domingo, 7 de setembro de 2014

Constatações

Devo confessar:
Algumas vezes, questiono minha fé. 
Me revolto com a vida, com as pessoas e até com Deus. 
Depois peço perdão, por ser tão fraca.
Me revolto quando fico muito frágil. Vou somatizando minhas fraquezas e isso reflete no meu corpo.
Não me permito a imperfeição. Mas aprendi a lidar com isso.

Aprendi quando descobri que tudo na vida tem uma razão de ser.
As pessoas devem estar no lugar certo, na hora certa. Nem mais. Nem menos.
Aprendi que não somos obrigados a plantar nenhuma semente, mas, uma vez plantada, a colheita será obrigatória e compulsória.
Decidi plantar o amor e o bem.
Mesmo cometendo alguns erros.
Resolvi acreditar nas pessoas. O mundo tem muita gente ruim, sim, eu sei. Mas tem muito mais gente boa.


Descobri que há beleza nas coisas mais improváveis, que o mundo é uma bela obra de arte, que se olharmos com cuidado e atenção, todos os dias ele nos surpreenderá com uma bela e inusitada imagem.
Não sei se todas essas constatações se dão porque conforme vamos nos aproximando do final que sabemos que nos espera, ou se ficamos mais sensíveis quando envelhecemos mais um ano.


Sei que hoje, ainda vejo o mundo como uma criança que acredita que tudo é bom e belo.
Muitas vezes me desaponto, mas não deixo de acreditar que é possível.
Tinha muito medo de me arriscar, agora tenho bem menos.
Mas creio com toda a força do meu coração que um dia o pouco medo do desconhecido que ainda me resta, será totalmente extinto.

Quando me lembro que o dia que eu tenho é hoje, vivo.
Ontem e amanhã são dois tempos que não nos pertencem.
Não tenho medo de mudar de ideia e nem mudo quem eu sou para que as pessoas gostem de mim.
Meus valores, minhas crenças, minhas origens são as heranças mais importantes que deixarei para meus filhos, quando aqui não mais estiver.

Talvez, pensar que eu possa estar chegando na metade de vida (isso é apenas uma suposição) faça com que eu veja as coisas de uma maneira mais otimista.
Um dia, tudo o que vemos hoje, não existirá mais. 
Talvez nesse dia eu nem pense mais tudo isso que constatei e agora escrevo.
Talvez nós não estejamos mais aqui.
Mas enquanto estivermos, pensemos no que iremos plantar, nas pessoas que machucamos, no bem que deixamos de fazer e no mal que não impedimos que aconteça.
Assim, dormiremos no melhor travesseiro que existe: Uma consciência tranquila.





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