sábado, 29 de novembro de 2014

Impressões na sala de aula



Os últimos dias letivos do ano são sempre movidos por uma tensão iminente. Professores cansados, alunos desesperados por notas, ou aqueles admiráveis que simplesmente querem terminar com as notas acima da média. 

Ontem enquanto aplicava as provas, olhava aturdida a turma. Alguns inquietos, outros viajando não sei para onde, outros concentrados, porém todos pensativos. 
No meu pensamento eu devaneava sobre como é bom quando as provas da nossa vida são as escolares. Quando nossa maior dor é ter que acordar cedo, tomar café da manhã, organizar nosso material, estudar e fazer provas.

Em contra partida, me lembro também quando encontramos o arroubo da paixão e ficamos ansiosos pelo dia seguinte, para ver aquele ou aquela do colégio que faz nosso olho brilhar, que nos dá vontade de escrever poemas nas páginas finais do cadernos. Escrever seu nome dentro de um coração junto ao nosso.
Quando amamos alguém na escola, as férias são um interminável castigo que dura até a nossa primeira viagem de verão, ou um passeio na casa da avó, quando brincamos com os amigos dos nossos primos e esquecemos o que deixamos para trás, ou para o ano seguinte.

Olhando aqueles rostos adolescentes, olhares pensativos, sobrancelhas eriçadas, bocas que se movimentam sem som, eu tentava ler seus pensamentos. Os apaixonados, os perfeccionistas, os desesperados, os tranquilos que a cada questão terminada com aquele feição de "esta é fácil!" dividindo comigo a sua interminável e tensa manhã.

Manhã que para mim se fez poética.

Posso dizer que tais experiências são maravilhosas. Esta, especialmente me fez voltar no tempo e sentir saudades da adolescência. Fase que sempre queremos que passe bem rápido para chegarmos à vida adulta.

Ah! Se eles soubessem que as provas da vida adulta são tão mais difíceis e mais chatas...
Que o sofrimento do amor não dura o período das férias de verão e que estar na média é frustrante e causa depressão nas pessoas adultas.

Eu não queria voltar naquela época porque a vivi bem, mesmo tendo dado mole para muitas coisas que hoje me fazem falta. 
Se eu pudesse dar um conselho àqueles rostos todos que eu minuciosamente analisava na manhã de ontem seria: Não tenham pressa, aproveitem o dia!
(E estudem para expandirem suas mentes e consciências.)

Dedico este post a todos os meus alunos adolescentes, os quais eu tenho o privilégio de acompanhar seu "florescimento".




Um comentário:

Rafaquario disse...

Ah o tempo....
É certamente a força mais incontrolável que todos queremos controlar.
Lendo esse texto, pude pensar por uns instantes, se o pensamento de meus professores, tão importantes pra mim, compartilharam desse momento também.
Fascinante Chris!
Obrigado por trazer as recordações daquela época, para estes dias tão complicados.
Sucesso!