segunda-feira, 29 de agosto de 2011

“Periférico”, por Tati Bernardi


Para todos os amores que não deram certo, aos casamentos acabados, aos namoros que terminaram cheio de mágoa, vai esse texto fantástico de Tati Bernardi.


Pareço um sapo cego dando uma linguada no ar, não vejo o inseto, mas sei que ele está lá. Molho o ar na espera de lamber sua coxa, a pele com menos pêlos atrás do seu joelho. Lamber sua virilha, sentir seu cheiro, brincar com seu umbigo perfeito e boquiaberto por causa da barriguinha.Quem sabe descobrir alguma sujeirinha ali no umbigo, um resto de algodão, um resto de salgadinho vagabundo, um resto de prazer. Eu te amava depois do banho, eu te amava indo trabalhar sujo de mim, eu te amava humano e eu te amava, sobretudo, alienígena e com sono de sentir a vida.
Sinto saudades de respirar o mais profundo possível, como já escrevi antes, perto de sua nuca. E descobrir novidades sem nome e sem solução. Sinto saudades de me perder tentando entender de que tanto você sorria, de que tanto você brilhava, de que tanto você se perdia e se escondia.
Peço licença ao meu ódio tão feio e tão infinito para te amar só mais uma vez. Quero te amar sozinha aqui, na minha casa nova, em minha quase nova vida. Quero esquecer todo o nada que você representa e dar contorno aos desenhos que não saem da minha cabeça. Nunca entendi seu coração, nunca entendi seus olhos, nunca entendi suas pernas, mas só por hoje queria poder lamber sua fumaça para que ela permanecesse mais, pesasse mais.

É libertador esquecer meu desejo de vingança, a vontade que tenho de explodir sua vida, o vício que tenho de passar mil vezes por dia, em pensamento, ao seu lado. E pisar em cima da sua inexistência e liberdade. Chega disso, só pelo tempo em que durarem estas letras e a música que coloco para reviver você, vou te amar mais esta vez. Vou me enganar mais uma vez, fingindo que te amo às vezes, como se não te amasse sempre.
Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como podia ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.
Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo. Ainda assim, há meses, há séculos que se arrastam deixando tudo adulto demais, morto demais, simples demais, exato e triste demais, eu sinto sua falta com se tivesse perdido meu braço direito.
Esse amor periférico, ainda que não me deixe descoberto o peito, me descobre os buracos. Não são de suas palavras que sinto falta. Não é da sua voz meio burralda e do seu bocejo alto demais para me calar e me implorar menos sentimentos. Não é, tampouco, do seu abraço. Sua presença sempre deixou lacunas e friagens que zumbiam macabramente entre tantas frestas sem encaixe.
Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existe morte para o que nunca nasceu.
Sinto falta mesmo, para maior desespero e inconformismo do meu coração metido a profundo, de lamber suas coxas, a pele mais lisa atrás dos joelhos. Lamber sua virilha, sentir seu cheiro, brincar com seu umbigo, respirar sua nuca, engolir sua simplicidade, me rasgar com sua banalidade, calar sua estupidez, respirar seu ronco, tocar sua inexistência, espirrar com sua fumaça.
Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.

Simplesmente isso. Você, uma pessoa sem poesia, sem dor, sem assunto para agüentar o silêncio, sem alma para agüentar apenas a nossa presença, sem tempo para que o tempo parasse. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza.
Sinto falta da raiva, disfarçada em desprezo, que você tinha em nunca me fazer feliz, sinto falta da certeza de que tudo estava errado, mas do corpo sem forças para fugir, sinto falta do cheiro de morte que carregávamos enquanto ainda era possível velar seu corpo ao meu lado, sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, de não dar conta, de não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.
Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez, sentir apenas a falta de lamber suas coxas, a pele lisa, o joelho, a nuca, o umbigo, a virilha, as sujeiras. Sinto falta do mistério que era amar a última pessoa do mundo que eu amaria.

Relatos de Uma Romântica Sem Cura





Retirei esse texto do site Casal Sem Vergonha e achei uma descrição fiel do meu romantismo do século retrasado (risos): 


