quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Pela saúde do relacionamento

Este provavelmente será meu último post de férias, quando as aulas retornam o tempo fica escasso... Enfim... vai diminuir a produção, mas vamos caminhar aos 100.00 views.

Começando do começo:

1- Quando conhecemos uma pessoa e resolvemos que vamos nos relacionar (leia-se namorar sério) com ela

Toda relação para chegar ao estágio de compromisso permeia sempre pelos mesmos caminhos: conhecemos a pessoa, vimos as coisas em comum, o que nos encanta um no outro, marcamos alguns encontros, descobrimos inúmeras afinidades, a vontade de se encontrar aumenta, até que, quando vemos, estamos namorando.
Vamos ao grande X da questão: 
Começa aí. Será que eu realmente me revelei para a pessoa? Será que não me anulei em nada para ela gostar mais de mim?

Vou explicar melhor: para a pessoa não ter dúvida de que "sou tudo o que ela quer", me mostro sempre disponível pra ela. Deixo de lado meus hábitos, amigos, fazendo apenas o que é necessário para minha vida e o bom andamento do relacionamento. Me anulo. Deixo de fazer as coisas que tenho vontade em prol de uma outra pessoa. 

Com o decorrer do tempo, me tornarei cativa, no pior sentido da palavra. A relação vai desandar e vamos de mãos dadas ladeira abaixo.




2- Quando se torna um caminho sem volta. 

Quando vemos, demos tanta abertura e liberdade que ela já está mexendo no nosso telefone, lendo nossos e-mails, abrindo nossas correspondências... porque nós permitimos que ela não só entrasse em nossa vida, mas achasse que fosse dona dela.

Ciúme é bom? Não sei. Não gosto de sentir, mas algumas vezes sinto.

Há quem diga que é bom, sim.  Que tempera o relacionamento. Mas quando ele chega ao ponto de sentir concorrência até das amizades, vale a pena pensar a respeito.

Para mim tempero para o relacionamento é o mimo, o carinho, a surpresa, o romantismo... são coisas que fortalecem a relação, como uma vitamina para um organismo vivo.  Ciúme, intolerância, desconfiança, possessividade... considero-os venenos e, que,  pouco a pouco vai matando o que poderia ser uma bela história de amor.
Como organismo vivo que é, a relação precisa ser nutrida. Com verdade, sem máscaras, sem desrespeito, sem ser uma prisão para dois.

Deixo essa reflexão, para cuidarmos da saúde de nossas relações. Não só de namoro, mas todas as relações humanas. As amizades, as familiares (sim, existem pais que sufocam os filhos e acham que são seus donos, mas é assunto para um outro contexto) os casamentos... enfim, toda relação em que possa haver contato humano.

Ser você mesmo não permite ao outro fazer cobranças do que você não é capaz de dar.



sábado, 23 de janeiro de 2016

Do romantismo

Como todos os virginianos, sou aparentemente uma pessoa fria. A reputação dos nativos sob o signo de Virgem é de que não nos importamos com a falta de afeto. Que não precisamos dele, que somos narcisistas, ou seja, verdadeiras paredes de pedra.

Eu cresci em um lar com pai ausente desde sempre, e minha mãe nunca foi das mais amorosas, enfim, é difícil passar adiante o que não se aprende. Mas juro que tento compensar isso com meus filhos.
Eu tinha uma avó, e, graças a ela, aprendi a ser um pouco mais coração mole. Posteriormente, uma professora (a gente sempre tem aquela) que foi um dos meus primeiros modelos de como semear o amor.

Com esse breve resumo de "não posso dar o que eu não tive", o romantismo era, para mim, coisa de filme, de novela, porque nunca vi meu pai, enquanto ele ainda convivia com minha mãe, levar uma flor colhida no jardim do vizinho, chegar em casa com um presente inesperado só porque lembrou que ela gostava, nem nada do gênero. Uma surpresa boba, um passeio sem os filhos, coisas simples que qualquer um pode fazer. Também nunca vi minha mãe fazer o prato preferido do meu pai, acho que ela nem sabe se ele tinha um... Enfim... não os condeno por isso, imagino que se deve à criação que receberam, e, logo, não tinham como passar adiante o que não experienciaram.

Aí eu cresci. Cresci pensando que romantismo não era coisa praticável na correria do nosso dia-a-dia. Via-o como uma utopia.

Não tive namoros longos antes do meu casamento. Mas os três que tive, incluindo o marido, foram legais à sua maneira de demonstrar que cabia um pouco de romantismo dentro do corre-corre, apesar da pouca grana da adolescência e de  tantas outras restrições daquela época. Uma serenata, um K7 com suas músicas prediletas gravadas, um bombom com um coração torto e uma mensagem fofinha...


Não falo aqui do romantismo de helicópteros fazendo chuvas de pétalas de flores, mas de gestos cotidianos, simples, que demonstram amor, afeto e que são muito mais românticos do que escrever eu te amo e mandar projetar na lua, por exemplo.

Falo de chegar em casa cansado, após um dia cheio e exaustivo de trabalho, e ser recebido com o cheiro da nossa comida preferida, ou uma mensagem no meio do expediente de "estou com saudades", "sinto sua falta", dentre tantas outras. Olhar uma coisa e pensar em você, te presentear sem motivo específico só pra te deixar feliz, mesmo que o presente seja um simples bombom. Sentar-se ao seu lado e assistir aquele filme que não gosta, só pelo prazer da sua companhia... Infinitas possibilidades, dentro do nosso pequeno universo.

