terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Envelhe(S)er...

Nas últimas 24h li um texto interessante sobre os conselhos que as mulheres de 60 anos diriam às que hoje tem 30.
Fiquei pensando no que eu aos sessenta anos diria para a pessoa que sou hoje.
Desde que eu comecei a escrever esse blog, há oito anos, posso dizer que sou uma outra pessoa. No começo era tipo uma página de relatos,  hoje é um observatório humano.
As ideias surgem de conversas, de comportamentos, de infinitas possibilidades.
Retomando, eu aos sessenta anos me daria os seguintes conselhos:

1- Não se demore onde a recíproca não é verdadeira.
2- Valorize as pessoas que fazem parte da sua vida.
3- Não se anule.
4- Não abandone seus sonhos.
5- Seja organizada com o dinheiro.
6- Viva intensamente.
7- Não conte nada para quem não vá acrescentar. Seja uma coisa boa, ou uma coisa ruim.
8- Viaje.
9- Não leve tanto tempo para conhecer o mar.
10- Deus é vida. Natureza é vida. Deus é a natureza.
11- Faça tudo com amor e entusiasmo.
12- Não deixe que o inferno dos outros lhe roube a paz.




E por último e não menos importante:
13- Seja grato.

Amar-se e aceitar-se antes de qualquer coisa, acolher as experiências e as linhas de expressão, cabelos brancos... Acredito ser esse o caminho para a paz interior.
Amor próprio, autoestima, autoaceitação... O auto. O em si e para si.


Eu levei mais de 30 anos para aprender isso, ainda estou no processo, mas já é alguma coisa.
Ainda acredito no romance, nas pessoas, na família.
Ainda espero me apaixonar perdidamente, seja por algo, seja por alguém.
Ainda espero descobrir qual é a minha verdadeira missão no mundo. Nunca sei se estou no rumo certo.

A gente nunca sabe quanto tempo tem. Não convém, então, esperar a hora certa de fazer acontecer.
Não convém pensar no "E se..." não existe e "E se..." para quem acredita que o universo devolve tudo o que lhe enviamos.
Colheita e plantio.
Ação e reação.





domingo, 18 de dezembro de 2016

O ano termina...

Querido 2016,

Por que comecei com uma frase da música da Simone?
Porque eu detesto a música tanto quanto detesto pensar em você.
Acredito que muitas pessoas, assim como eu, lhe verão como o ano de coisas ruins e desacertos.
Mas todas vão parar para uma reflexão acerca de como se saíram e irão fazer promessas de mudança sobre o que não deu certo... Como todo início e fim de ciclo o fazem.

2016 eu queria amaldiçoar você. Queria apagar você da minha existência.

Eu queria te xingar de todos os piores nomes, ano nefasto.
Lá no começo você foi legal, confesso, enquanto todos se preocupavam com trabalho e dinheiro, eu fui efetivada num cargo público. Que maravilha!  (e gratidão por isso.)
Achei que nunca seria. Mas um dia nossos esforços são recompensados, não é mesmo?

Aí em maio, depois do dia das mães, a bomba: Mamãe diagnosticada com câncer de mama. Cara... ninguém quer ouvir um diagnóstico desses, ainda mais pra mãe. Meu mundo caiu. 
Mas eu tentei me manter positiva e firme. Biópsia, cirurgia de 12h, hospital, crianças e mulheres mais jovens que eu com câncer... Radioteriapia. Quimio, graças a Deus não precisou!

Aí em julho duas grandes perdas para minhas amigas, suas mães. Foi uma das cenas mais terríveis da minha vida, duas referências da minha infância. E mamãe lá, de hospital em hospital.

