domingo, 6 de dezembro de 2015

80's versus 90's

Nos últimos dias, tenho ouvido muito as rádios dos anos 90. Rock anos 90, músicas que tocavam nessa década, enfim.

Tem gente da minha idade que curte os anos 80, eu não. Eu tenho algumas poucas boas lembranças de músicas, desenhos animados, programas, filmes e séries que passavam na TV e que eram compatíveis com a minha idade, ou liberadas pela censura da época. As roupas eram horrorosas, os cabelos, a moda... Quando assisto aos programas de TV, filmes e novelas daquela época, percebo que não dá a menor saudade. Talvez para os meus pais, tios...

Os anos 90 não. Eu vivi os anos 90, curti com meus amigos, dancei passinhos ridículos, usei roupas ridículas, gostei de meninos igualmente ridículos, aguardei ansiosa pelos lançamentos dos vídeos da MTV, ou pelo novo CD da minha banda preferida, amei uma boyband, letras de música nas revistas Querida, Capricho, Atrevida... também tive minhas primeiras experiências pré e pós adolescência.




Nos anos 90 vi nascer e morrer o Nirvana. Chorei quando o Kurt Cobain se foi, senti muito quando ao Freddie Mercury e o Cazuza partiram.



Vi mitos surgirem. 

Nos anos 90 fiz as grandes amizades que tenho hoje e consolidei as que se iniciaram nos anos 80, dentre outras tantas se perderam também lá. 

Um dia, minha filha vai dizer que os anos 2010 ou 2020 foram melhores que os meus.

A melhor fase da vida da gente é aquela em que trazemos as melhores memórias dos nossos corações, onde nossos melhores momentos foram construídos.

Para mim, as melhores músicas, as que mais me marcaram, os grandes amigos e os momentos que me fizeram o que sou hoje, trago-os todos de lá. 

Sentir saudade não é viver de passado, favor não confundir. É sentir cheiros, sabores, ver as recordações tão vívidas que poderiam ser tocadas.
Sentir saudade é aquecer o coração quando você ouve aquela música que dançou com as amigas, ou que amargou uma dor de cotovelo, ou que dançou com o gatinho da época no aniversário de alguém do colégio. A geração de hoje talvez não saiba o que é isso: sentir frio na barriga quando o menino te tirava pra dançar e você não imaginava o que fazer.

Quem foi adolescente nos anos 90 vai entender o que eu estou falando e rir muito com esse post.






Meu dia preferido é hoje

Já fui dessas de sofrer pelo passado, pensar no que tinha perdido, me arrepender pelo que não fiz, pelo que não disse... então, tive depressão. 
Dizem que a depressão é o excesso de passado em nossas mentes, e realmente é.

Depois, mais velha, comecei a pensar só no amanhã, só no que estava por vir, sem saber se realmente viria, e comecei a sofrer de ansiedade, que dizem ser o excesso de futuro em nossas mentes... então, tive gastrite e pneumonia aspirativa, em decorrência da primeira. (Amanhã comemoro um ano da pneumonia.)

Essas duas situações, serviram para me mostrar muitas coisas importantes. Hoje, resolvi compartilhar esse aprendizado.
O passado, por mais distante que tenha ficado, me fez quem eu sou hoje, uma pessoa mais experiente. 
Uma pessoa lapidada por inúmeros erros, que se tornou melhor em algumas coisas e pior em outras. 
Uma pessoa que nem por isso deixou de cometê-los, às vezes os mesmos, outras vezes diferentes, mas sempre errando.

O futuro, engraçado, nunca chega. Sempre o estamos esperando. Passamos noites sem dormir à sua espera. Planejamos, sofremos por sua distância que nunca tem fim. Esse tempo incerto que nem ao menos sabemos se virá. 

Após essa angústia por futuro me fazer ficar de cama uma semana, senti como se a vida estivesse me sacudindo e dizendo: Ei, você, pare! 
Uma pausa forçada para perceber o que eu estava deixando passar: o hoje.