por Viviane Duarte
Desde menina sempre curti histórias de princesas e príncipes encantados. Cresci ouvindo Tom Jobim, em meio a citações de Shakespeare e Camões, poesias de mamãe e a magia do teatro. Minha infância foi encantada, lúdica, doce… e todas estas experiências me fizeram acreditar no poder das palavras, de pequenas gentilezas, do carinho, cuidado e sobretudo, do amor.  Para ser sincera – em relação a relacionamentos -muitas vezes me sinto como se estivesse no século passado– retrasado, vai.
Para mim, um beijo tem muito mais do que troca de salivas, chupadas, língua com língua, tesão. Um beijo tem troca de sentimentos, química, desejo, carinho, envolvimento, paixão, loucura, encantamento. Nunca me imaginei beijando alguém se não sentisse um frio na barriga, coração palpitando – te parece careta? Para mim não é.
E quer saber? O romance não é feio e nem bobo. Ele é incrível, envolvente, sedutor, entorpecente e vale muito a pena ser vivido.
Tudo bem, você pode dizer que estamos no século XXI, desprendidos de tabus e preconceitos, em tempos de sexo livre e sobretudo, cada vez mais mergulhados em agendas insanas no trabalho – buscando nos destacar de alguma forma em meio a tantas novidades e bombardeios de informações. Neste cenário frenético muitas vezes parece mais conveniente satisfazer nossas vontades e instintos sem ter de nos dedicar tanto a pequenos detalhes, como a conquista, o cuidado, a atenção e a entrega.  Mas estes pequenos detalhes fazem toda a diferença e transformam instinto em sentimento, prazer, realização, cumplicidade e felicidade. Isso te fará uma pessoa mais completa, acredite – não é idiotice.
Quem não gosta de uma ligação carinhosa no meio do dia? De um presentinho fora de data, de gentilezas e demonstrações inesperadas de afeto? Adoro ler as entrelinhas de um beijo demorado e molhado. A respiração ofegante, o toque, a pegada… tudo intenso, louco, mas nem por isso instantâneo, vazio. Para mim, tudo tem sabor de poesia.
Buscar e querer viver um romance não significa fraqueza emocional, carência…nada disso. Significa querer mais e melhor. Significa que você está preparado para se entregar e dividir carinhos, atenção, cuidado e prazer com outra pessoa que te faz sentir o tempo parar, a voz tremer, o coração bater diferente, o corpo arrepiar. Com alguém que acrescente mais emoção e prazer à sua vida.
Algumas sensações e reações que fazem toda a diferença:

Cuidado e Entrega

Não existe nada mais excitante do que um homem que te faça sentir única. Que se importe com seu prazer, que observe seus desejos e queira satisfazê-los, simplesmente porque isso o satisfaz também.

Sintonia

Quando existe romance as palavras são dispensadas. A gente sabe exatamente  o que o outro quer apenas com um olhar, um gesto. A gente não tem vergonha de pedir e nem de fazer nada, simplesmente porque rola química e cumplicidade em cada toque. Isso é pura poesia!

Vontade de ficar perto

Depois do sexo a gente não sente vontade de sair correndo, porque não era só gozar o que importava. A gente pode descansar no colo um do outro, sentir o cheiro do suor  e da mistura de nossos perfumes, ganhar um cafuné, trocar olhares , dormir um pouco e acordar querendo mais.

Ser Parte do outro

Descobrir que temos muitas coisas em comum, milhares de discordâncias e que talvez por isso desejamos tanto um ao outro. Descobrir que nos admiramos na cama e fora dela. Que nos completamos de uma forma incrível e que curtimos isso.

Não precisar jogar

A gente liga, manda email, torpedo… a hora que tiver vontade, sem medo de ser inconveniente, sem joguinhos de sedução, sem máscaras. E quando conversamos, o desejo é explicito em nosso timbre de voz, que vibra de vontade de estar perto.

Pode ser que uma transa casual traga uma sensação selvagem de descompromisso, mas ainda assim, não me encanta. Prefiro a intimidade, a cumplicidade. Descobrir a cada dia caminhos que intensifiquem o prazer do outro, a entrega, o orgasmo mais incrível – e isso obviamente não se conquista com casualidades.
Talvez você ainda não tenha encontrado alguém que valesse a pena, ou que tivesse um encantamento tão profundo que te fizesse querer mais do que uma transa. Talvez esteja achando tudo isso aqui uma grande balela, ou não. Mas seja como for, certamente este dia vai chegar e você vai entender como estes sentimentos deliciosos são incuráveis e nunca mais se contentará com nada mais, nada menos do que um indescritível e apaixonante romance.



Estamos sempre usando e sendo usados?



