segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Inferências

No dicionário: Inferência: S.f. Operação intelectual pela  qual se passa de uma verdade a outra, julgada tal em razão de seu liame com a primeira: a dedução é uma inferência.

Muitas coisas na última semana, me fizeram pensar em quando, na faculdade de Letras, estudei inferência em Análise do Discurso.

E você vai me perguntar: o que isso tem a ver com as relações humanas?
E eu vou lhe responder: Tem tudo ou muito a ver.
Quando pensamos no que o outro quis dizer, ou no porque de ele hoje ter tido uma atitude diferente da habitual, ficamos imaginando N motivos pelos quais isso aconteceu.
E geralmente pensamos em motivos ruins. 
Deduzimos milhares de besteiras e encaminhamos uma relação para a crise gratuitamente.

Isso não acontece somente nos relacionamentos a dois, mas nas amizades também.
Conversas fiadas são grandes contribuintes para os amigos fazerem inferências.

Querer saber o que se passa na cabeça do outro, ou seja, imaginar o que ele está pensando, pode nos levar a um sofrimento desnecessário, a julgamentos errados, a infinitas possibilidades de estragar uma boa relação.

Eu inferi que ele (a) queria terminar, só porque não me respondia as mensagens, ou porque não me ligava mais durante o dia como antes, ou porque não tinha tempo para me ver e eu achava que ele estava me dando alguma desculpa, ou quando ele atendeu aquela ligação rapidamente, ou quando ele respondeu aquela mensagem...
Ele (a) inferiu que eu tinha medo de me envolver, ou que já tinha me conquistado e não precisava mais fazer nada, ou que eu não gostasse mais dele como antes e por isso deixei que as coisas ficassem como estavam, ou que se eu saísse com as minhas amigas ia dar mole para outros caras...
Fazemos isso o tempo todo. Envenenamos relações que tinham tudo para ser bonitas, duradouras, felizes, por tentarmos adivinhar o pensamento alheio e 99% das vezes fazemos isso de forma errada.

Os últimos anos, meses, dias e semanas da minha vida eu fiz muitas inferências e elas me levaram a concluir que não devemos NUNCA fazer isso, porque infelizmente, acabamos por estragar relações que tinham tudo para dar certo e não deram pelos frutos podres de nossa imaginação.
Pense nisso.



3 comentários:

Jojoy disse...

Amiga, nunca vi um post descrever tão bem a minha semana cheia de inferências, umas bobas e outras que custaram uma amizade... mas a cabeça da gente viaja demais de vez em sempre e ainda bem que temos amigos pra nos ajudarem a retroceder dessa viajem.

Anônimo disse...

A nossa própria vida pode ser considerada como uma grande inferência. E não acha que façamos isso por gosto, mas sim, por instinto...
Concordo com vc em tudo que disse. E faço uma reflexão sobre o assunto. Por um mundo sem inferências, isso devia ser tema pra uma campanha!
:P

magnosam disse...

As inferências circunstanciais celebram sempre o acontecido reverso do mesmo instante, extrapola o medo e o receio que vem de dentro. A insegurança e o apêgo em demasia leva a esse tipo de inferências e que resulta no ciúmes e na maledicência humana. Fatos abomináveis destruidores do relacionamento. Parabéns pelo texto.