quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Beleza é um estado de espírito









Eu sou a pessoa mais suspeita para falar sobre beleza, porque entendo muito pouco disso.
Falo sobre a beleza física, é claro.
Desde que eu me entendi por gente, me achava muito, muito feia.
Da família, sempre achei que a natureza tinha sido mais generosa com minha irmã, minhas primas, e que eu tinha herdado tudo de ruim e feio. A baixura, o cabelo ruim, as espinhas e o pior, a gordura.
Na escola e no círculo de amigas eu sempre era o patinho feio, com as unhas ruídas e pra piorar a vaidade era zero.
Para sair para as festinhas, bastava uma blusa T-shirt de malha, um jeans e um All Star - Converse.
É claro que geralmente ninguém me tirava pra dançar, a não ser que fosse muito meu amigo ou se só eu sobrasse na cadeira.
Cabelo, não tinha muito o que fazer, pois era avessa aos salões de beleza, como sou até hoje e maquiagem, no máximo um batonzinho, de cores cafonérrimas que tenho vergonha de me lembrar.
Depois que eu cresci, as coisas não mudaram muito.
Quando me tornei mãe pela primeira vez, digamos que eu tenha dado uma ligeira melhorada.
Mas continuava me achando feia.
O fato é que nunca, nunca mesmo fui desejada por atributos físicos pois não os tinha.Nunca os tive.
Uma vez, me lembro que conheci um garoto sensacional ( e só hoje percebo o quanto ele era sensacional) chamado Walder, que foi na mesa do bar em que estávamos porque cresceu o olho na minha amiga Sônia, um mulherão estilo Cláudia Raia, mas que saiu de lá caído de encantos por mim, segundo ele por causa da minha simpatia.
Pena que eu só descobri o valor disso muito tarde.
Retomando, nunca fui íntima da beleza física, sempre tive meus pneuzinhos, minha acne, meu cabelo ruim...blá, blá, blá.
E quanto mais velha eu ia ficando, mais ia ficando velha, se é que você me entende.
Porque a lei da gravidade é cruel. Cheguei num ponto que me achava tão gorda e tão feia que nem queria mais sair de casa.
Apesar da mala de cosméticos que usava, nada, nada mesmo me fazia sentir melhor, mais desejável, porque o problema era comigo. De dentro pra fora.
E por mais bonita que eu pudesse me tornar, eu tinha perdido o que eu tinha de mais bonito.
A minha essência. A minha simpatia. A minha alegria de viver. O meu rock'n roll.
Depressão. Psiquiatra. Remédios e mais remédios. E o que eu via na frente do espelho era uma mulher gorda e feia. Tomando cada vez mais antidepressivos e mais fortes. E essa mulher não era eu.
Um belo dia, acordei e vi o mal que estava me fazendo.
Voltei a estudar, fiz minha faculdade e comecei a ser admirada pelas pessoas por ser inteligente.
Mas eu não acreditava nisso. Por mais que as notas me mostrassem.
Eu não me sentia boa o suficiente como mãe, como esposa, como filha, como aluna, como professora...
Fiz dieta, fiquei loira e por mais que as pessoas dissessem que eu estava linda, eu olhava pra mim e me achava horrível.
Tinha medo de tudo.
Pânico mesmo.
Procurei terapia, porque estava a meio grau de ficar louca.
A terapia, que ainda faço, me ajudou e me ajuda a perceber que eu não posso fazer as coisas pelos outros, que eu tenho que estar bem comigo e tenho que ter foco nas prioridades.
Eu não tinha prioridades, tudo para mim era igualmente importante e urgente.
Moral da história, não conseguia concluir e minha sensação de impotência só aumentando à medida que aumentava meu complexo de inferioridade.
Acho que já se passaram quatro meses desde que comecei a terapia. 
A Aline, minha psicóloga me perguntou na primeira sessão: Onde está a Christiane?
Saí de lá com uma cara de bulldog, de tanto que chorei e comecei a me buscar.
Eu voltei a olhar pra mim. Achei aquela menina simpática (que encantou o Walder), que fazia amigos onde quer que ia, que amava a vida e que se amava em primeiro lugar.
Hoje, eu me olho e vejo uma mulher de quase 33 anos, linda, cativante, alegre, que não se abate pelas energias e fluidos negativos dos outros.
Que não deixa que vampiros suguem sua vitalidade.
Que não sente culpa - essa  era a palavra que eu mais usava nas sessões de terapia e pasmem, nem sabia o que significava.
Que coloca a cabeça no travesseiro e dorme, como há muito não fazia.
Que vive um dia de cada vez.
Que ora e agradece.
Que se ama em primeiro lugar para ter amor de volta. Porque ninguém vai nos amar se não partir de nós primeiro.
É de você para o outro e nunca o contrário.
Nos dias em que estou feliz, me olho no espelho e me acho lindíssima.
Nos dias em que não me sinto tão feliz, me sinto lindíssima depois de dar uma caprichada no visual.
E quando a tristeza insiste em puxar meu tapete, compro uma roupinha nova, vou a um salão e dou um trato no visual.
E volto de lá 20 quilos mais leve e radiante, mesmo se eu fizer uma depilação.
Mas só vai entender, quem esteve no fundo do poço, como eu.
Hoje, considero que estou emergindo.
Um pouco todo dia.

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