quarta-feira, 30 de março de 2011

O amor morre

Como tudo na vida tem seu princípio, meio e fim, assim também é o amor.
Ele nasce, cresce, vive e morre.
Sem nenhum motivo ou particularidade, um belo dia saímos de casa e sem mais nem menos somos tocados por um sentimento que antes não havíamos sentido por ninguém.
Esse sentimento faz com que queiramos estar perto dessa pessoa, viver o resto de nossos dias ao lado dela, até que a morte nos separe...
O problema é que não contamos com a possibilidade do amor morrer antes de nós.
Porque, sim, caso alguém aqui não acredite, o amor morre.
Porque ele é um organismo vivo, que precisa ser alimentado, regado, adubado, como uma planta.
Eu, por exemplo, sou péssima para cuidar de plantas.
Quando amamos, muitas vezes achamos que o amor dá conta de viver sozinho e cresce por si mesmo, mas não, ele precisa de cuidados especiais, de ambas as partes, pois afinal ele é um inteiro, dividido em duas partes iguais.
Se um regar mais que o outro o amor morre.
Se um ceder mais que o outro o amor morre.
Se um esperar mais que o outro o amor morre.
Se um lutar mais que o outro o amor morre.
E assim por diante, até que só reste a mágoa, a indiferença e a 'solidão a dois'.
E junto com o amor vamos morrendo aos poucos, desesperançosos, procurando achar culpados, nos vitimando...
Nos esquecendo que " o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória" por isso devemos cuidar bem de tudo o que plantamos.
Para que não seque e não morra, como muitas vezes fazemos com o amor que sentimos por alguém.
Segue um texto que recebi há alguns anos de minha amiga Sônia e que nunca me esqueci:



"Todos os dias morre um amor. Quase nunca percebemos, mas todos os dias morre um amor. Às vezes de forma lenta e gradativa, quase indolor, após anos e anos de rotina. Às vezes melodramaticamente, como nas piores novelas mexicanas, com direito a bate-bocas vexaminosos, capazes de acordar o mais surdo dos vizinhos. 

Morre em uma cama de motel ou em frente à televisão de domingo. Morre sem beijo antes de dormir, sem mãos dadas, sem olhares compreensivos, com gosto de lágrima nos lábios. 
Morre depois de telefonemas cada vez mais espaçados, cartas cada vez mais concisas, beijos que esfriam aos poucos. Morre da mais completa e letal inanição. 

Todos os dias morre um amor. Às vezes com uma explosão, quase sempre com um suspiro. Todos os dias morre um amor, embora nós, românticos mais na teoria que na prática, relutemos em admitir. Porque nada é mais dolorido do que a constatação de um fracasso. De saber que, mais uma vez, um amor morreu. Porque, por mais que não queiramos aprender, a vida sempre nos ensina alguma coisa. E esta é a lição: amores morrem. 

Todos os dias um amor é assassinado. Com a adaga do tédio, a cicuta da indiferença, a forca do escárnio, a metralhadora da traição. A sacola de presentes devolvidos, os ponteiros tiquetaqueando no relógio, o silêncio insuportável depois de uma discussão: todo crime deixa evidências. 

Todos nós fomos assassinos um dia. Há aqueles que, como o Lee Harvey Oswald, se refugiam em salas de cinema vazias. Ou preferem se esconder debaixo da cama, ao lado do bicho papão. Outros confessam sua culpa em altos brados e fazem de pinico os ouvidos de infelizes garçons. Há aqueles que negam, veementemente, participação no crime e buscam por novas vítimas em salas de chat ou pistas de danceteria, sem dor ou remorso. Os mais periculosos aproveitam sua experiência de criminosos para escrever livros de auto-ajuda, com nomes paradoxais como "O Amor Inteligente" ou romances açucarados de banca de jornal, do tipo "A Paixão Tem Olhos Azuis", difundindo ao mundo ilusões fatais aos corações sem cicatrizes. 

Existem os amores que clamam por um tiro de misericórdia: corcéis feridos. 
Existem os amores-zumbis, aqueles que se recusam a admitir que morreram. São capazes de perdurar anos, mortos-vivos sobre a Terra teimando em resistir à base de camas separadas, beijos burocráticos, sexo sem tesão. Estes não querem ser sacrificados e, à semelhança dos zumbis hollywoodianos, também se alimentam de cérebros humanos e definharão até se tornarem laranjas chupadas. 

Existem os amores-vegetais, aqueles que vivem em permanente estado de letargia, comuns principalmente entre os amantes platônicos que recordarão até o fim de seus dias o sorriso daquela ruivinha da 4a. série ou entre fãs que até hoje suspiram em frente a um pôster do Elvis Presley (e pior, da fase havaiana). Mas titubeio em dizer que isso possa ser classificado como amor (Bah, isso não é amor. Amor vivido só do pescoço pra cima não é amor). 

Existem, por fim, os AMORES-FÊNIX. Aqueles que, apesar da luta diária pela sobrevivência, dos preconceitos da sociedade, das contas a pagar, da paixão que escasseia com o decorrer dos anos, da mesa-redonda no final de domingo, das calcinhas penduradas no chuveiro, das toalhas molhadas sobre a cama e das brigas que não levam a nada, ressuscitam das cinzas a cada fim de dia e perduram: teimosos, belos, cegos e intensos. Mas estes são raríssimos e há quem duvide de sua existência. Alguns os chamam de amores-unicórnio, porque são de uma beleza tão pura e rara que jamais poderiam ter existido, a não ser como lendas."

(Desconheço o autor)

3 comentários:

Anônimo disse...

Hoje estou meio vidente... Mais um amor agonizando...

Anônimo disse...

A ausência, o msn, o celular, os e-mails sem resposta... são grandes assassinos do amor, também.

abailarabailar.zip.net disse...

é... sofro hoje pelo amor que em mim nao morre mas que no outro já nao parece existir... bom seria se ao morrer morressem os dois lados... mas tem sempre um que fica a sangrar...