Você saberia dizer quando alguém está te usando?!
Hoje, especialmente refleti muito acerca disso.
Quando gostamos muito de alguém, não conseguimos identificar se tal pessoa tira proveito disso em benefício próprio.
Se você consegue saber quando está sendo usado, tiro-lhe o chapéu...
Eu sou o tipo de pessoa, como disse em vários posts anteriores, que faz as coisas pelos outros por prazer.
Antes eu achava e até esperava algum reconhecimento pelo bem que fazia, agora, não mais.
Aprendi que estou nesse mundo para servir e fazer as pessoas felizes e mais nada.
Nada me deixa mais feliz do que arrancar um sorriso de alguém, ou mesmo de fazer alguma coisa para tornar o dia de quem gosto mais agradável.
Já fiz cada coisa patética, mesmo assim, não me arrependo, porque a satisfação que senti não teve preço naquela hora... Mas enfim...
Apesar de muitas decepções, com pessoas que eu amei muito, mas que  no fundo só quiseram usufruir da minha boa vontade, ainda assim eu faria tudo de novo.
Mesmo quando amamos muito, num dado momento, percebemos que o outro apenas quer de nós uma psicóloga, uma amiga, uma prostituta...  dependendo do grau de relacionamento que temos com esse alguém... (falo no feminino porque sou mulher, mas isso acontece com vários homens, também) 
E isto é  uma falta de respeito e um egoísmo sem tamanho.
E  só acontece porque somos permissivos. 
Se não deixássemos, as pessoas não nos usariam.
Em alguns momentos, me pego pensando: Será que não estou fazendo o mesmo?!
Será que também não tiro proveito das pessoas que são amigas, em meu próprio benefício?!
Em alguns momentos sinto raiva de mim porque deixei que me fizessem isso, as pessoas às vezes abusam das outras inconscientemente. Sem nenhuma maldade.
Eu também posso estar fazendo isso.
Na verdade, não sei, não sei, não sei mesmo.
Gosto de preto no branco, por isso acho que não conseguiria usar ninguém, assim como admiro as pessoas que são assim comigo. 
Adoro a sinceridade. 
Odeio pessoas covardes.
Adoro atitude.
Odeio omissão.
Quando me decepciono com alguém fico para morrer, porque sempre espero o melhor dos outros.
E nem sempre os outros dão o seu melhor em uma relação, seja de amizade, amor, ou o que for...


Eu sempre me jogo, só depois eu penso no que estou fazendo geralmente já é bem tarde...
Geralmente me fodo, mas eu não me arrependo nunca de tentar.
Mas eu não ligo, coloco um band-aid e me jogo de novo...




domingo, 28 de agosto de 2011

3 coisas que me fizeram refletir essa semana...


(V.I.D.A. = Variações Infinitas de Detalhes e Acontecimentos)

Interessante como algumas coisas que acontecem com a gente estão intrínsecamente ligadas.
Essa semana duas conversas e a liturgia da missa de hoje me fizeram refletir sobre as minhas atitudes que já melhoraram muito, diga-se de passagem, nos últimos dias, meses, anos...
Eu acredito veementemente que a vida não tem o menor sentido se não a vivemos em constante evolução. 
Se não pudermos mudar nossos pensamentos e atitudes para tirarmos melhor proveito dela, de que vale a experiência de existir?

Em uma de minhas sessões de terapia, conversei com Aline sobre o grande vazio que existe dentro de mim e que nada preenche.
Essa incompletude que a maioria dos seres humanos sente,  que nos consome diariamente, sempre que vacilamos em deixar que um pensamentozinho  torpe nos estrague o dia.
Quando voltei ao trabalho, depois da conversa, fiquei chateada e sentindo uma deprê que sinto sempre que não consigo abraçar o mundo com as mãos.
Uma sensação de incompetência, impotência e mais outras i-monte de coisas que deixam a gente no chão.
No dia seguinte, meu  amigo Thiago Barrez (que apesar de conhecer há pouco tempo, posso afirmar categoricamente, ser uma das melhores pessoas que conheci na vida, em matéria de grandeza de alma) me falou uma coisa que me fez pensar muito sobre tudo o que já vinha refletindo, cá com os meus botões, mas que, depois de ouvir seus carinhosos conselhos,  acordei de vez para uma grande verdade.
O que mais me marcou de todas as coisas boas que ele me disse foi: "esse vazio que você tem aí é perfeito para Deus, deixe que ele preencha"...

(Smile inspirado no Thiago, rss...)

Sempre ao me deitar e ao levantar agradeço a Deus por tudo o que tenho e peço a Ele que me ajude a cuidar da minha saúde pois não preciso de mais nada.
Tenho dois filhos lindos e perfeitos, uma família maravilhosa, amigos sensacionais, dois empregos que eu amo e tudo o que necessito em termos materiais para viver. 
Então, não tenho direito de reclamar de nada, pois Deus me dá mais do que eu mereço até...
Milhares de pessoas no mundo sonham com o necessário para ter uma vida digna, enquanto eu fico aqui deprimida por sei lá o quê.

Na liturgia da missa de hoje foi lida uma passagem do livro de Jeremias 20, 7-9: 

7Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim.
8Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro.
9Disse comigo: “Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele”. Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo; desfaleci, sem forças para suportar. 

Seguida por Romanos 12,1-2

1Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. 
2Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito. 

