sexta-feira, 1 de maio de 2015

Dia do trabalhador: profissão professor

Eu tento não me contaminar e não sentir raiva de certas coisas que leio na Internet, vai desde os sites bizarros com informações vazias até as pessoas bizarras de coração vazio.
Eu acredito que se estamos todos no mesmo lugar existe algum motivo para isso.
E se temos a oportunidade de viver, creio que seja necessário evoluir fazendo alguma coisa de bom com isso.
Eu, como várias pessoas que habitam este planeta, sinto as dores do mundo. 
Me incomoda ver gente destilando mesquinhez, intolerância, ignorância, que procura justificativa até para a violência e o que não podem justificar responsabilizam Deus ou demonizam o que não são capazes de compreender.

Me lembro que quando ingressei na faculdade de Letras o único objetivo que eu não tinha era ser professora. 
Mas a gente não escolhe ser professor, a gente nasce. 
Eu tentei lutar contra isso, minha mãe dizia pra eu fazer magistério, eu fui contra a maré por dois motivos: primeiro porque adolescente gosta de contrariar os pais e segundo porque eu sabia que se tivesse que ser professora, a vida me encaminharia para isso, mais cedo ou mais tarde.


É triste ver o que acontece quando os poucos que se unem em favor dessa classe e buscam lutar por melhorias para o todo, são tratados de forma truculenta pelo Estado, que usa de violência com aqueles que são a base do país.
Somos sim a base do país, até os policiais que agridem (acredito que uma minoria é capaz disso) passam pelas mãos de um professor e todos os outros profissionais não existiriam se não existíssemos. 
No entanto, é clichê dizer que deveríamos ser a profissão mais valorizada. 

Existem realmente alguns que saem de suas casas e trabalham por estabilidade, pelo mísero salário das prefeituras e dos estados, pela jornada semanal de 20 horas em sala, por férias duas vezes no ano e feriados prolongados. 
Mas existem aqueles que trabalham mais 148 horas em casa. Porque professor de verdade trabalha integralmente. 
Eu ainda deixo muito a desejar, sei disso, ainda tenho muito a aprender, mas acredito que estou no caminho certo.

O principal de ser professor está além do que os planos de aula, os diários, os livros e cadernos compreendem.
É olhar cada um dos seus 1000 alunos e saber que hoje ele acordou de ovo virado e precisa de uma atenção especial, ou simplesmente que não pisem no calo dele, que hoje ele precisa de um olhar amigo que o conforte porque alguma coisa o machucou e ele não sabe como se expressar.
É ser lembrado anos depois por um aluno porque você fez diferença  em sua vida de maneira positiva, ou quando ele se lembra de alguma coisa que você gosta em uma de suas viagens, ou  ainda quando ele simplesmente te chama fora de hora porque confia que você pode ajudá-lo numa tarefa ou conselho.
Ser professor não tem preço. 
Muitos colegas hão de discordar de mim e eu não me importo sinceramente já que prefiro a doçura, o carinho, o respeito dos alunos e a agitação da sala de aula aos colegas que me criticam porque não sabem criar laços.

Quando ser professor se torna apenas uma fonte de renda realmente se torna um trabalho muito maçante.

Para terminar, cito Mahatma Ghandi: "Seja você a mudança que quer ver no mundo."

O mundo não é mais o mesmo, é um lugar conflituoso e cheio de egos, mas para torná-lo um lugar melhor,  temos muitas sementes para plantar nos corações com os quais lidamos, terrenos ainda muito férteis.







Nenhum comentário: