quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Obesidade mórbida do espírito

O outro post que fiquei devendo sobre a palestra que assisti de Leila Ferreira foi sobre a Obesidade Mórbida do Espírito...
As pessoas se preocupam com o corpo, em mantê-lo belo, sarado, em dietas mil e se esquecem de cuidar do espírito.
Esquecem de exercitá-lo, fazendo com que ele ingira os piores alimentos como o mau humor, a inveja, a ignorância, a impaciência, o recalque... e por aí as porcarias vão se acumulando...
E nosso espírito se torna pesado, obeso de negatividade, nos tornando pessoas amargas, intoleráveis, pesadas para o convívio alheio.
Quando Leila falou sobre isso, falou também como uma pessoa com espírito obeso pode contaminar um ambiente inteiro.
Imagine uma sala com 10 pessoas e um mau humorado adentra... Ele sozinho, contaminará com seu espírito obeso todo o ambiente e as dez pessoas sairão de lá carregadas, com o espírito tão obeso que precisarão de muita oração para limpar tanta sujeira...
Isso é muito sério.
"Há tempos brinco com minhas amigas obcecadas por dietas sobre o perigo que corremos de emagrecer o corpo e ficar com obesidade mórbida de espírito. Corpos rijos e enxutos, construídos com disciplina mais do que espartana, circulam num mundo cheio de almas adiposas, engordadas pela autocomplacência. Com o corpo, todo o rigor é pouco, mas nos perdoamos com enorme facilidade por nossa impaciência, nossa falta de civilidade, nossa incapacidade de ouvir, nossa rispidez.

Achamos natural agir de forma desagradável com os outros porque estamos estressados. Mas nossos comportamentos vão deixando o mundo mais estressante. E não são apenas os outros que nos rodeiam que saem perdendo. O peso na alma afeta profundamente a pessoa que o carrega – ainda que não perceba. Seres que passam a vida arrastando correntes são infelizes. Almas gordas, mais que intoxicar os outros, intoxicam-se.

Os antigos egípcios tinham uma crença interessante:achavam que, na longa viagem que os mortos enfrentariam até chegar a seu destino, seriam obrigados a participar de um ritual chamado pesagem da alma. Na cerimônia, presidida pelo deus Osíris, o morto fazia sua defesa e se declarava inocente de vários pecados. Em seguida, passava por uma prova:seu coração, considerado a sede da consciência, era colocado numa balança. Se pesasse mais que uma pena de avestruz, o morto estaria condenado a uma série de castigos e poderia até ser devorado por um monstro. Almas leves, em paz com a consciência, tinham a chance de seguir seu caminho e eventualmente chegar ao paraíso.

Algumas pessoas que aparecem aqui são leves, outras ensaiam ser. Mas todas acreditam na importância de se refletir sobre a quantidade (e a qualidade) da bagagem que transportamos nessa brevíssima passagem por este planeta." (Leila Ferreira - A Arte de Ser Leve)

O pior é que a cura para a obesidade mórbida do espírito é bem simples.
Não inveje, não mal trate, tenha paciência (ela é um exercício diário e pesado), seja gentil, seja doce, faça um elogio a alguém quando sentir vontade...
Leila Ferreira resumiu a cura desse mal numa simples frase: " O segredo da felicidade é ser legal".
Isso mesmo: Ser gente boa.
As pessoas que são gente boa sempre tem amigos em volta, convites para sair, são amadas, respeitadas...
Eu sem modéstia nenhuma tenho uma vida feliz porque sou gente boa, até com quem não merece que eu seja.
Vamos pegar os limões e fazermos uma limonada bem doce!
Pessoas mal humoradas xô!
"Tem gente que vem pro mundo de caminhão e tem gente que vem pro mundo de bicicleta. Eu sou da turma da bicicleta."
"É preciso ser leve como o pássaro e não como a pluma" A pluma flutua - um voo sem plano, sem direção, sem desafios. Os pássaros riscam o ar com precisão, colocam a leveza a serviço do existir. Uma pedra pode interromper o voo, mas até que isso aconteça as asas sabem como e onde ir. Quando penso em leveza, penso na possibilidade de sermos pessoas capazes de deixar o mundo menos opaco, menos pesado, menos inerte. Pessoas que se sentem melhor com elas mesmas e são mais agradáveis, mais delicadas, mais generosas. Acima de tudo, pessoas que conseguem também fazer a viagem (cada vez mais rara) de sair delas próprias para enxergar o outro."

Um comentário:

Teresinha disse...

Olá minha pequena e adorável escritora! Te encontrei por acaso, navegando nesse imenso oceano virtual e a reconheci pelos olhos – fundos, silenciosos, pescadores de palavras , poéticos... Li o seu texto sobre inferências, o qual adorei. E comecei a passear pelo seu blog como quem retorna a um jardim muito bem cuidado e fui encontrando as flores que um dia, ajudei a plantar... Percebi que são maravilhosas, coloridas, perfumadas, alegres, tristes, irreverentes, mas todas , sem desprezar nenhuma, profundamente belas. Coincidentemente, estou lendo “A arte de ser leve, da Leila Ferreira ( penso que ainda temos muito em comum!!!) e me chamou a atenção uma frase “Quem escolhe fazer de seu cotidiano um exercício de delicadeza e respeito, certamente tem mais chance de envelhecer com leveza”Hoje ao ler o que você escreveu sobre a minha pessoa, fiquei delicadamente emocionada e muito feliz em saber que você floresceu delicadamente. Se conseguirem marcar o encontro da turma, me convidem. Faço questão de abraçar a todos vocês que com certeza, foram os meus mais brilhantes alunos....Acho que a frase do antropólogo Tião Rocha , no livro da Leila diz que , “ a gente quer tanto ser substantivo que perde os adjetivos” nunca prevaleceu como parâmetro para o meu trabalho na educação. Cada um de vocês sempre carregava inúmeras qualidades singulares;sobravam adjetivos.... Eu sempre acredito que o ser humano pode dar certo... Você é uma prova disso. Estou muito orgulhosa e imensamente feliz por ler seus textos e saber que esse seu blog teve início,lá na Sandoval, nas nossas aulas maravilhosas, no nosso jornalzinho (lembra?) . Continue florescendo e fazendo florir...espalhando sementes e construindo jardins. Agindo dessa maneira, podemos não dar conta de consertar o mundo, mas que vamos deixá-lo um pouquinho mais bonito, lá isso , vamos!!! Beijo no seu coração. Teresinha.