A ficha terminou de cair. 
Quem disse que servir a Deus e ter fé é tarefa fácil? 
Quem disse que abrir mão da própria vida para servir ao próximo é confortável?
Deixarei que Deus me seduza ainda mais, transformarei o mundo num lugar melhor à minha maneira. 
E viverei segundo os dizeres do apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos, renovando minhas atitudes para tentar entender qual a vontade de Deus em minha vida, o que O agrada e o que é perfeito aos Seus olhos.
Amando a mim e ao meu próximo de maneira igual. 
Seguindo a lei universal "Não faça aos outros o que não quer que façam a você"

Fui criada na religião Católica, me sinto bem, mas não me sinto completa. Sempre achei muito mecânicas as missas.
Já busquei outras igrejas cristãs e acabei voltando, numa noite de Natal, sendo tomada por uma emoção descomunal, já que finalmente compreendi o sentido que havia em tudo aquilo que há na  Santa Ceia, o maior presente que Jesus nos deixou: a Comunhão.
Confesso também que o Espiritismo de Alan Kardec me atrai bastante.
Sinto como se o Catolicismo fosse o meu pão e o Kardecismo fosse o recheio que o completa, se é que você me entende...
Todavia,  em minha opinião, o objetivo de todas as religiões do mundo é nos aproximar de Deus. Seja ela qual for.
Algumas de maneira mais radical, outras de maneira mais livre.
Com certeza em alguma delas você que me lê se encontrará.
Basta que abra o seu coração para Deus.

Vivemos num mundo onde não aceitamos perder.
Onde vemos todos os dias pessoas que matam por nada, que se apoderam do que é do outro, que só querem ter e esquecem de ser, que são más.
Ser mau é muito mais fácil, pode ter certeza
Citando mais uma vez o Thiago: "O mundo é cheio de pessoas ruins, eu escolhi ser bom".
Eu também escolhi ser boa, mesmo sendo muito mais difícil, eu adoro desafios.

Contemplemos a vida que é uma dádiva. 
Um presente diário. 

Existe um pensamento desses bem clichês que diz: 

"Ontem é História, amanhã é mistério, hoje é uma dádiva é por isso que se chama presente."



Por isso hoje quando acordei, contemplei o céu lindo e azul de inverno, correndo senti o vento no rosto e respirei ofegante o ar que entrava pelos meus pulmões. Viver é um milagre diário.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Lápis de cor



Ultimamente a vida tem sido muito generosa comigo.

Na verdade, acho que a vida é muito generosa comigo.
Ainda assim, batem uns momentos deprê, onde eu me lembro de alguns fantasmas e por alguns minutos do dia, tenho uma tristeza, uma espécie de saudade do que não vivi com alguém.
Esse ano, especialmente, Deus tem mandado muitas pessoas boas e amigas.
Pessoas as quais, quando conhecemos, parece que passamos a vida toda ao lado delas.
Como sou uma pessoa bastante espiritualizada e que acredito em vida após a morte, karma e até horóscopo, acho que tudo o que acontece tem uma razão de ser.
Começo até a achar que sou uma boa pessoa, sem a menor pretensão, pois Deus me presenteou com dois filhos lindos e amorosos, um trabalho maravilhoso, uma família incrível e amigos fantásticos.
A única coisa que peço a Deus todos os dias é saúde para poder usufruir de tudo isso, porque o resto, como dizem por aí, a gente corre atrás.
Não satisfeito, Papai do céu, pra me fazer mais feliz do que já sou, me mostra que quanto mais pessoas encantadoras eu conheço, mais ainda é possível se encantar com elas.
É como se você tivesse uma caixa de lápis de cor de 36 cores e de repente você ganhasse uma caixa de mil cores.
É assim que me sinto hoje. 
Para finalizar, vou citar um dos autores mais queridos de minha vida:
Saint-Exupérry:


ACASO

Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso. 



É disso que estou falando:

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Beleza é um estado de espírito