Sabe, chegou uma hora que deu vontade de acabar com tudo isso, várias vezes. Quem nunca pensa em resolver os problemas sendo covarde.
Aí em setembro, minha vez de passar aperto, vou fazer mamografia, depois de 20 tentativas, uma mancha. Ôh meu Deus, nada é tão ruim que não possa piorar, né?
Mas a mancha não deu nada, a cirurgia foi em outro lugar. 
E não vou entrar nos méritos políticos... Só merda! Começando com a palavra impeachment e finalizando com aposentadoria após 49 anos de contribuição.

Mas, vou finalizar esta carta com alguma coisa de positiva:
- Mamãe depois de muito sofrimento e apesar de ter que tomar medicamento forever, está bem, pelo menos do câncer.
- Eu fiz novos e maravilhosos amigos no meu novo emprego.
- Aprendi que se não for te ajudar, não conte a ninguém.
- Percebi a qualidade de alguns "amigos".
- Isso também passa.

Me desculpe se fui dura com você 2016, mas eu precisava externar isso.

Um beijo e adeus. 






segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Seja lá o que fizer, faça-o com amor

As minhas ideias de escrever vem das coisas mais simples.
Agora, por exemplo, estava dobrando as roupas que lavei e pensando: quando a gente faz o que quer que seja com amor e por ele, pode ser a coisa mais banal, como um simples ato de dobrar roupas, mas quando você faz com amor, ele se torna mais leve.
Vivermos numa sociedade capitalista e trabalhamos para ganhar dinheiro. Sem ele nós não vivemos. Mesmo. Ponto.
Mas por que não podemos fazer algo que amamos e ganhar dinheiro com isso?
Há pessoas que são artistas, tem um talento nato para atuar, cantar, dançar, pintar... vão lá e ganham dinheiro fazendo o que amam.
Há pessoas que amam trabalhar com pessoas, como é o meu caso. Eu escolhi ser professora, mas sempre titubeei em fazer psicologia. 


Antes eu era muito pirracenta. Se eu estava com raiva de alguém, não fazia as coisas para a pessoa, achava nisso um meio de descontar alguma coisa que ela tivesse me feito. Já tive vontade, dobrando roupas como estava esta manhã, de por fogo em algumas com a pessoa dentro.
É, eu já fui um ser humano vingativo e bem mais mesquinho.

Hoje eu penso: o que eu vou ganhar com isso?
O que a gente ganha fazendo mal, sendo vingativo, mesquinho?
Para responder a estas minhas questões, tão parecidas com a de tantas pessoas, li muita coisa, bíblia, Alan Kardec, Fábio de Melo, Huxley, Orwell, Gikovate... Li de tudo. No final, descobri que a resposta para todas as minhas questões é o amor.

Resolvi colocá-lo em tudo. 
A gente precisa do amor em todos os lugares, sem o amor, o entusiasmo também vai embora. A nossa vida perde as cores. A gente liga o piloto automático e vai.
Se eu pudesse te dar um conselho eu te diria:
Seja o lá o que fizer, faça-o com amor, e seja grato. 
O universo se encarrega do resto.




sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Ser mulher não é fácil


Antes de ler, você vai me dizer: Que título óbvio!
Sim, muito óbvio.
Ser mulher não é nada fácil. Ser homem também não.
Cada um com sua respectiva carga de pressão.
Mas eu não sou homem, logo, não sei falar sobre as dificuldades do universo masculino.