Esse que nos chega todas as manhãs, logo ao abrirmos nossos olhos, que nos traz magníficas surpresas, oportunidades, pessoas... Esse mesmo que nos agracia com uma boa chuva, ou um calor difícil de suportar, algumas tragédias difíceis de aceitar e entender... Mas ele está aqui, bem diante dos nossos olhos e ao alcance de nossas mãos, para fazermos dele o que quisermos.

As lágrimas que chorei ontem, hoje secaram. Os erros que cometi ontem, hoje se repetem, ou não. Os medos que tive ontem, talvez os tenha hoje, ou não.
Os desejos que tenho para amanhã, preciso começar a realizá-los hoje. 
Para me tornar melhor amanhã, preciso começar a me mudar hoje. Todos os dias, até o fim. 

Ontem, hoje e amanhã. 

Precisamos prestar atenção ao hoje, para não cometermos erros maiores do que ontem e, assim, não prejudicarmos nosso amanhã.

Quando entendemos a importância que tem o momento presente em nossas vidas, somos gratos por quem o passado nos fez e trabalhamos arduamente para levar o melhor de nós para o futuro.

Desejo a você que leu, um futuro recheado de grandes coisas que começaram a ser aprendidas e sonhadas desde ontem e que estão sendo lindamente trabalhadas HOJE.

Não precise adoecer para que possa entender isso.




segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Sempre vai ter alguém disposto a fazer o que você não faz

Os últimos tempos tem sido cruciais para rever certas questões sobre relações humanas.
Às vezes me pego pensando nas situações as quais vivemos e me pergunto:
-Será mesmo que temos que passar por isso para aprender?
Quando estamos numa mesma situação há muito tempo e nada muda, acredito que é porque não está resolvendo nada para o nosso aprendizado.
Principalmente em se tratando de relacionamentos.
Se você está numa relação onde ninguém está disposto a mudar, seja por qual motivo for, talvez não esteja funcionando.
Talvez seja a hora de rever até quando vamos insistir nesse aprendizado, se é que ele existe mesmo.
Quanto mais iremos nos tolher uns aos outros de encontrarmos o que não temos nesse círculo?
Não falo especificamente das relações amorosas, mas das amizades também e de todas as relações sociais.
Será que estamos sendo bons enquanto companheiros, amigos, família, colegas?
Será que não estamos prendendo as pessoas por carência apenas?




Quando nos relacionamos e não estamos dispostos a dar o nosso melhor, a nos sacrificar verdadeiramente por aqueles que amamos não faz sentido viver num determinado contexto afetivo.
Se não existe mais afinidade, planos em comum, cortesia... se o que resta for só convenção e obrigações, vale rever se é o que realmente queremos para a nossa vida.

Vivemos numa sociedade onde a felicidade consiste em se ter; bens, família, relacionamentos cinematográficos, muitos amigos e uma infinidade de outras coisas que trazem conforto afetivo/material e status.
Porque assim nos é mostrado desde que nascemos: as famílias felizes nas propagandas de margarina, que pra você ser feliz precisa ter carro, casa, filhos lindos, ser magro...
E quantas outras coisas mais? Não dá pra mensurar o quanto somos massacrados por um conceito de felicidade injetado.

Voltando aos relacionamentos, quando não nos doamos verdadeiramente a quem está próximo, quando deixamos o egoísmo falar mais alto do que o amor ao próximo, quando não estamos dispostos a deixar nossas certezas em prol do bem comum, cabe rever se não está na hora de tirar o nosso time de campo e deixar alguém disposto a fazer o que não fazemos.

Porque sempre vai ter alguém disposto a fazer o que você não faz. 
Talvez todos os nossos erros sirvam de aprendizado para fazermos melhor em nossos novos relacionamentos, com nossos novos amigos, com nossos filhos, com nossos velhos pais...
O que não podemos é construir muros. Muros para prender, muros para dividir.
O que não podemos é nos mantermos os mesmos esperando que as coisas ao nosso redor mudem. Elas não mudam se a gente não mudar. Algumas pessoas tentam. Outras não.
Mudar é difícil, não mudar pode ser fatal.