Eu sou a pessoa mais suspeita para falar sobre beleza, porque entendo muito pouco disso.
Falo sobre a beleza física, é claro.
Desde que eu me entendi por gente, me achava muito, muito feia.
Da família, sempre achei que a natureza tinha sido mais generosa com minha irmã, minhas primas, e que eu tinha herdado tudo de ruim e feio. A baixura, o cabelo ruim, as espinhas e o pior, a gordura.
Na escola e no círculo de amigas eu sempre era o patinho feio, com as unhas ruídas e pra piorar a vaidade era zero.
Para sair para as festinhas, bastava uma blusa T-shirt de malha, um jeans e um All Star - Converse.
É claro que geralmente ninguém me tirava pra dançar, a não ser que fosse muito meu amigo ou se só eu sobrasse na cadeira.
Cabelo, não tinha muito o que fazer, pois era avessa aos salões de beleza, como sou até hoje e maquiagem, no máximo um batonzinho, de cores cafonérrimas que tenho vergonha de me lembrar.
Depois que eu cresci, as coisas não mudaram muito.
Quando me tornei mãe pela primeira vez, digamos que eu tenha dado uma ligeira melhorada.
Mas continuava me achando feia.
O fato é que nunca, nunca mesmo fui desejada por atributos físicos pois não os tinha.Nunca os tive.
Uma vez, me lembro que conheci um garoto sensacional ( e só hoje percebo o quanto ele era sensacional) chamado Walder, que foi na mesa do bar em que estávamos porque cresceu o olho na minha amiga Sônia, um mulherão estilo Cláudia Raia, mas que saiu de lá caído de encantos por mim, segundo ele por causa da minha simpatia.
Pena que eu só descobri o valor disso muito tarde.
Retomando, nunca fui íntima da beleza física, sempre tive meus pneuzinhos, minha acne, meu cabelo ruim...blá, blá, blá.
E quanto mais velha eu ia ficando, mais ia ficando velha, se é que você me entende.
Porque a lei da gravidade é cruel. Cheguei num ponto que me achava tão gorda e tão feia que nem queria mais sair de casa.
Apesar da mala de cosméticos que usava, nada, nada mesmo me fazia sentir melhor, mais desejável, porque o problema era comigo. De dentro pra fora.
E por mais bonita que eu pudesse me tornar, eu tinha perdido o que eu tinha de mais bonito.
A minha essência. A minha simpatia. A minha alegria de viver. O meu rock'n roll.
Depressão. Psiquiatra. Remédios e mais remédios. E o que eu via na frente do espelho era uma mulher gorda e feia. Tomando cada vez mais antidepressivos e mais fortes. E essa mulher não era eu.
Um belo dia, acordei e vi o mal que estava me fazendo.
Voltei a estudar, fiz minha faculdade e comecei a ser admirada pelas pessoas por ser inteligente.
Mas eu não acreditava nisso. Por mais que as notas me mostrassem.
Eu não me sentia boa o suficiente como mãe, como esposa, como filha, como aluna, como professora...
Fiz dieta, fiquei loira e por mais que as pessoas dissessem que eu estava linda, eu olhava pra mim e me achava horrível.
Tinha medo de tudo.
Pânico mesmo.
Procurei terapia, porque estava a meio grau de ficar louca.
A terapia, que ainda faço, me ajudou e me ajuda a perceber que eu não posso fazer as coisas pelos outros, que eu tenho que estar bem comigo e tenho que ter foco nas prioridades.
Eu não tinha prioridades, tudo para mim era igualmente importante e urgente.
Moral da história, não conseguia concluir e minha sensação de impotência só aumentando à medida que aumentava meu complexo de inferioridade.
Acho que já se passaram quatro meses desde que comecei a terapia. 
A Aline, minha psicóloga me perguntou na primeira sessão: Onde está a Christiane?
Saí de lá com uma cara de bulldog, de tanto que chorei e comecei a me buscar.
Eu voltei a olhar pra mim. Achei aquela menina simpática (que encantou o Walder), que fazia amigos onde quer que ia, que amava a vida e que se amava em primeiro lugar.
Hoje, eu me olho e vejo uma mulher de quase 33 anos, linda, cativante, alegre, que não se abate pelas energias e fluidos negativos dos outros.
Que não deixa que vampiros suguem sua vitalidade.
Que não sente culpa - essa  era a palavra que eu mais usava nas sessões de terapia e pasmem, nem sabia o que significava.
Que coloca a cabeça no travesseiro e dorme, como há muito não fazia.
Que vive um dia de cada vez.
Que ora e agradece.
Que se ama em primeiro lugar para ter amor de volta. Porque ninguém vai nos amar se não partir de nós primeiro.
É de você para o outro e nunca o contrário.
Nos dias em que estou feliz, me olho no espelho e me acho lindíssima.
Nos dias em que não me sinto tão feliz, me sinto lindíssima depois de dar uma caprichada no visual.
E quando a tristeza insiste em puxar meu tapete, compro uma roupinha nova, vou a um salão e dou um trato no visual.
E volto de lá 20 quilos mais leve e radiante, mesmo se eu fizer uma depilação.
Mas só vai entender, quem esteve no fundo do poço, como eu.
Hoje, considero que estou emergindo.
Um pouco todo dia.

