terça-feira, 30 de junho de 2015

Amadurecer é: Descer do salto

Como de costume estou compartilhando um texto de outra pessoa que gostei muito. Tem muito a ver com meu momento e com o momento de muitas mulheres que conheço. Espero que gostem.
Amadurecer é: Descer do salto alto do blog Sábias palavras  
Dia desses, olhando fotos antigas e a minha velha pasta de músicas de cinco anos atrás, percebi o quanto eu cresci – é que o amadurecimento tem dessas, é mensurável pelas coisas mais simples.
Reparei no meu cabelo escovado no porta-retratos. No salto alto e na cara de sofrimento, provavelmente pelas dezenas de calos nos meus pobres pezinhos. Ou pela pose que tinha de ser mantida, por tudo o que me impedia de me exceder na bebida (ou, aliás, de me exceder em qualquer coisa que fosse). Talvez pelo cara bonito com quem eu não poderia puxar assunto, pois, eu precisava esperar ele vir me convidar pra dançar.
Quais eram, afinal, essas grades invisíveis que me aprisionavam? Que força horrenda mantinha meus pés dolorosamente equilibrados naqueles saltos 15? Pra quem eu precisava provar que eu era esguia, comportada e tinha absoluto autocontrole? Na verdade, eu não pensava sobre isso na época – e, mesmo se pensasse, provavelmente eu não encontraria essas respostas.
Mas, depois de muitos calos, eu as encontrei: É que chegamos a uma fase da vida em que não precisamos provar nada pra ninguém. É quando a gente escolhe, constantemente, as sapatilhas. É quando a gente se joga de cabeça sem medo de sair descabelada. É quando a gente não tem medo de perder, por que a gente entende que não há o que ser perdido. Não há nada em jogo além da felicidade. E como ser feliz quando não se é livre?
É claro que o salto alto é bem-vindo, porque, convenhamos, nos deixa absolutamente sexys como num passe de mágica. Mas, entre estar confortável e impressionar alguém, a gente não pode mais titubear na resposta. É preciso optar por si mesmo.
A gente olha pros lados e não procura um olhar de desejo ou de despeito – a gente procura um novo drink, um novo amigo, um novo livro, um novo lugar, uma nova música… A gente entende que o que os outros pensam ao nosso respeito não nos diz respeito.
E a gente entende, sobretudo, quanta beleza há em estar confortável. Na cara lavada, nos pés no chão, nas roupas menos justas (e não menos sexys), no corpo de quem se cuida sem esquecer – nem por um segundo – de ser feliz.
E que o que importa nessa vida é cuidar da gente e de quem cuida da gente. Que dá pra sair sem protetor solar de vez em quando. Dá pra assumir  o cabelo natural. Dá pra usar chinelo de dedo. Dá. Dá pra dar no primeiro encontro. Dá pra se exceder na bebida de vez em quando – ou quase sempre, por que não? Dá pra viver, reviver, começar tudo de novo. Dá pra amar, dá pra sonhar. Dá pra ser feliz.
Por: Nathalí Macedo

Quando nasce uma mulher (?)

Definitivamente não é fácil nascer mulher...
Na minha geração e nas passadas, éramos presas por correntes invisíveis.
Pelo menos não era fácil na época da minha avó, da minha mãe e na minha.
Nascíamos fadadas a aprender a cuidar dos outros, mas nunca ensinadas a nos cuidar.

