quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Meu pai ou O Genitor - Vicente Valiceli



Nunca antes nesse blog, falei especificamente sobre o meu pai, ou o genitor, Sr. Vicente Valiceli.
Acho que por ter sido dia dos pais no último domingo, senti uma necessidade de falar sobre isso.
Ele foi o primeiro homem que eu amei e não podia ser diferente.
Dele eu herdei muitas qualidades. Mas acho que a inteligência, foi a melhor de todas. 
E aprendi também a contornar todas as situações.
Meu pai era um homem inteligente e articulado. E ainda continua.
Era aquele tipo faz-tudo. 
Trabalhava durante a semana na Fiat e nos fins de semana em casa, fazia estofados, iteriores e tudo mais num automóvel que tivesse que ser costurado.
Inventava uns brinquedos legais, com uns pedaços de madeira, pregos, corda e cola.
Eu e meu irmão adorávamos isso.
Com meu pai, aprendi desde muito pequena a ouvir Rock'n Roll. 
As festas de fim de ano na nossa casa eram demais.
Sabbath, Queen, Stones, Beatles, Super tramp... e um monte de outras coisas que eu gosto de ouvir até hoje.
Meu pai também me ensinou a ouvir um bom sertanejo. Não me refiro a "sertanejo universiotário". Falo da viola, da música que conta uma história de verdade.
Quando completei um terço de vida, descobri quem era o meu pai, marido da minha mãe. Foi a primeira decepção amorosa da minha vida. 
Desse homem eu não gostei.
Ele nos deixou, quando eu ainda estava no primeiro terço de minha vida. Aos 11 anos.
Aí começaram os tempos difíceis, de abandono, de falta de atenção, de carinho, de pai.
E chegamos aqui sem ter uma referência, meus irmãos e eu.
Foi quando ele virou o genitor. 
O genitor não telefona, não visita os filhos, nem os netos. Afinal, ele é só uma sementinha.
Com o genitor aprendi que a nossa imagem é criada por nós mesmos perante as pessoas.
Com o genitor aprendi que um pai e uma mãe se separam, mas os filhos são para sempre, menos para um genitor.
O genitor só se lembra que tem filha quando precisa de algum favor.
O genitor é alguém ao qual eu sou indiferente.
Ao genitor, agradeço por ser quem eu sou. Alguém que desde muito cedo aprendeu a dar valor as coisas com o suor do rosto.
Agradeço por ter me ensinado a dar amor aos meus filhos incondicionalmente, para que eles nunca sejam indiferentes a mim, como eu sou a ele.
Ao genitor, devo a mulher de fibra de bambu que sou hoje, que enverga mas não quebra.
Com o genitor, aprendi que um casamento acaba, mas que os filhos são para sempre.
Agradeço ao meu pai que durante muito pouco tempo me ensinou o que um pai de verdade deve ser: divertido, trabalhador, honesto, gostar de boa música, amigo.
Agradeço ao genitor pela minha vida, afinal, devo 50% disso a ele, por mais que eu não agrade da idéia.
Meus filhos devem achar que eu não tenho pai.
Porque eu não falo sobre e nem compro presentes, mas quando eles crescerem eu conto a eles as duas histórias: a do pai e a do genitor.



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