sexta-feira, 23 de setembro de 2016

04:56 da minha realidade

Ela era apenas uma professora de inglês numa cidade do interior de Minas, com menos de 5.000 eleitores, ele um ator famoso, que além de inteligente, era lindo.
Foi numa festa que eles se encontraram, ele vestindo uma camisa azul escuro, ela clássica virginiana, vestindo um tubinho preto.
Ao chegar na festa ela o viu próximo da porta, seus olhares se cruzaram, tímida que era, passou por ele de cabeça baixa, uma vez que não conseguiu manter o contato visual.
Estranho é que ela não conhecia ninguém, então por que estava ali? São os mistérios da vida que não entendemos, apenas vivemos.
Numa ida a uma espécie de bar, eles se encontraram de novo e ela resolveu puxar papo:
— Oi João.
—  Oi, de onde nos conhecemos?
— Eu te conheço da TV, mas você, creio que nunca me viu.
— Não sei... seu rosto me parece tão familiar...
— Talvez dos seus sonhos.— ela disse e riu de si mesma.
Saindo, cada um para uma direção, ela decidiu encontrar um lugar para se sentar, e entrou numa sala com alguns puffs e alguns divãs, resolveu se sentar em um deles.
João entrou na sala e se sentou num divã próximo.
— Festa estranha, né? — ele puxou assunto.
— Até agora não sei o que estou fazendo aqui.
— Nem eu. Mas você disse que me conhece da TV. Você gosta do meu trabalho?
— Nossa... Demais! Fico aguardando ansiosa pela segunda a noite, para ver você e os meninos no programa. Mas comecei a gostar de você no Porta...
— Já viu minha peça?
— Não, infelizmente. Estou aguardando vocês irem a Minas. Também gosto muito do Gregório. Mas não gostei do artigo para a Clarice, na Folha. Acho que ele deu mole. Eu não gostaria de ser exposta assim.
Mas cada um é cada um.
—Verdade... — ele disse, e se deitou no divã. — Estou sentindo muita dor nas costas.
Ela prestativa, disse:
— Eu sei fazer uma massagem nas costas, mas posso colocar sua coluna no lugar se quiser.
— Você me faria essa gentileza?!
E ela começou a fazer massagem em suas costas.
Os dois conversaram muito, por horas, sobre todos aqueles temas polêmicos que ela adora, sobre a reformulação do Ensino Médio, sobre "sapiossexualidade", enfim, tudo que as pessoas quando estão se conhecendo conversam, e que ela tinha lido naquele dia.
— João, preciso ver se encontro alguém conhecido. 
— Ora, você tem um conhecido aqui. Eu!
— Um conhecido mais antigo, então. — ela riu.
— Tudo bem, te vejo ainda por aqui?
— Acredito que não, preciso achar meu marido.
— Você é casada? 
— Sou.
Um silêncio longo se fez.
— Então tá, nos vemos um dia.
— Sim João, nos vemos. Um dia.
Ele deu um beijo no rosto dela e seguraram as mãos um tempo e ele saiu da sala.

Quando ela deixava também  a sala, descobriu que teria um show do Léo Jaime, e ele, Leo, em pessoa, a tinha convidado, durante o show,  encontrou uma amiga de infância. As duas dançaram até o dia amanhecer e na saída, com os sapatos na mão, caminharam por uma longa avenida, até que resolveram se sentar na grama e descansar um pouco.
— Amiga, que sonho, você encontrar seu crush João Vicente. 
— Menina, até agora não estou acreditando que conversei com ele quase a noite toda. Acho que nunca mais vou vê-lo.
Eis que elas olham para o final da rua e o veem vindo em sua direção, com uma camisa verde claro, e seu lindo sorriso.
Ela sorriu de volta e o galo cantou.
(Maldito galo!)
Volta sonho, volta sonho... Nada. Eram 4:56 da manhã. E o João ficou na noite que foi só deles.


P.S. 1: Escrevi esse conto em 33 minutos para meu "crush" número 2. O número 1 é o Wagner Moura, mas o lugar no coração é do mesmo tamanho.
P.S. 2: Nunca saberei se João leu esse conto.
P.S. 3 : Adoro ele de terno.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Will e Bernie (qualquer semelhança com a realidade...)

Will e Bernie formavam um lindo casal. Vinte seis anos juntos, três filhos lindos, muita grana na conta bancária... Quanta felicidade!
Em público Will e Bernie eram o par perfeito, clássico, tudo o que seus admiradores gostariam de ser na vida.
Viagens aos exterior, glamour... que casal não queria ser como Will e Bernie?
Em agosto de 2016 para a nossa grata surpresa os dois anunciaram a separação.
Houve desmaios, pânico, escárnio da sociedade...
O quê? Will e Bernie? Não acredito! Um casal tão perfeito...


O mundo está repleto de casais como Will e Bernie. Uma imagem do que um casal de verdade deveria ser. Desses de comercial de margarina. 
Que vão aos lugares e que são vistos juntos, posam para fotos e sorriem na frente de estranhos, familiares...
Mas quando Will e Bernie entram em casa, mal se falam.
Talvez Will seja muito ocupado e Bernie trabalhe excessivamente e os dois esqueçam que são um homem e uma mulher antes de ser casal.
Talvez Will curta uma balada e Bernie goste de ver Netflix. Ou Will goste de carne gorda e cerveja com os amigos e Bernie seja fissurada em dieta e malhação.
Talvez Bernie adore conversar e Will goste de ficar mais isolado, ouvindo uma música, ou lendo...
Talvez Will e Bernie só estavam juntos para cumprir um papel.
Talvez Will e Bernie estavam tão cômodos que precisassem apenas de um empurrão (um novo amor, uma oportunidade de trabalho no exterior, um projeto de vida individual, ou simplesmente sair da zona de conforto)
Talvez ela só vivesse reclamando. Talvez ele só vivesse reclamando.
Existem N motivos para o fim de uma relação, motivos improváveis, ou simplesmente aqueles que acabam sem motivo. Só pelo tempo de desgaste. Pode ser 2 semanas, 30 dias, 26 anos...
O que não pode acabar é o direito de cada pessoa de viver plenamente sua vida e ser feliz.
Se for com outra pessoa, bacana. Se não for, bom também.
O que não podemos é ficar preocupados com a vida de Will e Bernie que continuam ricos, porém solteiros.