Alguns preferem ter razão. Outros preferem ser felizes. De fato, não dá pra ser os dois. 
E algumas coisas, aquelas que não nos acrescentam, precisamos simplesmente deixar pra lá.


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Mulher nem é tão difícil de entender

Depois da minha última TPM, sim, TPM aquele período do mês em que tudo o que as mulheres tem de ruim aflora desde instintos primitivos, como a vontade de matar alguns seres humanos a uma sensibilidade que transcende o entendimento, como se o descontrole hormonal funcionasse como uma droga poderosa que expandisse nosso cérebro e nos desse um aguçado sentido de não deixar nada passar.

Saindo da TPM e voltando ao assunto mulher, que não deixa de estar relacionado, neste final de semana, após algumas experiências não muito boas, minhas e de outras mulheres que eu conheço, cheguei à conclusão de que mulheres não são muito difíceis de entender.

Falo isso por ser uma mulher extremamente complicada, chata, crítica, que pensa que pode resolver tudo, mudar tudo, fazer tudo... e de preferência sozinha.
Por tudo isso tenho pena das pessoas que convivem comigo, em especial dos meus filhos.

Algumas mulheres, são criadas como se fossem quebrar, superprotegidas, mimadas, tratadas como indefesas, bonequinhas de porcelana chinesa... Já outras são criadas totalmente largadas, sem cuidado, sem atenção, sem carinho...
E existe ainda a mulher que nasce livre, que desde muito pequena sabe o que quer e não se preocupa com convenções, com o que os outros pensam, simplesmente é, e pronto.


A primeira irá se casar para sair da opressão do excesso de carinho, para se libertar, para poder ser tudo o que não pode, porque tinham medo por ela de que ela se machucasse.
A segunda vai se casar porque é carente, não foi acolhida quando pequena, ninguém lhe deu atenção, ninguém lhe ouvia, ninguém estava nem aí se ela era ou não uma boa menina, mas, principalmente, porque precisa de cuidados.

A terceira não vai se casar, ou, se se casar, vai ser tarde na vida, porque não vai casar para tapar um buraco na alma, vai casar para se multiplicar, se dividir, se somar...

Eu conheço todos esses três tipos de mulheres, entendo porque sou eu, são minhas amigas, são as mulheres que eu simplesmente observo. E me observo também. E foi me observando que eu descobri que sou do segundo tipo.

Sei porque elas sofrem, do que elas carecem, porque traem, porque choram, porque sofrem, porque bebem, porque sentem dor, porque tomam remédios e porque fazem terapia. Ou porque não fazem nada disso.
Na maioria das vezes lhe falta algo, ou lhe sobra. Mas com certeza boa parte sofre de TPM.

As mulheres que tem o que precisam são raras, não porque nascem poucas, mas porque nascem nos lares certos, com doses certas de cuidado, carinho, atenção, liberdade, confiança...



sexta-feira, 24 de julho de 2015

(Des) Casamentos

Ninguém em sã consciência se casa  para se descasar.
Ninguém.
Casamento não é um experimento, você não se casa e, se não der certo, acaba com tudo.
Você precisa fazer dar certo. Constantemente. Ao lado de uma outra pessoa, senão não vai dar certo mesmo. Nunca.



Casamento é muito mais que estar para sempre ao lado de uma pessoa que ama.
Ledo engano. Muitos casamentos se acabam ainda cheios de amor.
Casamento é  muito mais que subir num altar e jurar amor eterno, ser fiel, amar e respeitar. Na alegria e na tristeza, na saúde, na doença, na TPM, no mau humor...
Casamento é um trabalho em equipe onde dois precisam ser parceiros. 
Se não houver isso, o casamento acaba.
Casamento  é cumplicidade, companheirismo, empatia, solidariedade, tolerância, perdão...
Se não houver nada disso, o amor só não basta.
O amor é um tempero, o sexo é um tempero.
Mas os ingredientes principais é que fazem a mistura dar certo.

Tem gente que se casa para ter alguém. Como se o casamento desse uma escritura de propriedade.
Mal sabem essas pessoas que não somos donos nem de nós mesmos, quiçá de uma outra pessoa.
Não damos conta de controlar nem o nosso eu, é burrice demais tentar controlar o eu do outro.

