quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Jogo das palavras: direito


O texto número 3 da série Jogo das palavras, hoje traz para a berlinda a palavra direito.
Uma palavra de sentido tão vasto que ocupa uma página inteira do Michaelis online como você mesmo (a) pode ver neste link.

Mas não era necessariamente sobre isso a minha ideia. O que me levou à reflexão.
Então, vejamos se eu consigo atingir o objetivo do meu pensamento.

Todos nós temos direitos diversos.
Direito de pensar e de falar o que pensa, de agir, de pirar, de ser, de ir, de vir... 
Todos nós queremos ter direito a tudo.
Todavia, nos esquecemos que tais direitos nos geram obrigações.
E obrigação ninguém quer ter, diga-se de passagem.

E quantas vezes ouvimos as pessoas dizerem " Eu tenho meus direitos" sem ter a menor razão, sem dar à palavra o que realmente lhe cabe sentido?

Eu tenho direito de ofender, porque fui ofendido.
Tenho direito de errar com fulano, porque fulano errou comigo.
Tenho direito de estragar o trabalho de uma equipe, porque meu chefe encheu meu saco e eu estava de mau humor.
Tenho direito de ser corrupto,  porque os políticos também roubam.
Tenho direito de matar alguém que matou alguém que eu amava.



Me diga, que direito é esse?
As pessoas estão perdendo a humanidade, a decência, o amor próprio, a gentileza, a capacidade de perdoar, de amar, só para não dar o braço a torcer e perder um "direito".

Direito, na verdade, se tornou sinônimo do ego ferido, do estopim curto, da desculpa para a falta de caráter, da vingança e da crueldade.

Você tem o direito de ser e fazer o que quiser, mas tem obrigação de arcar com as consequências quando extrapola o direito do outro.
É lamentável, mas o "direito da força" está superando a "força do direito", em todos os setores de nossa vida,  indo de encontro a uma das máximas de Rui Barbosa.
O mundo seria melhor se as pessoas lutassem por um direito que beneficiasse além de si mesmas.