Meu pai ou O Genitor - Vicente Valiceli



Nunca antes nesse blog, falei especificamente sobre o meu pai, ou o genitor, Sr. Vicente Valiceli.
Acho que por ter sido dia dos pais no último domingo, senti uma necessidade de falar sobre isso.
Ele foi o primeiro homem que eu amei e não podia ser diferente.
Dele eu herdei muitas qualidades. Mas acho que a inteligência, foi a melhor de todas. 
E aprendi também a contornar todas as situações.
Meu pai era um homem inteligente e articulado. E ainda continua.
Era aquele tipo faz-tudo. 
Trabalhava durante a semana na Fiat e nos fins de semana em casa, fazia estofados, iteriores e tudo mais num automóvel que tivesse que ser costurado.
Inventava uns brinquedos legais, com uns pedaços de madeira, pregos, corda e cola.
Eu e meu irmão adorávamos isso.
Com meu pai, aprendi desde muito pequena a ouvir Rock'n Roll. 
As festas de fim de ano na nossa casa eram demais.
Sabbath, Queen, Stones, Beatles, Super tramp... e um monte de outras coisas que eu gosto de ouvir até hoje.
Meu pai também me ensinou a ouvir um bom sertanejo. Não me refiro a "sertanejo universiotário". Falo da viola, da música que conta uma história de verdade.
Quando completei um terço de vida, descobri quem era o meu pai, marido da minha mãe. Foi a primeira decepção amorosa da minha vida. 
Desse homem eu não gostei.
Ele nos deixou, quando eu ainda estava no primeiro terço de minha vida. Aos 11 anos.
Aí começaram os tempos difíceis, de abandono, de falta de atenção, de carinho, de pai.
E chegamos aqui sem ter uma referência, meus irmãos e eu.
Foi quando ele virou o genitor. 
O genitor não telefona, não visita os filhos, nem os netos. Afinal, ele é só uma sementinha.
Com o genitor aprendi que a nossa imagem é criada por nós mesmos perante as pessoas.
Com o genitor aprendi que um pai e uma mãe se separam, mas os filhos são para sempre, menos para um genitor.
O genitor só se lembra que tem filha quando precisa de algum favor.
O genitor é alguém ao qual eu sou indiferente.
Ao genitor, agradeço por ser quem eu sou. Alguém que desde muito cedo aprendeu a dar valor as coisas com o suor do rosto.
Agradeço por ter me ensinado a dar amor aos meus filhos incondicionalmente, para que eles nunca sejam indiferentes a mim, como eu sou a ele.
Ao genitor, devo a mulher de fibra de bambu que sou hoje, que enverga mas não quebra.
Com o genitor, aprendi que um casamento acaba, mas que os filhos são para sempre.
Agradeço ao meu pai que durante muito pouco tempo me ensinou o que um pai de verdade deve ser: divertido, trabalhador, honesto, gostar de boa música, amigo.
Agradeço ao genitor pela minha vida, afinal, devo 50% disso a ele, por mais que eu não agrade da idéia.
Meus filhos devem achar que eu não tenho pai.
Porque eu não falo sobre e nem compro presentes, mas quando eles crescerem eu conto a eles as duas histórias: a do pai e a do genitor.



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Eu, Chris, Virginiana, ascendente Áries e lua em Peixes

Aniversário chegando, a gente sempre fica reflexivo, perdido, fazendo um balanço.
Apesar de Astrologia, para muitos se tratar de uma grande bobagem, nem o horósocopo gosta de mim. 
Fui nascer Virgem, com ascendente em Áries e lua em Peixes, veja o que deu isso:



Ascendente em Áries

São aquelas pessoas que entram falando alto sem se preocupar com o que está acontecendo no ambiente: é como se sua chegada marcasse o fato mais importante. Assumem sempre uma postura de liderança e experimentam vários caminhos diferentes ao longo da vida. Arriscam-se facilmente, sem se preocupar muito com as consequências. Isso, porque possuem muita confiança em sua atuação e têm um forte senso de individualidade. A independência, a coragem e a automotivação são traços fortes desse tipo de personalidade. Quem tem ascendente em áries deixa suas marcas por onde quer que passe.
Com o signo solar em Terra tendem a se conter mais em ambientes desconhecidos. Defendem-se da timidez sustentando um "ar" de superioridade e, quando ameaçadas, podem reagir com uma certa arrogância. Mas sempre demonstram segurança.

Lua em peixes: 
Sonhadora e sensível: assim é a pessoa que tem a Lua em Peixes. Suas emoções flutuam de um lado para o outro, e ela é capaz de trocar, inesperadamente, o maior entusiasmo pela mais profunda melancolia. Compreensiva, ama as pessoas de maneira tão sincera que se vê irresistivelmente atraída pelos trabalhos voltados ao bem-estar coletivo. A arte é um dos meios que encontra para deixar fluir livremente suas fantasias, seja na pintura, na música, no teatro ou na literatura. Prestativa, muitas vezes acaba se envolvendo em situações desagradáveis apenas por querer ajudar, e depois sente a maior dificuldade para solucionar o problema. Quando se apaixona, entrega-se de corpo e alma ao amado e vive uma história de amor como num conto de fada: acredita que o sentimento por seu parceiro é eterno e sofre muito.




Me engana, que eu adoro!

Você já parou pra pensar se os homens enganam a gente de verdade ou se nós fingimos que acreditamos neles e que se fazendo isso, nós não os estamos enganando e sendo tão bandidas quanto?!
Agora compliquei, né?