Ser mulher, numa sociedade machista, é ser constantemente motivada a servir,  a começar pelos brinquedos que o mercado disponibiliza até hoje para as meninas... boneca, geladeirinha, fogãozinho, ferro, batedeira, etc.
Eu desde pequena, nunca me identifiquei com nada disso. Pelo contrário, até hoje tenho medo de bonecas. Por eu ter sido criada junto com um irmão um ano mais novo, nosso universo era repleto de brinquedos e brincadeiras mais voltadas para os meninos, sempre pedia algo que pudéssemos compartilhar.
Eu já brinquei de casinha com ele, ele saia pra trabalhar e eu ficava cuidando da casa.
Enfim...
Quando a gente cresce um pouco, já começa a ser pressionada pela estética. Você tem que ser magra! Você tem que ter cabelo liso! Você tem que andar produzida! Você tem que casar! Você tem, você tem, você tem...
Senão você é encalhada, amargurada, pobre solitária, dentre tantos adjetivos que nos dão.
Se não casamos, somos encalhadas, se casamos e nos divorciamos, somos fracassadas e culpadas porque não nos esforçamos o suficiente para a relação dar certo. Se recebemos pensão do marido, somos vagabundas. Ah... quanta coisa... poderia ficar o dia todo falando disso.
Essa pressão, não são todas que aguentam. Algumas fingem, outras tantas sofrem caladas e outras simplesmente não dão conta, surtam, adoecem (mental e fisicamente).
Se você não namora sério, troca de namorado com frequência, sai com mais de um cara ao mesmo tempo, é puta, se traí, é puta...
Se é casada e tem amigas solteiras, você não pode sair com elas porque elas vão arrumar homem pra você.
Não é fácil ser mulher numa sociedade machista. No Brasil, no Japão, no mundo, a mulher sem um homem coexiste.
Imagina então ser mulher e mãe?
Se a mulher é mãe solteira é puta, se a mulher é mãe divorciada não teve competência pra segurar o marido, não pode namorar porque dá mal exemplo pros filhos.
Puta que pariu... Cansei!
Puta que pariu, Christiane?! Mulher não pode falar palavrão. Mulher não pode sentar de perna aberta.
Eu não gosto de salão, eu gosto de comer, gosto de atividade física, mas prefiro coxinha e dormir, quando eu consigo.
Aí, você pensa que tem mulher que queria voltar a época das nossas avós. Leia em Desabafo de uma mulher moderna e tire suas próprias conclusões.
"A liberdade tem o preço da responsabilidade sobre a sua vida, e isso é algo que algumas mulheres não querem ter." parafraseando meu amigo Daniel Santos, numa postagem minha via Facebook.
Para finalizar, ser mulher não é fácil, mas eu não trocaria minha vida por outra, com todas as escolhas, perdas, privações, há coisas ímpares: a maternidade, as homenagens dos filhos, olhar no espelho e se sentir bonita sendo você mesma.
Autoestima, diminui o peso da dificuldade de ser mulher, e de ser homem também, por que não?

domingo, 30 de outubro de 2016

domingo, 9 de outubro de 2016

Sobre as relações humanas e as expectativas

Hoje ao acordar, recebi uma notificação do Ricardo Melo sobre um vídeo ao vivo de relações humanas.
Primeiro, vou abrir um parêntese para falar sobre o Ricardo, que é um coaching maravilhoso e que mudou minha vida em duas palestras sobre as quais já escrevi nesse blog. Uma foi sobre a forma como aproveitamos nosso tempo e a outra foi sobre tudo na vida passa, o que é bom e o que é ruim.
Enfim , eu o conheci num momento muito difícil da minha vida e estas palavras me fizeram mudar muito, e espero ainda mudar muito mais enquanto pessoa.
Voltando ao tema, relações humanas, é um assunto que poderia te recomendar vários livros maravilhosos que já li a respeito, " A arte de lidar com pessoas" e "Como fazer amigos e influenciar pessoas" são dois excelentes dos quais me recordo e "A fábula do porco-espinho".


O assunto relações humanas daria para eu escrever um livro. Não é mesmo?!
Então, após assistir ao vídeo do Ricardo Melo, achei muito interessante as cinco dicas que ele deu para tentar melhorar as nossas relações e compartilho elas aqui com vocês, porque este blog, antes de meus devaneios, é feito para compartilhar experiências, boas e ruins, por que não?

Vamos lá:

1-  Pessoas são diferentes. Aceite esse fato e aprenda com ele. 
Não há como fazer com que o outro seja igual a mim, é preciso diálogo para chegar a um denominador comum. As discussões saudáveis não são para haver vencedores, mas para haver consenso.