Tem gente que se casa para ter uma família, como se uma coisa dependesse da outra.
Não depende.

Casar e descasar várias vezes, não vai fazer com que você encontre a pessoa certa. Vai apenas provar que você desiste das pessoas e foge das batalhas.

Não me refiro a quem luta por anos fazendo dar certo sozinho.
Vejo muitas pessoas exaustas de batalharem sozinhas.
Vejo muitos casamentos se acabarem constantemente e pelo mesmo motivo.
A falta dos ingredientes principais da receita, acrescentado de excesso de egoísmo somado à exaustão de ambas as partes, acabará com o casamento.

A rotina não acaba com o casamento, tem gente que gosta. 

O que acaba com o casamento é a falta de cuidado, de gentileza, de carinho, de prosa... 
O que acaba com o casamento é sempre a falta de alguém.






terça-feira, 30 de junho de 2015

Amadurecer é: Descer do salto

Como de costume estou compartilhando um texto de outra pessoa que gostei muito. Tem muito a ver com meu momento e com o momento de muitas mulheres que conheço. Espero que gostem.
Amadurecer é: Descer do salto alto do blog Sábias palavras  
Dia desses, olhando fotos antigas e a minha velha pasta de músicas de cinco anos atrás, percebi o quanto eu cresci – é que o amadurecimento tem dessas, é mensurável pelas coisas mais simples.
Reparei no meu cabelo escovado no porta-retratos. No salto alto e na cara de sofrimento, provavelmente pelas dezenas de calos nos meus pobres pezinhos. Ou pela pose que tinha de ser mantida, por tudo o que me impedia de me exceder na bebida (ou, aliás, de me exceder em qualquer coisa que fosse). Talvez pelo cara bonito com quem eu não poderia puxar assunto, pois, eu precisava esperar ele vir me convidar pra dançar.
Quais eram, afinal, essas grades invisíveis que me aprisionavam? Que força horrenda mantinha meus pés dolorosamente equilibrados naqueles saltos 15? Pra quem eu precisava provar que eu era esguia, comportada e tinha absoluto autocontrole? Na verdade, eu não pensava sobre isso na época – e, mesmo se pensasse, provavelmente eu não encontraria essas respostas.
Mas, depois de muitos calos, eu as encontrei: É que chegamos a uma fase da vida em que não precisamos provar nada pra ninguém. É quando a gente escolhe, constantemente, as sapatilhas. É quando a gente se joga de cabeça sem medo de sair descabelada. É quando a gente não tem medo de perder, por que a gente entende que não há o que ser perdido. Não há nada em jogo além da felicidade. E como ser feliz quando não se é livre?
É claro que o salto alto é bem-vindo, porque, convenhamos, nos deixa absolutamente sexys como num passe de mágica. Mas, entre estar confortável e impressionar alguém, a gente não pode mais titubear na resposta. É preciso optar por si mesmo.
A gente olha pros lados e não procura um olhar de desejo ou de despeito – a gente procura um novo drink, um novo amigo, um novo livro, um novo lugar, uma nova música… A gente entende que o que os outros pensam ao nosso respeito não nos diz respeito.
E a gente entende, sobretudo, quanta beleza há em estar confortável. Na cara lavada, nos pés no chão, nas roupas menos justas (e não menos sexys), no corpo de quem se cuida sem esquecer – nem por um segundo – de ser feliz.
E que o que importa nessa vida é cuidar da gente e de quem cuida da gente. Que dá pra sair sem protetor solar de vez em quando. Dá pra assumir  o cabelo natural. Dá pra usar chinelo de dedo. Dá. Dá pra dar no primeiro encontro. Dá pra se exceder na bebida de vez em quando – ou quase sempre, por que não? Dá pra viver, reviver, começar tudo de novo. Dá pra amar, dá pra sonhar. Dá pra ser feliz.
Por: Nathalí Macedo

Quando nasce uma mulher (?)

Definitivamente não é fácil nascer mulher...
Na minha geração e nas passadas, éramos presas por correntes invisíveis.
Pelo menos não era fácil na época da minha avó, da minha mãe e na minha.
Nascíamos fadadas a aprender a cuidar dos outros, mas nunca ensinadas a nos cuidar.

Digo cuidar de nossos sonhos, de nossas vontades, de nossas fantasias e desejos.
Tínhamos que cuidar de como deveríamos nos sentar, principalmente usando saias. 
Não podíamos ingressar no universo dos meninos: das bolas de gude, das pipas, dos carros de rolimã...
Se você ficar no meio dos garotos, vai ficar mal vista. - dizia meu pai.
Quando por ventura nos aventurávamos a "desobedecer" éramos chamadas de rebeldes, ovelhas negras, revoltadas... e uma infinidade de outros rótulos que insistiam em nos dar, porque simplesmente queríamos fazer interseção entre os dois mundos.
Na época da minha mãe e da minha avó ainda era pior. As mulheres eram obrigadas a aprender a bordar, cerzir, cozinhar, imagine só? (Nada contra esse tipo de aprendizagem, que fique claro. Até gosto, faço e acho relaxante.)
Casavam-se cedo. Antes dos 15 as avós e antes dos 20 as mães.
Não sabiam nem o que era estar com um homem. Não sabiam nem se gostavam de homens.
Eu, apesar de ter me casado bem jovem, consegui passar pela transição disso. Aprendi a jogar bolinha de gude, soltar pipa, brincar de carrinho. Tive tempo de me decidir se gostava de homens, tive alguns "ficantes", alguns pouquíssimos namorados (acho que três) e me casei com um deles. E penso que o fiz cedo demais. Enfim...
O conceito de ser mulher está bem mudado. Graças a Deus são outros tempos. Tempos em que as mães (como eu) criam suas filhas para serem o que quiserem. Para irem onde quiserem e como quiserem, desde que se sintam bem.
São tempos melhores. Mais felizes. 
Tempos em que nos sentimos bem em sermos nós mesmas. Tempos em que nos achamos tão belas que queremos mostrar ao mundo o quanto o somos. Tempos em que cortamos o cordão umbilical da culpa. A culpa de se nascer mulher.
Em tempos remotos era maldição ter filha mulher. Em alguns lugares do mundo ainda é.
Hoje podemos escolher entre ficarmos em nossa companhia, não nos sentimos obrigadas a ter um par, a estar com alguém, a planejar uma vida com outra pessoa.
Hoje é normal viver sozinha, não querer ter filhos, não ceder à pressão que a sociedade nos impõe.
"Você precisa se casar." "Você precisa ser mãe." "Você precisa ser magra." " Você não pode se separar do seu marido." " Você não consegue se virar sem um homem do lado."
Tantas mentiras nos foram ditas...
Divulgação
Até o belo dia em que despertamos e vemos o quanto somos especias. Lindas, inteligentes, interessantes, divertidas, sensuais... e LIVRES.
Livres para irmos e virmos. Livres para sermos e para não sermos. Livres para experimentar. Livres para não nos preocuparmos com o que os outros pensam.
Livres para não nos tornarmos escravas dos padrões estéticos e da moda. 
Livres para não precisarmos melhorar a aparência para não perdermos nosso homem (ou mulher).
Livres para andarmos de chinelo e descabeladas pelo nosso bairro ou em Paris.
Livres para comermos lasanha sem culpa, tomar cerveja, jogar sinuca...
Livres do tabu do sexo. 
Livres para sermos. 
Simplesmente. 
Não pense que todas nós alcançamos esse patamar.
Não ainda.
É preciso uma força descomunal para remar contra a maré  das convenções e um desejo ardente em se desapegar do que nos puxa para baixo.
Quando alcançamos esse nível de evolução, aí sim nasce verdadeiramente uma mulher.

