sábado, 18 de outubro de 2014

Respondendo a Antoine

Prólogo:





"Esta é, para mim, a mais bela paisagem do mundo, e também a mais triste. É a mesma da página precedente. Mas desenhei-a de novo para mostrá-la bem. Foi aqui que o principezinho apareceu na terra e desapareceu depois.
Olhem atentamente esta paisagem para que estejam certos de reconhecê-la, se viajarem um dia na África, através do deserto. E se acontecer passarem por ali, eu lhes suplico que não tenham pressa e que esperem um pouco bem debaixo da estrela! Se então um menino vem ao encontro de vocês, se ele rí, se tem cabelos de ouro, se não responde quando interrogam, adivinharão quem é. “Então, por favor, não me deixem tão triste: escrevam-me depressa que ele voltou...” (Antoine De Saint-Exupéry - O pequeno príncipe)


Meu estimado Antoine,


Ontem terminei de ler seu livro outra vez.

Já perdi as contas de quantas vezes na vida o li e reli desde os oito anos de idade. Sei que a penúltima foi aos trinta, grávida.
Cada leitura que fiz tive uma compreensão diferente. Acredito que devam ser assim as releituras dos livros preferidos.
Porém, desta última, lia para o meu filho de seis anos. 
Devo confessar que terminei o último capítulo e o epílogo já com a voz embargada, imaginando sua saudade e tudo o que você vivenciou ao lado do principezinho até o momento de sua partida. Me emocionei como nunca antes havia me emocionado. Deve ter doído muito, imagino.
Mas Antoine, voltando ao epílogo, estou escrevendo para contar que ele voltou. Sim Antoine, ele sempre esteve aqui! 
Você o guardou tão bem guardado dentro do meu coração, dentro do coração de cada um que o tenha lido que podemos encontrá-lo aos milhares.
Eu mesma tenho um belo exemplar de pequeno príncipe na minha casa.
Demorei muitos anos para responder aos seu pedido e peço-lhe muitas desculpas por isso, mas as palavras nos chegam sempre na hora exata. Nem um minuto antes.
Ah, Antoine! Como eu gostaria de poder lhe abraçar em agradecimento e lhe mostrar o meu pequeno príncipe...
Eu sempre soube que um dia ele viria para mim também. 
Ontem, antes de dormir, ao terminar de ler seu livro, eu o abracei e dormimos.

Espero que um dia possa eu escrever um livro sobre um pequeno príncipe e que seja tão belo e tão marcante como o seu foi para a minha vida.


Para finalizar, gostaria de lhe agradecer, por tudo, mas principalmente por mandar um menino nos ensinar coisas tão essenciais que não podemos enxergar com os nossos olhos. Somente com o coração.



Espero que um dia nos encontremos no céu dos escritores.

" Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo..."

Principezinho, como tu me cativara!







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