2-  Precisamos nos abrir para a vida, ou seja, fazer a nossa parte, sem criar expectativas, aceitar a vida como ela é, e as pessoas com o que elas tem para nos dar, ou não.
Aqui em casa, falo muito com meu marido, faça as coisas para Deus, sem esperar nada em troca, porque o bem sempre volta, o trabalho bem feito sempre dá bons frutos, se as pessoas não reconhecem seu esforço, não se frustre, assim você será muito feliz e terá muito mais paz. Dê bom dia, mas não espere o bom dia de volta. 

3- Estabeleça limites e papéis, isso significa que você não deve, de modo algum, fazer o que é de competência do outro, os pais devem agir como pais, os filhos como filhos, o marido como marido, a esposa como esposa... sem tomar o espaço do outro, porque isso gera conflito. Respeite os papéis relacionais para que haja limite.

4- Amor. A palavra é autoexplicativa. Mas em suma: faça tudo com amor. O amor a tudo conecta, não tem barreiras e nem limites para ele. Ame sem medidas. Amar é se colocar no lugar do outro, dar o seu melhor, ser firme quando é preciso e carinhoso sempre. 

5- Faça o seu melhor e se permita recomeçar quantas vezes forem necessárias.

Lembre-se que o seu jeito de tratar as pessoas inspira o outro, pois, estamos sendo observados o tempo todo e devemos estar atentos a nossas atitudes, tanto as boas quanto as más.

Para finalizar, pense na distância do Sol e da Terra, está na medida certa, portanto, estabeleça uma medida para se relacionar com as pessoas, se você ver que a proximidade é impossível, mantenha uma distância segura e relacione-se dentro do necessário.

Não se esqueçam que todos tem razão de alguma forma, e termino com uma citação que o Ricardo faz no vídeo:

"Até o relógio parado está certo duas vezes por dia."

E o principal: cada pessoa é única. Nunca se esqueça disso.



Gratidão por ler e gratidão ao Ricardo Melo, por sempre dar ótimas dicas para melhorarmos nossa vida.
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domingo, 2 de outubro de 2016

Ética, respeito e mais amor

Sempre no período das eleições, percebo que a divergência de opiniões ressalta em algumas pessoas uma necessidade doentia de ofender, desrespeitar e magoar.
Não falo somente de pessoas desconhecidas, famosas e públicas somente. Falo de amigos próximos, antigos, de infância.
Percebo que não adianta discutir com quem defende cegamente uma ideologia ou que não tem argumentos para um embate saudável. 
As redes sociais deram aos covardes voz para ofenderem a todos. Quem quer que seja. MESMO.
Quando vejo uma mulher sendo ofendida, penso: e se fosse a minha mãe?
Cara, isso me dói. A empatia é dolorosa. Só quem se coloca no lugar do outro, sente mais ou menos o que ele sente. Mais ou menos porque só quem sente a dor sabe sua real proporção.
Mas, enfim, hoje, no twitter, vi o Leonardo Boff sendo achincalhado, ofendido com palavras de baixo calão, pensei: Pô, cara! Leonardo Boff, podia ser meu avô, no mínimo. 
Mas desconsidere a idade do Leonardo e pense no seu legado, na sua história. Leia algum texto dele, por favor, é um dos maiores "filósofos" contemporâneos na minha humilde opinião.
O fato de eu não concordar com tudo o que ele pensa, não me dá nem de longe o direito de entrar numa rede social e ofendê-lo, porque ele é mais velho que eu e merece meu respeito, só por isso.
Não é discordância de opiniões o que permeia as redes sociais.
É falta de educação (aquela que a família tem que ensinar), é falta de ética, falta de respeito, e, principalmente, falta de amor ao próximo.
Hipocrisia ir à igreja e esconder atrás da tela do computador e ofender o irmão. SIM, o irmão. 
Por qual motivo seja. Na verdade, não há motivos para não respeitar, no mínimo, o próximo.
Sempre que posso, dou uma lida nos posts de algumas pessoas que admiro, e das que não admiro também, o que vejo de ofensas, apenas porque a pessoa pensa diferente, ou defende uma causa, que não é a mesma que a minha ou a sua, é no mínimo impressionante.
Citei o período de eleições como ápice das ofensas gratuitas, porque em 2014, perdi alguns amigos que eram contra meu posicionamento político.
Continuo com o mesmo posicionamento, só que não respondo mais às ofensas, e pasmem, ameaças que recebi no meu Facebook inbox. 
Sou solidária ao Boff, à Camila Pitanga, à Dilma, ao Duvivier,  e a tantos outros, famosos e anônimos que são hostilizados nas redes sociais. Podiam ser nossos pais, avós, irmãos, podia ser eu, ou você.
Uma vez, conversei com um frei, muito querido, que me disse, quando respondemos ao mau com o mau, estamos ajudando, de alguma forma, a propagá-lo. Eu escolhi propagar o amor. E você, o que escolhe?
Resultado de imagem para mais amor

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

04:56 da minha realidade

Ela era apenas uma professora de inglês numa cidade do interior de Minas, com menos de 5.000 eleitores, ele um ator famoso, que além de inteligente, era lindo.
Foi numa festa que eles se encontraram, ele vestindo uma camisa azul escuro, ela clássica virginiana, vestindo um tubinho preto.
Ao chegar na festa ela o viu próximo da porta, seus olhares se cruzaram, tímida que era, passou por ele de cabeça baixa, uma vez que não conseguiu manter o contato visual.
Estranho é que ela não conhecia ninguém, então por que estava ali? São os mistérios da vida que não entendemos, apenas vivemos.
Numa ida a uma espécie de bar, eles se encontraram de novo e ela resolveu puxar papo:
— Oi João.
—  Oi, de onde nos conhecemos?
— Eu te conheço da TV, mas você, creio que nunca me viu.
— Não sei... seu rosto me parece tão familiar...
— Talvez dos seus sonhos.— ela disse e riu de si mesma.
Saindo, cada um para uma direção, ela decidiu encontrar um lugar para se sentar, e entrou numa sala com alguns puffs e alguns divãs, resolveu se sentar em um deles.
João entrou na sala e se sentou num divã próximo.
— Festa estranha, né? — ele puxou assunto.
— Até agora não sei o que estou fazendo aqui.
— Nem eu. Mas você disse que me conhece da TV. Você gosta do meu trabalho?
— Nossa... Demais! Fico aguardando ansiosa pela segunda a noite, para ver você e os meninos no programa. Mas comecei a gostar de você no Porta...
— Já viu minha peça?
— Não, infelizmente. Estou aguardando vocês irem a Minas. Também gosto muito do Gregório. Mas não gostei do artigo para a Clarice, na Folha. Acho que ele deu mole. Eu não gostaria de ser exposta assim.
Mas cada um é cada um.
—Verdade... — ele disse, e se deitou no divã. — Estou sentindo muita dor nas costas.
Ela prestativa, disse:
— Eu sei fazer uma massagem nas costas, mas posso colocar sua coluna no lugar se quiser.
— Você me faria essa gentileza?!
E ela começou a fazer massagem em suas costas.
Os dois conversaram muito, por horas, sobre todos aqueles temas polêmicos que ela adora, sobre a reformulação do Ensino Médio, sobre "sapiossexualidade", enfim, tudo que as pessoas quando estão se conhecendo conversam, e que ela tinha lido naquele dia.
— João, preciso ver se encontro alguém conhecido. 
— Ora, você tem um conhecido aqui. Eu!
— Um conhecido mais antigo, então. — ela riu.
— Tudo bem, te vejo ainda por aqui?
— Acredito que não, preciso achar meu marido.
— Você é casada? 
— Sou.
Um silêncio longo se fez.
— Então tá, nos vemos um dia.
— Sim João, nos vemos. Um dia.
Ele deu um beijo no rosto dela e seguraram as mãos um tempo e ele saiu da sala.