Então, vamos por partes:


Eu adoro homens que não escondem que são bandidos.
Descarados, simulados, que dizem: "não quero ser só mais um na sua vida", " quero você só pra mim", "tenho ciúme só de pensar que você já foi de outro", etc, etc, etc.
Mas que você sabe que ele disse isso somente para você e a torcida feminina do Cruzeiro, do Atlético e do Flamengo na mesma noite.
Ele jura de pés juntos que está sendo sinceros e fazem biquinho se você bancar a cética, só por 30 segundos.
Então você finge que acredita nele e entramos na parte dois.
Você dá corda pra ele se enforcar.
Responde com carinho e atenção toda especial. Diga a ele: "Sim, sou sua e de mais ninguém, meu amor." Responda a todos os sinais carinhosos dele com a mesma medida de carinho e vamos levando a brincadeira de gato e rato, até ele mudar de torcedora.
Aí entramos na terceira parte que é quando você finge que está acreditando nele.
Será que você não está sendo igualmente simulada, descarada e bandida quanto ele?!
E vai que esse homem realmente está falando a verdade. Vai que ele é mesmo uma exceção à regra dos bandidos.
Nós mulheres sempre queremos acreditar nisso.
Que os homens não são bandidos.
Que existe um bonzinho... e que é aquele que está conosco no momento, até o próximo tombo.
Vai que ele existe e aparece na hora errada?!
Eu disse que adoro os descarados, porque eles não escondem sua verdadeira face: a safada.
Tipo os lobos em pele de cordeiro, que se fazem de bonzinhos, carentes e desprotegidos, que dizem que amam olhando nos olhos e que quando você está totalmente entregue, eles simplesmente somem, ou terminam com você por um post it.
A maior escola que eu tive na vida, além dos meus poucos relacionamentos longos que deram errado, de um P.A. e algumas paqueras que duraram alguns dias ou uma noite, foi assistindo Sex and the city.
Podemos ilustrar o descarado como o Mr. Big, o bonzinho como o Adam e o lobo em pele de cordeiro como o Berger.
Todos eles foram relações de Carrie Bradshaw e você com certeza, se não se deparou ainda vai se deparar com eles em sua vida.
Apesar de Mr. Big ser o grande amor de Carrie -  que  ao final da série e na sequência de dois filmes se regenerou e casou com ela - eu o categorizo como o descarado, uma vez que ela tinha plena consciência de que ele não valia uma gota de lágrima dela e ainda assim o amava perdidamente.
Mas como eu disse ele se regenerou. 


O the one que eu conheci estava mais pra Berger. 
O covarde e omisso que terminou com a Carrie por um post it. Desperdiçando uma grande oportunidade e talvez única, de ser feliz. 
Adam é o bonzinho que pode estar no meio de tantos safados que você vai deixá-lo escapar só para na dúvida, não sofrer.




O que leva um safado a se regenerar?!
Chave de coxa nem sempre funciona.  

Aceito sugestões.


Com vocês Big, Adam e Berger, respectivamente.

  

15/08 DIA DOS SOLTEIROS

Dia dos Solteiros
Essa é uma data nova no meu calendário.
Descobri através do facebook, assim como o Lingerie day.
Então vamos falar sobre ser solteiro.
Eu já fui solteira há muito tempo. Era legal.
Depois que você tem alguém, seja um longo namoro ou um casamento, você vê que ser solteiro é bom, mas que é muito melhor ter alguém com quem compartilhar a vida.
Quando eu digo alguém, não me refiro a qualquer pessoa. Sábado estava falando com algumas pessoas sobre isso.
Tem que ter química, afinidade, companheirismo e um monte de ingredientes ultranecessários para uma relação dar certo. E as pessoas têm preguiça de se comprometer por isso. Então ficam usando a máscara do solteiro bem resolvido.
Ficar só é muito bom. Mas tem prazo de validade.
Ser solteiro, para algumas pessoas, é sinônimo de pegar geral.
Mas só quem dividiu um momento especial com alguém vai entender do que eu tô falando.
Muitas pessoas confundem liberdade e solteirice.
Você pode namorar, casar, e ser livre. O amor verdadeiro liberta.
O que eu quero falar nesse post é o seguinte: ser só não é sinônimo de felicidade. Os seres humanos são carentes por natureza.
Não existe nada pior do que comer um miojo sozinho em casa numa sexta ou sábado a noite quando todos os seus amigos tem algum compromisso e não podem sair com você.
Só quem sabe o quão bom é dormir abraçado com alguém entende a dor do vazio que é dormir com os pés frios, sem dormir numa conchinha...
Depois que você tem isso, vai por mim, a vida de solteiro não é tão legal assim.
Troco as noites de baladas da solteirice por um filme e uma tigela de pipoca com a cabeça num colo, recebendo um cafuné. Assisto até 2012, o filme mais exagerado dos últimos tempos.
Troco todas as transas sensacionais que você vai me dizer que teve, pelo sexo com amor. Sem essa de transar, vestir a roupa e cair fora, que você solteiro vai me dizer que tem.
Troco os 300 beijos na boca que você dá numa noite, por um beijo na testa de alguém que me olhe com olhos de amor e que me respeite como pessoa.
Depois que você divide a sua vida com alguém, você vai pra balada, ouve uma música que faz seus olhos merejarem e pensa: Como eu queria ter alguém para dividir esse momento.
Eu passei por isso nas minhas últimas saídas.
Eu passei pelos dois mundos e agora, estou retornando ao mundo da "solteirice".
Não estou pronta e nem penso em me envolver com alguém tão cedo, porque tenho medo.
Tenho amigos, mas em alguns momentos eles não vão poder me salvar porque estarão cuidando de seus próprios interesses.
Tenho filhos e por mais que eles sejam a melhor companhia do mundo, você aí sabe que não é disso que eu estou falando.
Falo do "E agora?". 
Agora, me deito no sofá, coloco num canal de filme, devoro uma barra de chocolate ou fico na internet, ou vou para essas baladas vazias, open bar, onde a maioria das pessoas são tão vazias e sem graça quanto.
Depois que você passar pelos dois mundos, venha me dizer que está feliz com sua solteirice.
Se você ainda não passou, posso até acreditar que você se sinta bem assim. 


