sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Uma mosca

O devaneio do dia começou no caminho de volta para casa. Comecei a analisar aquele velho dito "Queria ser uma mosca para entrar na cabeça de fulano."
Quem nunca?!
Comecei a querer entrar na cabeça daquelas pessoas que dizem que estão com saudade. Dos amigos, dos familiares... Aquelas mesmas que dizem que querem muito te ver, que querem por o papo em dia, que sentem sua falta, que querem marcar um almoço um dia e que sequer respondem uma mensagem ou ligação sua quando você procura.
Um dia quem sabe...
O que diabos se passa na cabeça desses seres?
Depois quis entrar na cabeça das pessoas que pensam que tem o outro. Apesar de sabermos que ninguém é dono de ninguém, mas pensa que é.
Dessas pessoas que pensam que são donas das outras, divido-as em três tipos: 
1- Aquelas que querem controlar cada passo do outro, saber da hora que respira, que come, que dorme, que faz cocô...
2- A outra parte delas que também pensa que é dona mas que não faz por onde ter o mérito da companhia do outro, que deixa de lado, que trata o outro como um móvel da sala de estar, pensando que aquele alguém vai ficar ali estático, esperando seu tempo, sua vontade, sua atenção.
3- E para finalizar o segundo tipo de pessoas que eu queria saber o que pensam são aquelas que não querem, mas também não largam. Essas são as mais irritantes do quesito. Rodeiam até conquistar, depois somem sem deixar vestígios, quando percebem que estão perdendo, voltam pra marcar território. E essa lenga-lenga dura até que o rodeado se canse de ser o brinquedo. Mas isso demora. ( taí outra coisa que eu queria entender. Por quê algumas pessoas se deixam passar por isso?!)
Creio sinceramente que se pudéssemos ser essa mosquinha que entra no pensamento das pessoas, talvez não nos surpreendêssemos tanto ou talvez víssemos coisas que nos deixariam de cabelo em pé.
Mas seria bem interessante, entrarmos no pensamento das pessoas boas, das pessoas más, saber o que as faz ser da forma que são.
Mas são mistérios que morreremos sem entender. O que se passa na cabeça do outro.
Muitas vezes penso em me isolar, para não sentir e nem causar dores, mas sei que é impossível. Sei que é necessário conviver com os mistérios e loucuras da mente humana.
Penso que nem a nossa própria mente conseguimos alcançar por completo. Certas vezes nos surpreendemos a nós mesmos. 
Dentro de cada mente há um universo, seria muita pretensão de nossa parte, querermos desvendar outros universos além do nosso próprio que é tão vasto.