Quando ela deixava também  a sala, descobriu que teria um show do Léo Jaime, e ele, Leo, em pessoa, a tinha convidado, durante o show,  encontrou uma amiga de infância. As duas dançaram até o dia amanhecer e na saída, com os sapatos na mão, caminharam por uma longa avenida, até que resolveram se sentar na grama e descansar um pouco.
— Amiga, que sonho, você encontrar seu crush João Vicente. 
— Menina, até agora não estou acreditando que conversei com ele quase a noite toda. Acho que nunca mais vou vê-lo.
Eis que elas olham para o final da rua e o veem vindo em sua direção, com uma camisa verde claro, e seu lindo sorriso.
Ela sorriu de volta e o galo cantou.
(Maldito galo!)
Volta sonho, volta sonho... Nada. Eram 4:56 da manhã. E o João ficou na noite que foi só deles.


P.S. 1: Escrevi esse conto em 33 minutos para meu "crush" número 2. O número 1 é o Wagner Moura, mas o lugar no coração é do mesmo tamanho.
P.S. 2: Nunca saberei se João leu esse conto.
P.S. 3 : Adoro ele de terno.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Will e Bernie (qualquer semelhança com a realidade...)

Will e Bernie formavam um lindo casal. Vinte seis anos juntos, três filhos lindos, muita grana na conta bancária... Quanta felicidade!
Em público Will e Bernie eram o par perfeito, clássico, tudo o que seus admiradores gostariam de ser na vida.
Viagens aos exterior, glamour... que casal não queria ser como Will e Bernie?
Em agosto de 2016 para a nossa grata surpresa os dois anunciaram a separação.
Houve desmaios, pânico, escárnio da sociedade...
O quê? Will e Bernie? Não acredito! Um casal tão perfeito...


O mundo está repleto de casais como Will e Bernie. Uma imagem do que um casal de verdade deveria ser. Desses de comercial de margarina. 
Que vão aos lugares e que são vistos juntos, posam para fotos e sorriem na frente de estranhos, familiares...
Mas quando Will e Bernie entram em casa, mal se falam.
Talvez Will seja muito ocupado e Bernie trabalhe excessivamente e os dois esqueçam que são um homem e uma mulher antes de ser casal.
Talvez Will curta uma balada e Bernie goste de ver Netflix. Ou Will goste de carne gorda e cerveja com os amigos e Bernie seja fissurada em dieta e malhação.
Talvez Bernie adore conversar e Will goste de ficar mais isolado, ouvindo uma música, ou lendo...
Talvez Will e Bernie só estavam juntos para cumprir um papel.
Talvez Will e Bernie estavam tão cômodos que precisassem apenas de um empurrão (um novo amor, uma oportunidade de trabalho no exterior, um projeto de vida individual, ou simplesmente sair da zona de conforto)
Talvez ela só vivesse reclamando. Talvez ele só vivesse reclamando.
Existem N motivos para o fim de uma relação, motivos improváveis, ou simplesmente aqueles que acabam sem motivo. Só pelo tempo de desgaste. Pode ser 2 semanas, 30 dias, 26 anos...
O que não pode acabar é o direito de cada pessoa de viver plenamente sua vida e ser feliz.
Se for com outra pessoa, bacana. Se não for, bom também.
O que não podemos é ficar preocupados com a vida de Will e Bernie que continuam ricos, porém solteiros.

sábado, 7 de maio de 2016

Filhos, mehor não tê-los...

