segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A carência e suas consequências

Um dos grandes males que assola a sociedade contemporânea é a carência.
Eu falo por mim pois sou uma pessoa extremamente carente e já paguei um preço caro por isso.
As pessoas carentes tem um sinal vermelho piscando em sua testa.
"Sou carente, me dê atenção."

Ultimamente, devido a tantas redes sociais e pessoas virtuais que temos ao nosso alcance, torna-se mais fácil o carente se estrepar.

A pessoa carente costuma sonhar com alguém para a vida inteira e se casar cedo, ou se casa porque precisa de alguém pra cuidar dela.
O primeiro pé na bunda que eu tomei, foi assim: "Preciso de alguém que cuide de mim e você ainda não consegue nem se cuidar sozinha." Isso porque ele queria se casar e eu, aos 16 anos, jamais pensaria nisso.

Depois que a pessoa vê que não era nada daquilo, que não era como brincar de casinha e viver feliz para sempre, se frustra, se separa e vai procurar de novo alguém para se deixar cativar.

Não gosto da palavra cativar. Me lembra cativeiro, prisão, cárcere... Que me perdoe Saint-Exupéry com a sua máxima "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Não mesmo!

A pessoa carente é uma refém de sua falta de ser amada, cuidada, de ter atenção das pessoas.

Voltando às redes sociais e internet, nesse ambiente, a pessoa carente se expõe a todo tipo de predador.


Tem um tipo de pessoa que é mais característico: sou tudo aquilo que você precisa.
Tal pessoa quando se aproxima de você certamente já sabe alguma coisa da sua vida, pesquisou antes de se aproximar, seja pelo que você coloca nas suas redes, por um amigo próximo, se for o caso, ou, pode até te conhecer um pouco e se aproveita do fato para te envolver. Você pensa que é exatamente tudo aquilo que você procura, porque sabe dos seus gostos, se não sabe, até muda de gosto pra te agradar e vai te envolvendo, quando você perceber, você já passou até os bens pro nome dela, porque se encantou com seu belo sorriso e seu passado sem nenhuma mácula, porque exatamente assim que ela se mostra pra você. Eu a ilustraria como o lobo em pele de cordeiro.




Para as mulheres tem também o príncipe encantado (tarado virtual), ele fala que a vida inteira esperou alguém como você, que está procurando compromisso sério, que toda mulher com quem se envolveu era vagabunda ou bruxa, mas que você é a mulher que ele sonhou pra ser a mãe dos seus filhos, a companheira de vida, aí ele abre a porta do carro no primeiro encontro, te leva ao melhor lugar e isso dura a eternidade da primeira transa, depois ele some.

Geralmente, aparece para mulheres carentes. Porque mulher tem aquele instinto, eu diria que até maternal, de querer cuidar ou a estúpida ideia de achar que vai mudar o homem.
Não conheço nenhum homem que tenha caído nessa lorota, mas enfim, se existir algum, gostaria muito de ouvir um relato.
Todas as afirmações acima, foram baseadas em relatos. Muitos até parecidos.

Eu poderia escrever 10 páginas dos chavões de internet e dos tipos de pessoas que estão prontas para dar o bote nos carentes de plantão. Parece simples, mas não é. Existem psicopatas que tiram proveito de pessoas carentes, lesando, ferindo e até matando.

Se um dia, eu me vir sozinha, sem um relacionamento amoroso, não sei se vou confiar de novo em alguém. Quiçá com garantia de procedência, oriunda de um amigo ou pessoa muito próxima a mim que queira bancar o cupido, e mesmo assim costuma dar errado. Como já deu. Várias vezes.

Talvez, eu ainda seja daquelas à moda antiga, que gosta do tête-à-tête (expressão tão antiga quanto), do abraço, do toque e do bate papo presencial.

Que fique claro, a internet não é a nossa inimiga, existem pessoas boas nela, nossa inimiga é a carência, que nos apressa a tomar decisões e anuvia a nossa visão, não nos deixando ver verdadeiramente o outro, e, sim, o vemos da forma como queremos.
Mas nem só com internet fazemos isto. Não é mesmo? Fica a reflexão.




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