terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ele não está tão a fim de você


Esse título pertence a um dos filmes mais legais que assisti. Ele não está tão a fim de você.

A personagem principal Gigi, conhece o gerente de bar Alex que tem um grande conhecimento sobre o que um homem faz quando não está a fim de você.
Gigi é daquelas que como nós, tem esperança de que Alex esteja enganado. 
Mas na verdade ele não está. Recomendo para quem ainda não assistiu que assista. É sério.





Vamos imaginar uma situação bastante peculiar:


Você vai a uma festa e conhece (ou "re-conhece") alguém que te faz tremer nas bases. (nossa... isso foi horrível, mas não achei nada mais adequado para definir) O seu sonho de consumo. 
Numa oportunidade única você conversa com ele e vê que além de lindo, é gente boa e beija como um deus. 


Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem...(acho que já ouvi isso antes) 
Um beijo, um abraço, um cheiro... ( e isso também)
Vem a hora de ir embora e você tem que retomar a vida do ponto onde ela parou... 
E agora?  "será que nos veremos de novo?"," será que ele também achou bom?", você não quer que acabe, daí, ele pede o número do seu celular ( e não te dá o dele, é claro) e fala: " Te ligo amanhã.". 
Mas é claro que não liga. E você, sem dúvida já esperava por isso.
Pois ele não perguntou quase nada sobre você durante todo o tempo em que ficaram juntos. 
E não adianta se iludir, ficar cozinhando o telefone com os olhos, tentando fazê-lo tocar com a força do pensamento, porque não vai adiantar. Ele não vai tocar. Nunca.


Quando eu era adolescente, isso aconteceu algumas vezes. 
É horrível essa sensação de rejeição. Pensamos N coisas elevadas à décima potência.
E lá se vai nossa autoestima.


Eu sempre fui daquelas meninas que eram ótimas para ser amigas: inteligentes, divertidas, legais...e feias! Que ninguém notava, a não ser quando abria a boca para contar uma piada, ou discutir política, futebol, religião, só pra gerar polêmica. Ou ainda que soltava todas as suas máximas para que alguém pudesse perceber seu maior atributo, o conteúdo.
Algumas vezes deu certo. 


Quando alguém fala que não se lembra de mim, com certeza não me espanto, porque sei que eu era muito baranga e vivia mal acompanhada entre os rebeldes sem causa do colégio.
Hoje eu acho graça de tudo isso,  me sinto melhor (pelo menos fisicamente) do que antes. E quando vejo algumas das mulheres da minha geração, tenho certeza disso.


Todavia, sempre existirá alguém pra minar nossa autoconfiança. 
Isso é um fato incontestável.
Segunda-feira eu e minha melhor amiga, falávamos sobre como vamos ensinar a minha filha a lidar com os garotos desde cedo, para que ela não se desaponte com eles, ou que se desaponte o mínimo possível.
Mas eu também direi a ela: - Aproveite o momento!


Faça valer cada instante que você sonhou com aquele gato. Ainda mais se ele for o sonho de consumo de uma vida, aquele grandalhão do colégio, o único que não tinha cara de moleque, com uma camisa, que tinha uma frase engraçada e que você correu e escreveu na agenda junto com o seguinte comentário: " Eu dou, vem pegar!"
Imaginando que isso não teria a menor chance. 


Mas, para engano seu, ele veio pegar. Mesmo que você jamais o veja, pense no que ficará impresso em sua mente e agregue à sua bagagem de experiências. 
Só não se iluda mais, achando que um dia ele vai ligar, porque não vai.
E não fique triste. As coisas acontecem quando tem que acontecer.
Pode levar um tempo. Longo ou curto.  
Mas um dia acontecem e não por acaso,é um momento perfeito. 
Como tudo o que a gente sonha, quando se está na adolescência.

Um comentário:

Alexandre Marques disse...

Inteligente e sensível. Sou pai de uma adolescente e gostaria que ela não se iludisse. Parece que tem algo a ver com a cultura em que os homens são "educados". Acho que eles não ligam no outro dia justamente para não magoar as mulheres,dizer alguma bobagem, ou deixar de dizer, mas parece que não ligar é pior.