Se você pensa que este é mais um texto fofinho sobre o dia das mães recomendo:
Não leia
 


 
Sou mãe, e neste Dia das mães, em especial (que fique claro: não gosto de datas comerciais), vou dar a real do que é ser mãe.
 
Então vamos lá:
Ser mãe é uma vocação, não uma obrigação. Você tem filho se quiser, e se resolveu ter, crie-os e bem.

As mulheres fracas não devem ser mães, nem as vaidosas, nem as egoístas, nem as apegadas... enfim... tem um monte de mulher no mundo que não devia ser ou ter sido mãe.
Vou te dar a real:

A gravidez? É um inferno.
O pós parto? Um inferno.
A amamentação? Um inferno.
E você ainda pode ter a sorte de ter depressão pós parto.
Isso só no primeiro ano de vida.
Ser mãe vai ser a melhor e a pior experiência de sua vida.
 
 
As revistas de bebê, televisão e sociedade fazem tudo parecer lindo.
A mulher cresce com a imposição de que "mulher de verdade tem que passar pela maternidade" e associam isso ao casamento.
Primeiro: uma coisa independe da outra. Segundo: filho é da mãe, literalmente e para sempre.
O número de pais que abandonam filhos é infinitamente menor do que o número de mães solteiras. Não é minha intenção fazer nenhuma comparação e esse post não é sobre isso.
 
Há mulheres que não querem ser mães e eu as entendo e reitero, não sejam.
Dia desses ouvi uma mulher dizendo que se pudesse retirava o útero para não correr o risco de engravidar. Algumas pessoas não estão prontas para ouvir isso.
Não liguem para a cobrança, pelo espanto daqueles que acham absurdo que você não queira sê-lo.
Simplesmente não liguem. Melhor não ser, do que abandonar ou jogar fora.

 
 
Voltando ao Dia das mães, se você pensa que sua mãe é sua empregada e a trata como tal o ano todo, o melhor presente que você pode dar à ela é um pedido de desculpas, no mínimo.
Porque ela carregou você na barriga, esse peso, inchou as pernas, vomitou, carregou você no colo, ficou com os mamilos rachados, sangrou quarenta dias depois do parto, deixou de fazer muitas coisas que eram importantes para priorizar as suas, sem esperar reconhecimento.
MENTIRA.
A gente espera ser reconhecida sim, é o mínimo que o filho ingrato pode fazer. Pelas noites não dormidas, pelas dores na coluna, por não ter o direito de adoecer...
Mãe não pode adoecer, porque tem que estar ali SEMPRE pronta para atender a família.
Pergunta pra sua mãe que presente ela quer de dia das mães. Ela vai dizer: nada não.
MENTIRA.
Mãe quer sua gratidão, seu reconhecimento, quer ver que você aprendeu e utiliza os valores que ela te passou, quer que você seja feliz, bem sucedido, bom para as pessoas...
No fundo, bem no fundo, toda mãe quer presente, mesmo que não seja material.
Eu sei que não sou uma mãe perfeita, longe de mim, estou muito aquém disso, mas sei que estou fazendo bem o meu papel, sei disso quando meus filhos recebem elogios, não há melhor retorno para o investimento magnânimo de ser mãe.
Vou terminar o post com um poema de Vinícius, que aliás me inspirou o título de hoje.
 
Poema Enjoadinho - Vinícius de Moraes

Filhos...  Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos?  Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
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sexta-feira, 15 de abril de 2016

E quando vira indiferença...

Você está passando por um momento turbulento na relação?
Você acha que é só mais uma das inúmeras crises que passaram e que logo, logo tudo vai se normalizar?
Vem cá, deixa eu te contar um segredo...

De crise em crise, o relacionamento se torna cansativo. Dá preguiça. Os mesmos problemas. Os mesmos motivos de ambas as partes. 
Aí vem a vontade de não discutir, de deixar pra lá, pra evitar a fadiga.
Até o momento em que você não liga mais se a água está a subir ou descer. Quando vira indiferença. Aí, pessoa, não tem nada mais que dê jeito. Só o adeus.