Digo cuidar de nossos sonhos, de nossas vontades, de nossas fantasias e desejos.
Tínhamos que cuidar de como deveríamos nos sentar, principalmente usando saias. 
Não podíamos ingressar no universo dos meninos: das bolas de gude, das pipas, dos carros de rolimã...
Se você ficar no meio dos garotos, vai ficar mal vista. - dizia meu pai.
Quando por ventura nos aventurávamos a "desobedecer" éramos chamadas de rebeldes, ovelhas negras, revoltadas... e uma infinidade de outros rótulos que insistiam em nos dar, porque simplesmente queríamos fazer interseção entre os dois mundos.
Na época da minha mãe e da minha avó ainda era pior. As mulheres eram obrigadas a aprender a bordar, cerzir, cozinhar, imagine só? (Nada contra esse tipo de aprendizagem, que fique claro. Até gosto, faço e acho relaxante.)
Casavam-se cedo. Antes dos 15 as avós e antes dos 20 as mães.
Não sabiam nem o que era estar com um homem. Não sabiam nem se gostavam de homens.
Eu, apesar de ter me casado bem jovem, consegui passar pela transição disso. Aprendi a jogar bolinha de gude, soltar pipa, brincar de carrinho. Tive tempo de me decidir se gostava de homens, tive alguns "ficantes", alguns pouquíssimos namorados (acho que três) e me casei com um deles. E penso que o fiz cedo demais. Enfim...
O conceito de ser mulher está bem mudado. Graças a Deus são outros tempos. Tempos em que as mães (como eu) criam suas filhas para serem o que quiserem. Para irem onde quiserem e como quiserem, desde que se sintam bem.
São tempos melhores. Mais felizes. 
Tempos em que nos sentimos bem em sermos nós mesmas. Tempos em que nos achamos tão belas que queremos mostrar ao mundo o quanto o somos. Tempos em que cortamos o cordão umbilical da culpa. A culpa de se nascer mulher.
Em tempos remotos era maldição ter filha mulher. Em alguns lugares do mundo ainda é.
Hoje podemos escolher entre ficarmos em nossa companhia, não nos sentimos obrigadas a ter um par, a estar com alguém, a planejar uma vida com outra pessoa.
Hoje é normal viver sozinha, não querer ter filhos, não ceder à pressão que a sociedade nos impõe.
"Você precisa se casar." "Você precisa ser mãe." "Você precisa ser magra." " Você não pode se separar do seu marido." " Você não consegue se virar sem um homem do lado."
Tantas mentiras nos foram ditas...
Divulgação
Até o belo dia em que despertamos e vemos o quanto somos especias. Lindas, inteligentes, interessantes, divertidas, sensuais... e LIVRES.
Livres para irmos e virmos. Livres para sermos e para não sermos. Livres para experimentar. Livres para não nos preocuparmos com o que os outros pensam.
Livres para não nos tornarmos escravas dos padrões estéticos e da moda. 
Livres para não precisarmos melhorar a aparência para não perdermos nosso homem (ou mulher).
Livres para andarmos de chinelo e descabeladas pelo nosso bairro ou em Paris.
Livres para comermos lasanha sem culpa, tomar cerveja, jogar sinuca...
Livres do tabu do sexo. 
Livres para sermos. 
Simplesmente. 
Não pense que todas nós alcançamos esse patamar.
Não ainda.
É preciso uma força descomunal para remar contra a maré  das convenções e um desejo ardente em se desapegar do que nos puxa para baixo.
Quando alcançamos esse nível de evolução, aí sim nasce verdadeiramente uma mulher.

Dedico a todas as mulheres que chegaram a esse nível e a todas que estão lutando para alcançá-lo.




sábado, 6 de junho de 2015

Ser homem e ser mulher não importa o perfume

Obviamente, não nasci sob o sexo masculino para sentir na pele o que é ser homem, mas tive um pai, três irmãos, marido e filho (que pretendo que seja um grande ser humano).
Sem contar os amigos, paqueras, namorados...enfim...
Já do assunto ser mulher, entendo bem.
E aproveitando o mês de junho, que é o mês do amor comercial e do orgulho LGBT vou fazer um especial sobre homens, mulheres e relacionamentos.


Na sociedade em que fomos criados, os homens foram educados para serem os machos comedores e as mulheres para manterem suas bocas e pernas bem fechadas.
Então, já que crescemos numa visão distorcida sobre gêneros, vou falar um pouco aqui sobre o que eu penso ser cada um e ao mesmo tempo os dois.

O que é ser homem ou mulher? (ou o que deveria ser, na minha visão)

Homem deveria, em primeiro lugar, respeitar a mulher. 
Porque afinal de contas, todos nós fomos gerados por uma e, por isso e, somente por isso, devemos reconhecer a mulher como um ser sagrado, já que é em seu ventre que a existência se faz plenamente.
Quando falo em respeito, falo em colocar-se no lugar do outro e não fazer com ele o que gostaria para si. Independente do gênero.
Um homem, jamais deveria olhar para uma mulher como um objeto, porque não gostaria que olhassem para sua mãe, irmã ou filha como um. 
Mas os pais (e mães) educavam (e ainda educam) seus filhos para que passassem o rodo em qualquer mulher que "desse sopa".(Prendam suas cabras, porque meu bode está solto! - quem nunca ouviu tal frase?) 
E assim o mundo foi se enchendo desses trastes que ainda vemos aos montes por aí... 

E se... seu filho não gostar de mulheres? 
E se... sua filha gostar de mulheres ao invés de homens?

É chegada a hora de mudarmos a forma de criar nossos dependentes para esse novo mundo.
Ensinar que chamar uma pessoa de gay, não é xingamento ou ofensa. 

Homens e mulheres deveriam simplesmente ser IGUAIS. Simplesmente HUMANOS.

Ser homem ou ser mulher é ter palavra, porque palavra desde os tempos mais remotos para as pessoas de boa índole, vale mais que ouro (prometer e cumprir, se não puder,  se justificar e pedir desculpas).

Ser homem ou ser mulher é honrar seu compromisso - seja namoro, noivado, casamento - não enganando, traindo ou mentindo para a pessoa que está ao seu lado.

Um homem ou uma mulher de verdade não some da vida de outra pessoa, mesmo que tenha um affair de uma noite, sem dar uma explicação, porque simplesmente, as pessoas não devem ser tratadas como coisas. Se você não tem interesse em prosseguir, reencontrar a pessoa, simplifique, diga e se for o caso, nem peça o telefone.

Um homem ou uma mulher de verdade não precisa gostar de pessoas do sexo oposto.
E não devem, sob nenhuma hipótese, sentir vergonha do que são, por causa do preconceito que ainda é muito grande.
Afinal, homens, mulheres, seres sexuais, são vítimas de preconceito desde que o mundo é mundo. 
E mesmo assim se amam.
Porque o amor independe de gênero.






terça-feira, 2 de junho de 2015

O segredo do casamento

Como eu gosto de colocar em meu blog textos de outros autores que valham a pena ou que eu gostaria de ter escrito e que caem na minha mão na hora certa.
Segue na íntegra o texto:

"O segredo do casamento não é a harmonia eterna.
Os arranca-rabos são inevitáveis.
O segredo, no fundo, é renovar o casamento,e não procurar um casamento novo”
Meus amigos separados não cansam de me perguntar como eu consegui ficar casado trinta anos com a mesma mulher.
As mulheres,sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo.
Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja,querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo.
Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas,dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue.
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar.Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade.
Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher.
Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque
ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.
O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.
O segredo, no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo.
Isso exige alguns cuidado se preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal.
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos, é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se vender, seduzir e ser seduzido.
Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-Ia ou conquistá-Ia como se seu par fosse um pretendente em potencial?
Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel,sem os filhos eternamente brigando para ter sua irrestrita atenção?
Sem falar nos inúmeros quilos que se acrescentaram a você; depois do casamento.
Mulher e marido que se separam perdem 10 quilos num único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo? Faça de conta que você está de caso novo.
Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a frequentar lugares desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa,os discos, o corte de cabelo e a maquiagem.
Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.
Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas.
Muitas vezes não é sua esposa que está ficando chata e mofada, são os amigos dela (e talvez os seus),são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração.
Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo,que é justamente um dos prazeres da separação.
Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um
novo bairro, um novo círculo de amigos.
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso.Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar.
Isso obviamente custa caro, e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa apagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.
Mas,se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas, e você ainda terá a pensão
dos filhos da união anterior.
Não existe essa tal “estabilidade do casamento”, nem ela deveria ser almejada.
O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos.
A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma “relação estável”, mas saber mudar junto.
Todo cônjuge precisa evoluir, estudar,aprimorar-se, “interessar-se por coisas que jamais teria pensado fazer no início do casamento.
Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer
na própria família?
É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.
Portanto, descubra o novo homem ou anova mulher que vive a seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par.
Tenho certeza de que seus filhos os respeitarão pela decisão e
se manterem juntos e aprenderão a importante lição decrescer e evoluir unidos apesar das desavenças.
Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão; por isso de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-Io sempre com o mesmo par."
Este artigo de Stephen Kanitz foi publicado na Veja dia 14 de setembro de 2005, edição 1922, ano 38, no. 37, página 24. Vive sendo circulado na net como sendo do Arnaldo Jabor, mas não é.
Fonte: http://blog.kanitz.com.br/segredo-casamento/