Dedico a todas as mulheres que chegaram a esse nível e a todas que estão lutando para alcançá-lo.




sábado, 6 de junho de 2015

Ser homem e ser mulher não importa o perfume

Obviamente, não nasci sob o sexo masculino para sentir na pele o que é ser homem, mas tive um pai, três irmãos, marido e filho (que pretendo que seja um grande ser humano).
Sem contar os amigos, paqueras, namorados...enfim...
Já do assunto ser mulher, entendo bem.
E aproveitando o mês de junho, que é o mês do amor comercial e do orgulho LGBT vou fazer um especial sobre homens, mulheres e relacionamentos.


Na sociedade em que fomos criados, os homens foram educados para serem os machos comedores e as mulheres para manterem suas bocas e pernas bem fechadas.
Então, já que crescemos numa visão distorcida sobre gêneros, vou falar um pouco aqui sobre o que eu penso ser cada um e ao mesmo tempo os dois.

O que é ser homem ou mulher? (ou o que deveria ser, na minha visão)

Homem deveria, em primeiro lugar, respeitar a mulher. 
Porque afinal de contas, todos nós fomos gerados por uma e, por isso e, somente por isso, devemos reconhecer a mulher como um ser sagrado, já que é em seu ventre que a existência se faz plenamente.
Quando falo em respeito, falo em colocar-se no lugar do outro e não fazer com ele o que gostaria para si. Independente do gênero.
Um homem, jamais deveria olhar para uma mulher como um objeto, porque não gostaria que olhassem para sua mãe, irmã ou filha como um. 
Mas os pais (e mães) educavam (e ainda educam) seus filhos para que passassem o rodo em qualquer mulher que "desse sopa".(Prendam suas cabras, porque meu bode está solto! - quem nunca ouviu tal frase?) 
E assim o mundo foi se enchendo desses trastes que ainda vemos aos montes por aí... 

E se... seu filho não gostar de mulheres? 
E se... sua filha gostar de mulheres ao invés de homens?

É chegada a hora de mudarmos a forma de criar nossos dependentes para esse novo mundo.
Ensinar que chamar uma pessoa de gay, não é xingamento ou ofensa. 

Homens e mulheres deveriam simplesmente ser IGUAIS. Simplesmente HUMANOS.

Ser homem ou ser mulher é ter palavra, porque palavra desde os tempos mais remotos para as pessoas de boa índole, vale mais que ouro (prometer e cumprir, se não puder,  se justificar e pedir desculpas).

Ser homem ou ser mulher é honrar seu compromisso - seja namoro, noivado, casamento - não enganando, traindo ou mentindo para a pessoa que está ao seu lado.

Um homem ou uma mulher de verdade não some da vida de outra pessoa, mesmo que tenha um affair de uma noite, sem dar uma explicação, porque simplesmente, as pessoas não devem ser tratadas como coisas. Se você não tem interesse em prosseguir, reencontrar a pessoa, simplifique, diga e se for o caso, nem peça o telefone.

Um homem ou uma mulher de verdade não precisa gostar de pessoas do sexo oposto.
E não devem, sob nenhuma hipótese, sentir vergonha do que são, por causa do preconceito que ainda é muito grande.
Afinal, homens, mulheres, seres sexuais, são vítimas de preconceito desde que o mundo é mundo. 
E mesmo assim se amam.
Porque o amor independe de gênero.






terça-feira, 2 de junho de 2015

O segredo do casamento

Como eu gosto de colocar em meu blog textos de outros autores que valham a pena ou que eu gostaria de ter escrito e que caem na minha mão na hora certa.
Segue na íntegra o texto:

"O segredo do casamento não é a harmonia eterna.
Os arranca-rabos são inevitáveis.
O segredo, no fundo, é renovar o casamento,e não procurar um casamento novo”
Meus amigos separados não cansam de me perguntar como eu consegui ficar casado trinta anos com a mesma mulher.
As mulheres,sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo.
Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja,querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo.
Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas,dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue.
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar.Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade.
Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher.
Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque
ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.
O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.
O segredo, no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo.
Isso exige alguns cuidado se preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.
Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-Ia ou conquistá-Ia como se seu par fosse um pretendente em potencial?
Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel,sem os filhos eternamente brigando para ter sua irrestrita atenção?
Sem falar nos inúmeros quilos que se acrescentaram a você; depois do casamento.
Mulher e marido que se separam perdem 10 quilos num único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo? Faça de conta que você está de caso novo.
Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a frequentar lugares desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa,os discos, o corte de cabelo e a maquiagem.
Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.
Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas.
Muitas vezes não é sua esposa que está ficando chata e mofada, são os amigos dela (e talvez os seus),são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração.
Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo,que é justamente um dos prazeres da separação.
Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um
novo bairro, um novo círculo de amigos.
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso.Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar.
Isso obviamente custa caro, e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa apagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.
Mas,se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas, e você ainda terá a pensão
dos filhos da união anterior.
Não existe essa tal “estabilidade do casamento”, nem ela deveria ser almejada.
O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos.
A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma “relação estável”, mas saber mudar junto.
Todo cônjuge precisa evoluir, estudar,aprimorar-se, “interessar-se por coisas que jamais teria pensado fazer no início do casamento.
Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer
na própria família?
É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.
Portanto, descubra o novo homem ou anova mulher que vive a seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par.
Tenho certeza de que seus filhos os respeitarão pela decisão e
se manterem juntos e aprenderão a importante lição decrescer e evoluir unidos apesar das desavenças.
Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão; por isso de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-Io sempre com o mesmo par."
Este artigo de Stephen Kanitz foi publicado na Veja dia 14 de setembro de 2005, edição 1922, ano 38, no. 37, página 24. Vive sendo circulado na net como sendo do Arnaldo Jabor, mas não é.
Fonte: http://blog.kanitz.com.br/segredo-casamento/

sábado, 23 de maio de 2015

Liberdade de ser

Chega um ponto em nossa vida em que não nos preocupamos mais em sermos aceitos pela sociedade.
Sei que não são todas as pessoas que alcançam esse nível de desprendimento, mas ainda assim, acredito que muitas pessoas irão se identificar com esse meu pequeno texto.

Vivo uma fase em que busco simplicidade.
Não quero sofisticação, nem roupas apertadas, nem salto alto ou maquiagem estilo femme fatale.
Não quero química nos meus cabelos, não quero fritar meu cérebro em um secador, ou passar por nenhum incômodo ou dor em prol de uma estética que não vai me tornar melhor do que eu sou, se eu não aceitar quem eu sou.

Gosto e busco os silêncios, a meia luz, o bom filme, a leitura.
Sinto a paz de poder estar comigo, amando a minha própria companhia, e, consequentemente, amando a companhia das pessoas.


Posso fazer as coisas porque eu quero e não para agradar uma outra pessoa que não eu mesma, porque eu aprendi a dizer não e não sinto mais culpa por isso.
Consigo comer, sem me preocupar com a balança, porque me sinto bem com meus quilinhos a mais.
Atividade física não para ficar melhor para os outros, mas porque me proporciona bem estar, e se eu não fizer, é porque simplesmente hoje eu não estou a fim.

E daí se a casa está bagunçada? E daí se tem louça na pia?
Em algum momento, todos os trabalhos serão feitos.

Não atendo às ligações e nem respondo às mensagens se não estiver com vontade de falar.
Não vivo em função dos outros. Vivo em função de mim. Vivo as minhas possibilidades.
Me sinto tão livre. Tão eu, que, honestamente não me importo se falam mal de mim, se estão felizes comigo, se realmente se importam.



Não vivo de status, nem vivo de convenções. 
Vivo de do construto diário que faço em mim e de mim. 
Me formo de aprendizados, trazidos pelos erros, em sua grande maioria. 
Bagagens?
Descobri que elas só trazem mais peso, resolvi levar adiante só o que for essencial.

Muita gente pode chamar isso de egoísmo.
Egoísmo é quando você só pensa em si mesmo. 
Eu penso nas outras pessoas, eu não sou egoísta.
A diferença é que eu aprendi, a duras penas, a pensar em mim em primeiro lugar.