Everybody Hurts

Eu estava precisando muito escrever um post nesses dias.
Mas eu realmente precisava de um motivo. Algo que fosse assim, bem contundente e que me fizesse refletir.
Nos últimos dias, a minha vida tem estado uma verdadeira montanha-russa. Mas eu sou viciada em adrenalina então tenho resistido firme a tudo isso.
Li um post em um blog que eu sigo, e tive a impressão que por mais que eu faça, ou seja, ou esteja, ou sinta, ou ame, ou beba... Sempre vai me faltar alguma coisa.
O vazio parece que só cresce.
Eu já tive e já perdi tanta coisa. Já me apaixonei mil vezes e me desapaixonei duas mil, pela mesma pessoa.
Já acordei completamente apaixonada e no meio da tarde sentia ódio pela mesma pessoa.
E ainda assim continuava vazia.
Me casei, tive filhos, e me sentia vazia.
Sei que o problema é comigo. Talvez você que lê isso, sinta a mesma coisa.
Dia desses fui escrever um e-mail para uma pessoa e vi o seguinte: todas as frases começavam com a palavra "EU". 
Foi aí que fiquei reflexiva e comecei a pensar sobre ser uma pessoa egoísta e egocêntrica.
Mais para egocêntrica. Fato.
Eu sei que eu machuco várias pessoas todos os dias,  várias vezes e me sinto péssima por isso.
Mas algumas vezes as pessoas me apontam e me culpam sem eu ter feito nada.
E várias pessoas me machucam também. Mas não posso reclamar. Não tenho esse direito.  Se reclamo, faço drama.
Se faço alguma coisa é sempre intencional.
Meu Deus, a gente também erra sem querer errar. Se os erros fossem propositais... tudo seria perfeito não é mesmo? Ninguém erraria, simplesmente.
Hoje eu sou uma pessoa extremamente machucada. Tenho medo que essas feridas me tornem cética e cruel e que com isso machuque pessoas que não merecem ou que simplesmente não tenham nada a ver com meus problemas.
Alguém sabe a receita para não machucar e não ser machucado?!
Se souber, deixe no comentário por favor.


Todo Mundo Se Machuca

R.E.M.
Quando seu dia é longo
E a noite - a noite é solitária,
Quando você tem certeza de que já teve o bastante desta vida,
Continue em frente

Não desista de si mesmo,
Pois todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes...

Às vezes tudo está errado,
Agora é hora de cantar sozinho.
Quando seu dia é uma noite solitária (aguente firme, aguente firme)
Se você tiver vontade de desistir (aguente firme)
Se você achar que teve demais desta vida,
Para prosseguir...

Pois todo mundo se machuca,
Consiga conforto em seus amigos.
Todo mundo se machuca...
Não se resigne, oh, não!
Não se resigne
Quando você sentir como se estivesse sozinho.
Não, não, não, você não está sozinho...

Se você está sozinho nessa vida,
Os dias e noites são longos,
Quando você sente que teve demais dessa vida para
seguir em frente

Bem, todo mundo se machuca
Às vezes, todo mundo chora
E todo mundo se machuca, às vezes
Mas todo mundo se machuca, às vezes
Então aguente firme
aguente firme, aguente firme...
Todo mundo se machuca
Você não está sozinho