos que circulam por aí.



Editado em julho de 2021.