quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A pergunta mais difícil de todas



Certa vez, fui fazer o cadastro nacional de doadores de medula, na intenção de se um dia houver compatibilidade entre mim e alguém que precise, eu possa ajudar.
A intenção é linda.
Mas, enfim, no preenchimento da ficha me deparei com a pergunta mais difícil de toda a minha vida: "Qual a sua raça?"
Pensei: "Puta que pariu, no Brasil alguém tem raça? Se tem qual a minha?"
Deixei sem responder a isso.
Passado algum tempo, recebi um e-mail no qual diziam que se eu não respondesse a questão, seria considerada inválida a minha inscrição.
Respondi que não sabia o que escrever e por isso deixei o espaço em branco, mas que se algum brasileiro nato, soubesse responder a tal questão que me colocasse em contato com ele e assim conseguiria responder também.
Resultado, não posso doar minha medula, a não ser que descubra minha raça.
Isso demandaria muito tempo e dinheiro para fazer um exame de DNA, e descobrir se a maioria dos meus genes pertencem a alguma raça específica e assim responder na ficha: Gene predominante negro, branco, vermelho ou amarelo.
Desisti de doar minha medula temporariamente mas se alguem precisar, não me faço de rogada e tento novamente.
Afinal de contas, sou brasileira e não desisto nunca.
PS: Será que depois de tanta colonização no mundo existe alguém que é de uma raça específica?
Me respondam se souberem.

Um comentário:

magno disse...

Cris,
sua escrita é tão singular quanto você. Quando você me deu "Rio Vermelho", não tinha noção da imensidão do ser e do que é ser.
Talvez por ser letrado como você, nos apaixonamos fácil por textos bem elaborados. Parabéns e continue assim, escrevendo e eu...lendo.