 

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Sobre sermos bons pais

Ontem, no nosso grupo de meninas no Whatsapp, estávamos conversando sobre ter filhos e aquelas que não tem diziam que não sabiam se iriam ter por causa das complicações do mundo.
Ser pais (pai e mãe, pai e pai, mãe e mãe) hoje tem um significado e um domínio muito mais amplo do que quando eu era criança.
Era normal que os filhos vivessem com pai e mãe até a idade adulta, quando iam embora para buscar estudo, trabalho, casamento... enfim... coisas as quais não cabiam mais aos pais. Uma delas chamada independência.
Eu tive bons pais, juntos até minha pré-adolescência. Crescer com pais separados é estranho, mas a gente acaba se acostumando e encontrando um lado bom no fim de uma família.

Mas o assunto hoje é sobre sermos bons pais.
Voltando ao grupo de meninas, eu respondi que para criarmos nossos filhos precisamos lhes mostrar valores éticos, moldar o seu caráter e darmos o essencial para um bom crescimento: amor.
A criança que recebe desde cedo estas três coisas, certamente vai ser um adulto bom, de valor, honrado e com caráter.
Como eu sei disso? Porque eu recebi isso.
Cada mãe e cada pai que transmite um legado de carinho e honradez ao filho, tem maneiras diferentes de ensinar, mas o resultado é sempre o mesmo.
No grupo eu perguntei às meninas se elas não achavam que se tiveram bons pais, poderiam ser boas mães e elas concordaram comigo que criar filhos no mundo de hoje onde a sensualidade, os bens materiais, a ignorância, a intolerância e a falta de valores morais gritam na nossa cara, não é tarefa fácil, mas também não é impossível.
E hoje os pais tem ajuda para criar os filhos, porque os tempos são outros, corridos, onde os filhos ficam parte nas escolas integrais, nas casas dos avós ou nas creches, em detrimento do trabalho dos pais.

Nossos filhos não querem muito de nós, eles tem suas demandas, suas vontades e exigências como toda criança.
Cabe a nós, pais que criamos juntos ou separados, conseguirmos perceber se nosso filho está exagerando nas vontades ou se realmente não o estamos deixando de lado por algum motivo que, com certeza, não é tão importante quanto sua formação.
Se estamos nos comportando de forma egoísta e sendo imaturos, colocando nossos desejos e necessidades na frente das dos nossos pequenos.
Se estamos deixando que ele seja educado pela vida, pelos coleguinhas, pelos amigos, pelos tios, pelos avós, ou por esse mundo que está aí e do qual tanto nos queixamos. Simplesmente porque nos ausentamos em demasia.
Se estamos compensando a nossa falta com coisas. 
Se estamos deixando para o mundo um filho que pode fazer sua parte e torná-lo um lugar diferente, melhor de se viver, ou se estamos compartilhando só mais um adulto carente, frustrado, mimado que pensa que pode fazer tudo o que quiser porque "A minha mãe deixa!" (não podia deixar de citar a personagem Lili, do brilhante ator Eraldo Fontiny).

Há algum tempo eu dizia para as pessoas que tivessem filhos, pois ter filhos é a nossa maior realização, nossa melhor obra (quem tem sabe do que eu estou dizendo). Hoje eu digo: tenha dois filhos ou não tenha nenhum, porque filho único se você morre, vai ficar sozinho, sem referência de família (pais e irmãos). Ou então fica chato como muitos que tive o desprazer de conhecer. 
Se você é uma pessoa egoísta não tenha filhos.
Se você optou por não ter filhos, não se sinta na obrigação de tê-los porque "a sociedade impõe".
Não tenha. Não mesmo.
Se você quer ter filhos prepare-se para a experiência mais maravilhosa, fantástica e emocionante de sua vida. Prepare-se para noites sem dormir, para brigas de irmãos, para ouvir 24 horas de demandas, chantagens emocionais, dramas mexicanos, para depois relatar, como eu, que vale a pena cada minuto com essas criaturas enviadas por Deus para que você cuide até quando for necessário.
E não quando acabar o casamento, porque os filhos são para toda a vida.
E pais são aqueles que dão amor, educação e princípios.
Se você quer ter um feedback, pergunte ao seu filho, ele dirá se está desempenhando bem seu papel.
Cássia, Chicão e Maria Eugênia