domingo, 6 de dezembro de 2015

80's versus 90's

Nos últimos dias, tenho ouvido muito as rádios dos anos 90. Rock anos 90, músicas que tocavam nessa década, enfim.

Tem gente da minha idade que curte os anos 80, eu não. Eu tenho algumas poucas boas lembranças de músicas, desenhos animados, programas, filmes e séries que passavam na TV e que eram compatíveis com a minha idade, ou liberadas pela censura da época. As roupas eram horrorosas, os cabelos, a moda... Quando assisto aos programas de TV, filmes e novelas daquela época, percebo que não dá a menor saudade. Talvez para os meus pais, tios...

Os anos 90 não. Eu vivi os anos 90, curti com meus amigos, dancei passinhos ridículos, usei roupas ridículas, gostei de meninos igualmente ridículos, aguardei ansiosa pelos lançamentos dos vídeos da MTV, ou pelo novo CD da minha banda preferida, amei uma boyband, letras de música nas revistas Querida, Capricho, Atrevida... também tive minhas primeiras experiências pré e pós adolescência.




Nos anos 90 vi nascer e morrer o Nirvana. Chorei quando o Kurt Cobain se foi, senti muito quando ao Freddie Mercury e o Cazuza partiram.



Vi mitos surgirem. 

Nos anos 90 fiz as grandes amizades que tenho hoje e consolidei as que se iniciaram nos anos 80, dentre outras tantas se perderam também lá. 

Um dia, minha filha vai dizer que os anos 2010 ou 2020 foram melhores que os meus.

A melhor fase da vida da gente é aquela em que trazemos as melhores memórias dos nossos corações, onde nossos melhores momentos foram construídos.

Para mim, as melhores músicas, as que mais me marcaram, os grandes amigos e os momentos que me fizeram o que sou hoje, trago-os todos de lá. 

Sentir saudade não é viver de passado, favor não confundir. É sentir cheiros, sabores, ver as recordações tão vívidas que poderiam ser tocadas.
Sentir saudade é aquecer o coração quando você ouve aquela música que dançou com as amigas, ou que amargou uma dor de cotovelo, ou que dançou com o gatinho da época no aniversário de alguém do colégio. A geração de hoje talvez não saiba o que é isso: sentir frio na barriga quando o menino te tirava pra dançar e você não imaginava o que fazer.

Quem foi adolescente nos anos 90 vai entender o que eu estou falando e rir muito com esse post.






Meu dia preferido é hoje

Já fui dessas de sofrer pelo passado, pensar no que tinha perdido, me arrepender pelo que não fiz, pelo que não disse... então, tive depressão. 
Dizem que a depressão é o excesso de passado em nossas mentes, e realmente é.

Depois, mais velha, comecei a pensar só no amanhã, só no que estava por vir, sem saber se realmente viria, e comecei a sofrer de ansiedade, que dizem ser o excesso de futuro em nossas mentes... então, tive gastrite e pneumonia aspirativa, em decorrência da primeira. (Amanhã comemoro um ano da pneumonia.)

Essas duas situações, serviram para me mostrar muitas coisas importantes. Hoje, resolvi compartilhar esse aprendizado.
O passado, por mais distante que tenha ficado, me fez quem eu sou hoje, uma pessoa mais experiente. 
Uma pessoa lapidada por inúmeros erros, que se tornou melhor em algumas coisas e pior em outras. 
Uma pessoa que nem por isso deixou de cometê-los, às vezes os mesmos, outras vezes diferentes, mas sempre errando.

O futuro, engraçado, nunca chega. Sempre o estamos esperando. Passamos noites sem dormir à sua espera. Planejamos, sofremos por sua distância que nunca tem fim. Esse tempo incerto que nem ao menos sabemos se virá. 

Após essa angústia por futuro me fazer ficar de cama uma semana, senti como se a vida estivesse me sacudindo e dizendo: Ei, você, pare! 
Uma pausa forçada para perceber o que eu estava deixando passar: o hoje.

Esse que nos chega todas as manhãs, logo ao abrirmos nossos olhos, que nos traz magníficas surpresas, oportunidades, pessoas... Esse mesmo que nos agracia com uma boa chuva, ou um calor difícil de suportar, algumas tragédias difíceis de aceitar e entender... Mas ele está aqui, bem diante dos nossos olhos e ao alcance de nossas mãos, para fazermos dele o que quisermos.

As lágrimas que chorei ontem, hoje secaram. Os erros que cometi ontem, hoje se repetem, ou não. Os medos que tive ontem, talvez os tenha hoje, ou não.
Os desejos que tenho para amanhã, preciso começar a realizá-los hoje. 
Para me tornar melhor amanhã, preciso começar a me mudar hoje. Todos os dias, até o fim. 

Ontem, hoje e amanhã. 

Precisamos prestar atenção ao hoje, para não cometermos erros maiores do que ontem e, assim, não prejudicarmos nosso amanhã.

Quando entendemos a importância que tem o momento presente em nossas vidas, somos gratos por quem o passado nos fez e trabalhamos arduamente para levar o melhor de nós para o futuro.

Desejo a você que leu, um futuro recheado de grandes coisas que começaram a ser aprendidas e sonhadas desde ontem e que estão sendo lindamente trabalhadas HOJE.

Não precise adoecer para que possa entender isso.