domingo, 4 de setembro de 2011

A vida é um sopro

Este é um relato de quem quase viu a vida escapar três vezes. EU
Se eu tiver sete vidas, que bom que ainda tenho mais quatro para gastar.
Quando eu tinha quatorze anos, fui atropelada por um bêbado numa calçada, enquanto voltava alegre com minha amiga Sônia de algum lugar, que não me lembro, mas acho que era da praça de Ibirité num feriado, que também não me lembro.
A única lembrança que tenho é de um carro vindo em nossa direção e eu até o último minuto achando que aquilo não estava acontecendo.
Quando vi que não tinha mais jeito, empurrei a Sônia e tomei uma cassetada na perna direita. Voei por cima do carro e minha cabeça parou colada na roda de trás. Graças a Deus o bêbado que dirigia não deu ré, senão não estaria aqui agora escrevendo isso...
Senti a alma sair do corpo por uns instantes que não sei precisar, depois retomei a consciência sem entender nada do que tinha acontecido.
Se eu tivesse morrido nem ia perceber.
Mas enfim, a segunda vez não foi muito diferente, eu ia trabalhar de manha, era 14 de novembro de 2003 e fui pega por uma moto na faixa de pedestre com o sinal verde para mim. 
De novo, minha alma correu do corpo, porque ela não é boba, né?
E a loucura toda de retomar a consciência e não entender porcaria nenhuma do que está acontecendo.
Depois quando viu que estava tudo quase bem, voltou, mas minha perna direita ferrada de novo. E foi o meu primeiro rolé de cadeira de rodas. Inesquecível.
Ontem foi a terceira vida gasta, ganhei uma carona de moto e fatalmente derrapamos na areia e fomos pro chão. Estávamos a uns 40km/h mas tombo de moto é sempre tombo de moto e sempre deixa umas escoriações...
E de novo a alma saiu do corpo, quando voltou vi sandália pra um lado, roupa rasgada e meu amigo Thiago lá na frente com a moto ambos caídos.
Depois vou até perguntar a ele se teve a mesma sensação de ir do outro lado da vida e voltar.
Enfim, estou bem e gastei minha terceira vida.
Quando cheguei em casa, caí na gargalhada e gritei: Obrigada Deus por esses ralados e por ter poupado minha vida. Porque infelizmente, todos sabemos que podia ter sido pior.
O que quero dizer a você que em lê é que: a vida é um sopro.
Acidentes acontecem e eles não escolhem quem vão vitimar.
Então, viva bem o dia de hoje e seja grato pela sua vida porque além de breve, ela é fácil de ser perdida.
Eu já tive a experiência três vezes e como disse ao pobre do Thiago que ficou se sentindo culpado, porque eu morro de medo de andar de moto: "- Eu fui atropelada duas vezes na calçada e não deixei de sair na rua. Quando meus ralados sararem e sua moto estiver arrumada, aceito carona de bom grado."
Tudo na vida tem uma razão de ser, talvez essa tenha sido mais uma forma de eu valorizar ainda mais a vida que eu prezo tanto.
Estou bem, com alguns ralados, mas daqui a alguns dias, tô pronta pra outra porque meu aniver tá chegando né?
Queria aproveitar a oportunidade e agradecer à minha linda amiga Babá e ao namorado dela Ivan pela solidariedade que não terei nunca como pagar.

Eu e Babá horas antes do ocorrido.






2 comentários:

Clarisse Reis disse...

"Tem sete vidas mas ninguém sabe de nada...'' (Natasha)

Chris disse...

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