quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Render-se nunca, retroceder jamais

Apesar da truculência do título, que é o nome de um filme antigo ao contrário, este post é para falar sobre covardia.
Quem de nós diante de um obstáculo, nunca pensou em desistir e entregar os pontos?
Quem diante de uma perda que considerou gigante, nunca pensou em deixar de viver?
E o que nos fez mudar de ideia?
Esta semana soube da morte de uma amiga da adolescência (a segunda este ano), era uma pessoa extremamente boa, engraçada, daquelas que você podia contar a qualquer dia e hora que ela estava lá.
Essa amiga, soube a pouco tempo, tinha sido acometida por uma doença do fígado devido ao alcoolismo.
Há dois meses minha mãe foi visitá-la e ela disse categoricamente à minha mãe que queria morrer.
Mamãe ficou abalada com o estado dessa amiga.
Eu tive medo de vê-la. Sou muito covarde ainda em relação a ver pessoas doentes, definhando... Não gosto de guardar certas imagens.
Essa amiga deixou duas crianças. Imagine o que é para duas crianças verem sua mãe sendo lentamente abraçada pela morte. Cada dia mais entrelaçada...
Ontem à noite, eu estava aqui no sofá de casa, vendo o filme desses bem clichês, Um dia. E parece que ao ver aquele filme, um filme à parte passou em minha cabeça.
Eu imaginei minha amiga se entregando, deixando a vontade de viver, seus filhos sofrendo e caí no choro.
Talvez ela precisasse de ajuda para ver o que de bom ela estava deixando. Talvez a minha covardia me impediu de tentar mostrá-la o que ela tinha em volta.
Não gosto de pensar jamais no "E se..." mas ontem caí nessa armadilha.
Talvez eu seja teimosa demais e por isso não me entrego fácil.
Como boa brasileira que sou, não desisto nunca.
Risquei do meu dicionário o verbo desistir.
Quanto à retroceder, algumas vezes precisamos recuar para refletir sobre o próximo passo com cuidado, às vezes ser calculista é bom... mas voltar atrás num processo, NUNCA. 
Às vezes por mais frágeis que nos encontremos, devemos perceber que a fraqueza é só um estágio e que ela vai passar. 
Precisamos ter fé. 
Se renda, sim. Se renda à beleza, ao amor, à Deus, à vida.
Não se entregue à tristeza, à mágoa, aos maus sentimentos.
Risque palavras negativas do seu dicionário.
Se a felicidade é feita de momentos, a tristeza também não é eterna.
Nada dura para sempre.

"Pode ser difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes isso é necessário, existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e percorrê-lo. Não procure querer conhecer seu futuro antes da hora, nem exagere em seu sofrimento, esperar é dar uma chance à vida para que ela coloque a pessoa certa em seu caminho.
A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna. A felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é que ela venha para ficar e não esteja apenas de passagem, como acontece com muitas pessoas que cruzam nosso caminho." (
François de Bitencourt)




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O homem no mundo

"Lembremo-nos de que o homem interior se renova sempre. A luta enriquece-o de experiência, a dor aprimora-lhe as emoções e o sacrifício tempera-lhe o caráter. O Espírito encarnado sofre constantes transformações por fora, a fim de acrisolar-se e engrandecer-se por dentro. - Chico Xavier"


Nasci e fui criada, até me entender por gente, na religião Católica.
Sempre ouvi dizer que Deus era vingativo, que Ele castigava as pessoas que erravam...
Pensava: Que cara doido! Dá a gente o livre arbítrio, a gente erra e Ele castiga?! Como assim?
Quando comecei a fazer catecismo, aos nove anos, tive que pela primeira vez (e última) me confessar a um padre.
Me lembro que tremia de medo antes de entrar na sala. E confessei a ele meus pecados (tão inocentes) chorando de medo de Deus me castigar.
Aos doze anos estudei a Santa Inquisição e comecei a temer também a Igreja Católica, quando soube as atrocidades cometidas com tantos homens e mulheres que foram torturados e mortos acerca de acusações mirabolantes e sem fundamento.
Muitas pessoas vão querer me apedrejar por isso. Mas eu rompi com as igreja aos poucos quando fui crescendo.
E concluí este rompimento há pouco tempo. 
Tentei no decorrer de minha curta existência, buscar outras igrejas, mas nenhuma me preenchia, uma vez que o catolicismo pregava o castigo e a caridade e o protestantismo pregava a salvação mas não falava de caridade, e nem de Maria, mãe de Jesus, como se ele fosse filho de Deus com uma pedra, enfim...
A religião deveria nos aproximar uns dos outros e de Deus, mas ao invés disso, pessoas se matam pela fé cega, quando na verdade o objetivo de todas é o mesmo.

Devido a isso, sempre fui muito confusa quanto às religiões e resolvi crer em Deus e em Jesus somente.
Me deitava em oração e pedia a ele que me mostrasse qual a minha missão nesse mundo. Me atormentei e me deprimi por anos a fio, já que não obtinha resposta.

Até que certo dia, fui fazer estudo do evangelho por Allan Kardec e li uma passagem que se chama "O homem no mundo". (Item 10, Cap. XVII - O Evangelho segundo o espiritismo).



Percebi que não devemos nos isolar porque a maior prova de fé é conseguir conviver com as pessoas que pensam diferente de nós e não impormos nossos pensamentos.Que devemos nos respeitar como pessoas que pensam e agem diferentes umas das outras, compreendendo os seres com espírito menos evoluído.


Aprendi também que abraçar a cruz do mártir, não nos trará o reino dos céus porque Deus não nos fez para sofrer, ele nos fez para sermos felizes e para amarmos ao nosso próximo, sem esquecer que a primeira pessoa que devemos amar é a nós mesmos.

“Os deveres da caridade atingem a todos, desde o menor até o maior, porque o cristão existe para servir, independente da posição social que ocupe”.

Todos os seres humanos buscam ser perfeitos para Deus.
Essa busca pela perfeição leva-nos a trilhar vários caminhos. 
Mas o único caminho que nos leva até Ele é o amor.
A perfeição é um estágio que nunca alcançaremos. O que não nos impede de tentar.
O único ser humano perfeito que existiu foi Jesus. 
Muitas pessoas tentaram seguir seu exemplo, mas ainda assim, em algum momento da vida, fraquejaram.
Por isso, concluo que devemos fazer o bem e amar, assim, agradamos ao coração de Deus, independente da crença religiosa que sigamos.
Uma coisa na vida é certa: A lei do retorno. Para o bem e para o mal ela existe e é implacável.