Eu não gosto de ganhar flores, nem ovos de páscoa e acho abominável o Dia dos namorados. Para mim flor bonita é no pé, viçosa e feliz. Talvez por isso passe a imagem de não ser romântica. 

O fato de não gostar de flores mortas, nem de datas comerciais, não significa que não possa ganhar uma flor, um pôr do sol, uma paisagem de encher os olhos, com tanta tecnologia que nos cerca, (hoje em dia existe celular que faz foto que se movimenta, que nem nos filmes do Harry Potter) ou uma barra de chocolate na minha TPM pra fazer eu me sentir mais tranquila... Respeitar minha TPM já é, para mim, um gesto de romantismo.


A falta de romantismo há quando nos falta criatividade, vontade, quando deixamos que o cansaço, a correria, a falta de perspectiva nos leve à sua não prática. Quando priorizamos outras coisas e deixamos de lado o relacionamento por falta de tempo, devido aos filhos ou ao trabalho que nos consome. Quando não aproveitamos aquele momento do filme que o outro gosta para assistirmos junto no sofá. Quando não nos interessamos por sua vida de um modo geral. Assim, se mata o romantismo e se mata também o amor.















segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A carência e suas consequências

Um dos grandes males que assola a sociedade contemporânea é a carência.
Eu falo por mim pois sou uma pessoa extremamente carente e já paguei um preço caro por isso.
As pessoas carentes tem um sinal vermelho piscando em sua testa.
"Sou carente, me dê atenção."

Ultimamente, devido a tantas redes sociais e pessoas virtuais que temos ao nosso alcance, torna-se mais fácil o carente se estrepar.

A pessoa carente costuma sonhar com alguém para a vida inteira e se casar cedo, ou se casa porque precisa de alguém pra cuidar dela.
O primeiro pé na bunda que eu tomei, foi assim: "Preciso de alguém que cuide de mim e você ainda não consegue nem se cuidar sozinha." Isso porque ele queria se casar e eu, aos 16 anos, jamais pensaria nisso.

Depois que a pessoa vê que não era nada daquilo, que não era como brincar de casinha e viver feliz para sempre, se frustra, se separa e vai procurar de novo alguém para se deixar cativar.

Não gosto da palavra cativar. Me lembra cativeiro, prisão, cárcere... Que me perdoe Saint-Exupéry com a sua máxima "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Não mesmo!

A pessoa carente é uma refém de sua falta de ser amada, cuidada, de ter atenção das pessoas.

Voltando às redes sociais e internet, nesse ambiente, a pessoa carente se expõe a todo tipo de predador.


Tem um tipo de pessoa que é mais característico: sou tudo aquilo que você precisa.
Tal pessoa quando se aproxima de você certamente já sabe alguma coisa da sua vida, pesquisou antes de se aproximar, seja pelo que você coloca nas suas redes, por um amigo próximo, se for o caso, ou, pode até te conhecer um pouco e se aproveita do fato para te envolver. Você pensa que é exatamente tudo aquilo que você procura, porque sabe dos seus gostos, se não sabe, até muda de gosto pra te agradar e vai te envolvendo, quando você perceber, você já passou até os bens pro nome dela, porque se encantou com seu belo sorriso e seu passado sem nenhuma mácula, porque exatamente assim que ela se mostra pra você. Eu a ilustraria como o lobo em pele de cordeiro.




Para as mulheres tem também o príncipe encantado (tarado virtual), ele fala que a vida inteira esperou alguém como você, que está procurando compromisso sério, que toda mulher com quem se envolveu era vagabunda ou bruxa, mas que você é a mulher que ele sonhou pra ser a mãe dos seus filhos, a companheira de vida, aí ele abre a porta do carro no primeiro encontro, te leva ao melhor lugar e isso dura a eternidade da primeira transa, depois ele some.

Geralmente, aparece para mulheres carentes. Porque mulher tem aquele instinto, eu diria que até maternal, de querer cuidar ou a estúpida ideia de achar que vai mudar o homem.
Não conheço nenhum homem que tenha caído nessa lorota, mas enfim, se existir algum, gostaria muito de ouvir um relato.
Todas as afirmações acima, foram baseadas em relatos. Muitos até parecidos.

Eu poderia escrever 10 páginas dos chavões de internet e dos tipos de pessoas que estão prontas para dar o bote nos carentes de plantão. Parece simples, mas não é. Existem psicopatas que tiram proveito de pessoas carentes, lesando, ferindo e até matando.

Se um dia, eu me vir sozinha, sem um relacionamento amoroso, não sei se vou confiar de novo em alguém. Quiçá com garantia de procedência, oriunda de um amigo ou pessoa muito próxima a mim que queira bancar o cupido, e mesmo assim costuma dar errado. Como já deu. Várias vezes.

Talvez, eu ainda seja daquelas à moda antiga, que gosta do tête-à-tête (expressão tão antiga quanto), do abraço, do toque e do bate papo presencial.

Que fique claro, a internet não é a nossa inimiga, existem pessoas boas nela, nossa inimiga é a carência, que nos apressa a tomar decisões e anuvia a nossa visão, não nos deixando ver verdadeiramente o outro, e, sim, o vemos da forma como queremos.
Mas nem só com internet fazemos isto. Não é mesmo? Fica a reflexão.