É difícil encarar a realidade... mas se você ficar indiferente à sua relação, é porque o momento do adeus está mais próximo do que você imagina.
Se você não questiona, não discute, não briga, não sente falta... talvez seja o momento de bater em retirada e mudar de rota.
Mesmo que tenha sido bom, mesmo que algumas coisas ainda sejam boas, se você bota numa balança e ela não pende pra lado nenhum, se tá  zero a zero aos 15 minutos da prorrogação e você não tem mais forças pra bater pênalti, tá na hora de mudar de time, ou de esporte, talvez você não tenha habilidade nessa modalidade.

Enfim, se você concordou com tudo o que eu disse nesse breve post, reflita:
Por que você ainda está nesta relação?

Se você tem filhos, eles vão entender, melhor ter duas casas do que uma sem amor, se for por bens materiais, você não vai levar nada disso quando morrer, se for só pelo apego à outra pessoa, procure ajuda de um profissional. É sério. Ninguém merece ser infeliz nesta vida tão curta, né não?

Como diria Martha Medeiros: "O contrário do amor não é o ódio, é a indiferença."

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domingo, 20 de março de 2016

Quando um não quer...


Quando as meninas me perguntam coisas como:
"Por que depois do sexo os caras somem?" ou ainda "Por que ele pegou meu telefone se não ia ligar depois?", me deixam encucada. 
Segundo as mulheres que me perguntam isso, em seu ver, o encontro e o sexo teriam sido perfeitos. Então, porque eles somem?

Primeiro, não sou especialista em relacionamentos e apenas escrevo no blog algumas experiências de amigas e muito poucas experiências pessoais do assunto, já que sou casada há quase 20 anos e só posso escrever mais  e com certa propriedade sobre casamento, uma vez que nem sei mais como é ser solteira.


Então, vamos lá:
A minha opinião sincera, curta e grossa é:
Depois do sexo, o cara some porque
1- ele não estava a fim de você; (leia aqui)
2- ele é um babaca;
3- ele só queria sexo mesmo.

Todas as três estão corretas.


Fiz uma pesquisa de opinião e tive várias repostas de homens e mulheres sobre as questões citadas anteriormente.

A maioria das meninas pensa como eu, algumas poucas acham que é por medo de envolvimento, etc, etc, etc... 

Já os meninos dizem que é porque os caras não acharam ótimo (nem bom) e que se acharam, vão querer transar de novo, sem compromisso num futuro muito distante. E ainda que quando querem de verdade vão atrás, que a mulher sabe a real mas não quer aceitar, alguns acham que a maturidade que vem com o tempo vai fazer com que um dia os caras mudem o repertório previsível de cafajestagem, mas a melhor de todas foi a metáfora "ele estava disputando a Libertadores e teve que abrir mão do campeonato de menor expressão", bem isso, né?


Então, não adianta tentar se enganar, quando o homem quer, ele dá um jeito, mesmo que seja pra uma transa e nunca mais, ele dá um jeito.

Você pode até ficar com raiva, moça, mas é assim que é. 
Não se iluda com príncipe encantado, até ele foi lá e beijou a princesa sem consentimento... 
Talvez pra você tenha sido ótimo, mas na cabeça do boy, você não foi o que ele procurava entre quatro paredes.

Se for, eventualmente, ele vai te procurar para uma sexo casual quando ele estiver de bobeira e você também. Mas não se iluda. Você só cai nessa de novo se for otária.


Portanto, saiba tirar proveito das possibilidades e aprenda a dar o seu número, sem criar expectativas.


O que eu aprendi com isso?

As mulheres estão mais espertas, se valorizando mais, mais desencanadas com relação aos relacionamentos. 

Se um cara não te quis, paciência, a fila anda, pra ele e pra você também.
Vida que segue. Go ahead!